Uma definição sucinta para a minha crise, que na verdade já foi superada há alguns meses. Eu me irritava com a vida perfeita no Facebook. Com a dos outros – afinal, é isso que tem lá, um monte de coisas sobre a vida dos outros e uns highlights da nossa. A vida dos outros é perfeita, a minha não. Isso me irritava profundamente.
Os outros estavam sempre comendo coisas gostosas, tomando drinks bonitos, acordando tarde, fazendo festas em piscinas, divertindo-se em lugares cheios de gente linda e descolada. Muitas vezes, os outros estavam fazendo isso enquanto eu trabalhava. Ou enquanto eu fazia faxina. Ou enquanto eu ia ao supermercado, pagava contas, me preocupava com a rotina. Ou simplesmente enquanto eu dormia – afinal, pra dar conta de trabalho, faxina, supermercado e tudo mais, eu preciso dormir. A impressão que eu tinha é que enquanto eu fazia todas essas coisas mundanas havia um mundo inteiro de luxo, glamour, riqueza e felicidade. Este mundo feliz estava distante de mim. Frustração define.
Num dia qualquer de trabalho, minha chefe falou que eu sou muito importante para a empresa. Que minha presença é indispensável e que eu sou muito eficiente. Neste mesmo dia, quando o marido veio me buscar, trouxe um presente surpresa. Mera coincidência. Não era nenhum dia especial, não era meu aniversário, era apenas um dia comum. Não tomei drinks bonitos, não tinha nenhuma festa com jeito de revista Caras. E nem precisava muito mais do que isso – um elogio e um mimo – para me fazer entender que a minha vida é ótima. Mesmo que eu precise acordar cedo todos os dias, chova ou faça sol; mesmo que a louça continue acumulando na pia, mesmo que eu precise pagar contas e não faça viagens incríveis, mesmo que eu não seja convidada para as festas mais descoladas da cidade. Mesmo que eu não viva num clima de férias eternas, sem trabalho, sem responsabilidade alguma. Eu entendi que meu papel no mundo não é ser feliz à toa, muito menos ficar mostrando para os outros uma vida de mentira. Meu papel no mundo é cuidar da minha vida, correr atrás do prejuízo e encontrar felicidade nas pequenas coisas.
E aí, pra acabar de vez com a vida “perfeita” dos outros – e a irritação que isso me causava- eu passei a usar o botão “unsubscribe” do Facebook. Como diria o Chico Pinheiro: é vida que segue.
p.s. a imagem do post veio daqui.
p.s. 2:e por falar em Facebook, curte aí a página da Casa dos Trinta.
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