Eu não gosto de Carnaval. Gostava quando era mais nova, quando era possível frequentar qualquer “multidão” sem me sentir acuada. Mas isso foi há uns 15 anos. Fujo de qualquer multidão – e aí não é porque sou curitibana. É porque tenho medo. De ser assaltada, de ser pisoteada, de ser sufocada, de levar bala de borracha, tenho medo até daqueles marmanjos metidos a besta que chegam pegando na cintura da gente.
Meu consolo sempre foi morar numa cidade que não é de Carnaval. Deixa o Carnaval pro Rio, pra Bahia, pra Minas; Curitiba é o lugar de quem quer fugir da zoeira. Porque é uma cidade fria (embora não aparente nos últimos dias), porque não tem sambódromo e muito menos samba no pé. Nunca ninguém parou pra pensar por que essas coisas não combinam com a cidade? Curitibano não é festeiro. Pensa que é. Mas não sabe ser (assim como não sabe ser educado – e uma coisa leva à outra…).
Não tô falando de você que combinou de ir pular Carnaval com as amigas. Nem das famílias que enfrentaram o sol escaldante do domingo para ver a ‘manifestação artística’ no Largo da Ordem. Tô falando da massa, que, mais dia menos dia, é atraída para todo e qualquer evento público. Daquele monte de gente sem cultura, sem educação, que acha que festar é poder andar bêbado pela rua, vomitando pelos cantos, quebrando tudo e mexendo com a mulher do outro. O mesmo tipo de gente que invade o litoral no réveillon e nos obriga a escutar as piores músicas em volumes absurdos. Gente que acha que festa = bagunça. E isso não é puritanismo, vocês sabem que não é. Tudo que tem muita gente junta, de culturas diferentes, de níveis alcoólicos diferentes, de objetivos diferentes, dá merda em algum momento. Não é culpa das famílias, nem da polícia, nem dos “foliões de bem”. É uma questão cultural, difícil de explicar, de entender e impossível de conter. Deviam deixar o Carnaval pra quem entende do assunto.














