a história da minha avó February 7, 2010
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.Tags: facts, lifetime, vazio
add a comment
sempre li/ouvi as histórias dos outros sobre suas avós. a comida gostosa, as férias de verão, as lembranças da infância. minha avó nunca foi esse tipo de avó. tinha pouca afinidade com as panelas e sua casa fica numa rua tão movimentada que é impossível criar ali um cenário bucólico de férias, com árvores carregadas de frutas e cheiro de flor. ela não fazia tricô, crochê nem sobremesas deliciosas.
mas trazia consigo histórias que só alguém que viveu noventa e dois anos poderia me contar. miúda, birrenta, mantinha a ferro e fogo os costumes e os pensamentos da década de trinta. nem por isso deixou de adaptar-se, sutil e morosamente, às “novas tradições” das gerações de seus netos: dos seis, somente um casou-se no papel. outro lhe deu seu primeiro bisneto. nenhum trouxe o esperado diploma de médico ou advogado.
com 92 anos, ela tinha para certas coisas a disposição que a gente muitas vezes não encontra na nossa rotina. circulava de ônibus biarticulado para resolver seus assuntos: ir ao banco, médicos, compras. conhecia (e sabia da vida de) todo mundo da vizinhança, ia ao salão, passava férias na praia, enfrentava o sol do meio-dia para tomar seu banho de mar.
assim como ela adaptou-se a nós, nós também nos adaptamos a ela. crescemos descobrindo novas formas de encantá-la, dobrá-la e agradá-la. porque família é exatamente isso: um exercício infinito de convivência.
eu sei que tive sorte nessa vida. nem todo mundo tem tanto tempo de convivência com os avós. mas, sabe? é que foi tudo tão rápido, de uma hora pra outra, como geralmente acontece com os velhinhos… de repente ela foi embora, pegando de surpresa todos aqueles que acreditavam que dona belita poderia viver até os 100. porque nós, no nosso egoísmo, não queremos ver partir ninguém que faz parte da nossa vida e da nossa história. queremos que nossos pais e avós sejam infinitos, porque não importa quanto a gente cresça, eles serão nossas referências, o ponto de partida da NOSSA vida…
… tchau, vó.
isso daqui é um jogo February 3, 2010
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.2 comments
fato 1: ninguém assiste BBB para ficar inteligente ou culto. para isso existe o cinema, a locadora, as bibliotecas, a universidade e a famosa escola da vida.
fato 2: todo mundo conhece gente de todo tipo: o chato gente boa, o chato descompensado, a vagabunda, o mongo, a mosca-morta.
agora pegue o fato 2, misture ao fato 1 e pronto: eis a “fórmula do sucesso” usada para fazer esta que já é considerada a mais polêmica edição do BBB. oi? mais polêmica? como assim? e o doutor rogério, o homofóbico? marcelo, o psiquiatra que precisava de tratamento urgente? a tina, a louca que batia panelas? fabrício, que atirou uma mala dentro da piscina? eles não eram tão polêmicos?
eram sim. pior que eles, só mesmo a nossa memória curta. o big brother acontece uma vez ao ano por uma simples razão: o cérebro da massa precisa de (no máximo) um ano pra passar a borracha em tudo o que aconteceu nos últimos doze meses. esquecer com facilidade seus ídolos de meia-tigela e idolatrar novos zé ninguéns.
todo ano, enquanto os “artistas de verdade” tiram férias – afinal, a programação noturna da emissora só estréia mesmo quando chega abril – a emissora cria 15 novos artistas dentro de uma jaula de luxo. a cada semana, um deles é eliminado (provavelmente aquele que está rendendo menos) e no final, um deles ganha um salário único de um milhão. que, convenhamos, deve ser miséria diante do faturamento em merchandising. os demais ganham salários alternativos fazendo propaganda de shampoo e chinelo por alguns meses, além dos ensaios sensuais. mais pro final do ano, quando o contrato de sub celebridade está perto de vencer, aproveitam o restico de fama para apresentar alguns bailes de debutantes . fim.
elenita vai voltar a usar sua anunciada inteligência para fins acadêmicos. michel vai continuar no comando de sua agência fazedora de sites eróticos, tentando reatar com a ex depois de tomar toco da tessália. que, por sua vez, estará prestando vestibular para tentar ser publicitária. serginho estará causando na noite, assim como a lia. eliéser vai concluir o curso de agronomia, fernanda vai obturar centenas de dentes. dourado vai abrir sua própria escola de judô para crianças – sim, eu acho que ele vai ganhar o “milhão e meio”, ao contrário do que todo mundo pensava há 15 dias atrás. porque é um dos poucos que consegue se manter sensato no meio de uma dezena de deslumbrados que só fazem discutir por mixaria “me dá essa cebola que eu corto” e refletir sobre questões fundamentais para a sobrevivência no jogo, como “tenho mais seguidores no twitter do que você”.
daqui a um ano ninguém vai lembrar quem é lia, elenita, kadu ou tessália. já terão esquecido dos barracos, das votações, das obscenidades sob o edredon, das festas “mágicas” – que este ano tem recebido as bandas de formatura mais horríveis do planeta, aliás.
estaremos todos ansiosos por novas celebridades de araque. por “artistas da vida real”, como o próprio apresentador gosta de falar. como se viver 3 meses confinado numa pressão absurda exigisse algum talento além de paciência. inclusive nossa, pra escutar tantas vezes o jargão “isso daqui é um jogo”.
se joga, tessália. se joga lia, kadu, Serginho e até mesmo a GLEG (adogo ela). se joguem porque o mergulho é curto, dura no máximo 3 meses, e a piscina é bem menos funda do que parece.
o trabalho, a rotina e os selvagens January 27, 2010
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.Tags: beleza, blog, facts, felicidade, mudança
2 comments
você sabe por quê inventaram o trabalho? o trabalho na sua forma mais “conceitual” por assim dizer: o exercício de um ofício, seja qual for. o trabalho foi, muito provavelmente, a única forma encontrada para tirar o ser humano do seu estado natural – o selvagem, no caso.
imagine um mundo onde ninguém trabalha. todos tem tempo livre pra tudo. não há dinheiro, a vida funciona operada por escambo ou coisa que o valha. não existem regras, horários, agendas a cumprir. imaginou? como é? pois eu, quando penso nisso, tenho uma visão semelhante àquilo que se passa em filmes como “eu sou a lenda”: o mundo inteirinho destruído, habitado por criaturas selvagens que gostam de sair da toca no escuro.
eu observo (e a cada dia as pessoas me convencem mais disso) que a rotina, a soma do trabalho com as contas, as obrigações sociais, os almoços em família, a vida a dois, o nosso círculo social base… tudo isso dá muito mais do que sustento. o leite das crianças não é nada perto da sanidade mental que uma rotina proporciona. o dinheiro escorre pelo ralo na conta de água, some no escuro da conta de luz, mingua nos cartões de crédito. mantém o corpo limpo, os lençóis bem passados, a louça lavada, a geladeira cheia. mas é a rotina, em sua equação mais pura, ação X recompensa, dedicação X gratificação, tempo X dinheiro, que mantem a ALMA em dia.
quando uma parte da rotina – seja o trabalho, o amor ou a vida social – se torna um martírio, nos tornamos escravos da nossa própria insatisfação. voltamos, muitas vezes sem sutileza alguma, à nossa forma selvagem. nos indispomos com a vida, com o mundo. rangemos os dentes, deixamos as nossas garras afiadas saírem por baixo das unhas. ferimos e somos feridos.
tem remédio? tem. desapego, coragem, mudança, escolher o novo. largar a rotina velha, aquela que vinha nos tornando selvagens, fazer alguma coisa por si mesmo. como se fosse fácil. como se um texto, um e-mail, um “jogar tudo pro alto” mudasse a vida da noite pro dia e resolvesse todos os nossos conflitos internos.
mas dá pra começar aos poucos. dá sim e eu acredito nisso. se você não pode largar o curso de mandarim antes de terminar, se não consegue mudar de emprego neste momento, se não tem dinheiro pra conhecer a conchinchina este ano… não tem problema. há muitos outros prazeres no mundo. muitas outras pessoas pra conhecer, se relacionar, aprender. mas é preciso deixar o lado selvagem pra trás… atuar como um lança-chamas ambulante, queimando aos outros antes de si mesmo, certamente não vai nos atrair boas coisas.
suerte!
home is where your heart is. January 18, 2010
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.Tags: escritos, férias, lifetime, mudança, ouriço
1 comment so far
eu poderia dizer que meu 2010 está começando agora – já que as férias acabam dentro de poucas horas. mas seria injusto. o ano já começou sim, e se eu fosse um pouco mais ousada, diria que foi antes mesmo de 2009 acabar, quando assumi que era hora de mudar e largar de vez aquela vidinha atrás de uma mesa de escritório que me fazia infeliz há algum tempo.
mas no meio disso – o fim de uma era, o começo de outra – foram férias inesquecíveis. o descanso merecido, aquele verdadeiro, de esvaziar a cabeça mesmo. pra começar tudo de novo, “limpinha”, leve e feliz.
viagens longas, praias lindas, dias azuis, muito calor, muitas noites bem dormidas. camarão aos montes, cerveja a qualquer hora do dia, em qualquer dia da semana. seriados, filmes, livros. deu tempo de tudo isso. e de botar a casa e a vida em ordem. de passar mais tempo longe do computador. e de acordar cedo por prazer, pra aproveitar o dia, e não porque o despertador tocou. e ter a companhia de pessoas maravilhosas em muitos desses momentos.
toda vez que saímos de férias, o mundo se vira pra gente pra perguntar “e aí, vai pra onde?”. aquela obrigação xarope de que é preciso fazer alguma coisa grandiosa pra provar que a vida vale a pena. não fui pra austrália. ainda não foi dessa vez que conheci paris ou fiz um safári “irado” pela áfrica. mas em todos os lugares em que estive, em todas as coisas que fiz… eu estava de coração. e acho que isso é o que importa.
e pra se inspirar com tudo novo de novo… ouçam o novo do shout out louds. tá bom demais.
fazendo a mística January 18, 2010
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.Tags: blog, facts
1 comment so far
confesso que neste começo de ano entrei numa vibe assim, meio “mística”. depois do 2009 bombástico, tratei de ficar um pouco mais reclusa e filosófica. certas perguntas que fazem ping-pong na minha cabeça há anos nunca foram respondidas e, mesmo sabendo que morremos todos sem ter aprendido tudo nesta vida, acho que “tentar entender” não mata ninguém – sem contar que exercitar outras vertentes do cérebro faz um bem danado…
e foi logo nas primeiras páginas do livro que estou lendo no momento que veio uma resposta – meio óbvia, mas assim, escrita e publicada, eu levo mais a sério, tá?
na maior parte das vezes em que sentimos aversão por alguém é porque essa pessoa pode tirar-nos uma quantidade de energia que não temos para doar.
ou seja, os famosos vampiros de energia existem mesmo e a vida começa a melhorar depois que você dá chá de alho pra todos eles
ah se meu carro falasse… January 15, 2010
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.Tags: facts
2 comments
somando todas as viagens e engarrafamentos da minha temporada de férias na praia, foram cerca de 30 horas na estrada (e não, nós não fomos dirigindo até o nordeste, tá!). e aí que a moda da vez – depois dos discretos adesivos que apontam sua crença religiosa – é colar a família na traseira do carro:
não vou comentar aqui se é feio, se é bonito, miguxo, bichinha. eu apenas acho perigoso. pra mim, o inocente adesivo é um chamariz para ladrões e gente mal intencionada. apenas um olhar na traseira do carro e o cara já consegue deduzir quem pode estar dentro dele. se é a mamãe no volante, no máximo o bebê e o papagaio estão no banco de trás. alvo fácil.
o fato é que no mundico onde vivemos já somos superexpostos o tempo todo. não fugimos mais disso, mas tentamos manter debaixo da asa o pouco de privacidade que nos resta. sou meio avessa a fotologs e álbuns do orkut por causa disso: qualquer um passa a conhecer você, sua família, sua casa, seus hábitos.
e aí o pai de família, na maior das boas intenções, gruda na traseira do carro, que circula pela cidade toda, um adesivo contando que ele tem mulher, três filhos pequenos, dois cachorros e um gato. sou contra. ninguém precisa saber quem está no carro com você. ou saber que se você saiu sozinho de casa, sua mulher está lá, somente ela e as crianças. não bom, não bom.
podem me chamar de neurótica, podem sim. depois de assistir aos últimos episódios da 4ª. temporada de dexter, eu duvido que você cole qualquer coisa parecida com isso no seu carro…
vão os anéis… January 8, 2010
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.Tags: facts, férias, lifetime
5 comments
meu celular partiu dessa pra melhor dias atrás. hoje foi o ipod ultra-mega-uber-generation do diego que deu piripaque. e aí, claro, é como se nos arrancassem a unha do dedão do pé, de tão dependentes que somos desses pequeninos aparatos tecnológicos.
minha mãe, solícita que só ela, me emprestou o “celular reserva” da família schütze. que celular tem a rodo no mundo, basta você ter dinheiro na hora para escolher um. ou fazer uma compra nas casas bahia, que foi o que aconteceu com a minha mãe. dona claudete comprou qualquer coisa lá – pode ter sido uma mesa de centro, uma batedeira, uma poltrona reclinável, vai saber – e ganhou um aparelho celular. desbloqueado, de modo que pude colocar meu CHIPEEE PEDROOOO e desfrutar de todas as funções que um celular-brinde das casas bahia oferece.
- mas ele faz ligação, filha?
- faz.
- e manda torpedo? (minha mãe é do tempo do torpedo, se falar SMS ela não vai entender)
- manda sim.
- e o que mais você precisa?
tuduchi. na verdade, na verdaaaaade mãe, eu não precisaria de mais nada. assim como o diego também não PRECISAVA de um ipod de penúltima geração (já devem ter lançado um mais moderno, né). assim como não precisamos de forno microondas, chuveiro a gás, cama box, tênis com amortecedor. assim como ela mesma, a minha mãe, não precisava de um carro com um porta-malas enorme. “é pra viajar”, ela diz. pergunta: quantas vezes no ano minha mãe viaja? pois é… e ainda leva a bagagem dela e do cachorro, um vira-latas de 13 anos que possui: 1 cobertor, 2 tigelas (sendo uma para líquidos e outra para sólidos) e 1 almofada de dormir.
mas, voltando: com a maior cara de tacho do mundo, configurei o celular-brinde, com quem tenho dividido o mesmo teto desde a tarde de ontem. ele tem 5 opções de campainhas, 3 papéis de parede. não toca mp3, mas tem lanterna, vejam só; o outro não tinha. agora eu posso perder coisas na rua no escuro!
resumo da ópera: somos absurdamente dependentes de coisas que não precisamos. pelo menos na teoria. nas cavernas o homem vivia somente com um tacape e uma folha cobrindo as partes baixas. só que esse é o discurso mais clichê-demodê-sem efeito da face da terra. se você acha que viveria com um tacape e uma folha, posso te indicar umas cavernas bacanas pra morar, sem água e energia, perto de lugar nenhum e com vista para o nada.
não sei quanto a vocês, mas eu preciso de um celular que toque música, tire foto, receba e-mail, esquente o café, compre pão e descongele o freezer. todos precisam! disso e de ipods para ouvir música no último volume sem incomodar o vizinho. de notebooks para poder escrever na sala ou na cama, antes de dormir. de microondas para fazer pipoca de pacote. de tênis com amortecedores para as caminhadas que nunca damos, já que estamos sempre ocupados com as coisas que temos…
fim!
|aula de português: o acento agudo em anéis, no título do texto, continua existindo. trata-se de um ditongo em palavra oxítona. isso significa que a vinheta da warner onde aparece escrito bem grande “herois” está errada. e sim, eu estou estudando a nova ortografia, pelo houaiss. tenham um bom dia.|
re-solução de ano novo. January 4, 2010
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.Tags: blog, casa, felicidade, mudança, mulher, tuins, welcome
8 comments
houve mesmo um tempo em que eu acreditava no poder do “ano novo”. fazia simpatias, promessas, usava calcinha branca e pulava sete ondas no mar. com o passar dos anos os rituais sem pé nem cabeça foram substituídos por outros mais palpáveis. pular sete ondas, por exemplo, ficou inviável com a quantidade de jacu gente na beira da praia esperando a meia-noite. a cor da calcinha (ou lingerie, pra ficar chique) também foi mudando de acordo com o desejo principal de cada ano: vermelha, verde, amarela. hoje em dia sou uma senhorinha pudenda que já não revela a cor da calcinha em blog.
mas foi nessa virada que eu observei que os mais tradicionais ritos de passagem não foram meramente substituídos. foram suprimidos mesmo. depois de uns vinte anos seguindo rituais e acreditando em lendas de ano novo (eu conto a partir dos doze anos de idade, tá, que é quando a gente começa a ter algum discernimento nesta vida), eu simplesmente parei. de esperar e de prometer – quantos anos prometendo seguir uma dieta à risca por 12 meses, ou largar do cigarro assim que ______________ (coloque aqui a meta de sua preferência). nada disso eu cumpri, e o “universo” também não me entregou boa parte daquilo que eu pedia nos réveillons. aliás, sendo bem honesta, o universo não me entregou quase nada.
as mudanças e conquistas dos últimos anos foram resultado de duas coisas bem simples, e difíceis de encontrar: minha vontade de querer resolver as coisas, somada à uma parceria incrível que já dura alguns anos.
o único ritual/promessa que eu vou seguir este ano é aquele que já sigo periodicamente em outros momentos da vida: organizar a casa, dentro e fora. jogar aquela papelada inútil que acumulamos por meses a fio; e também aquela gente inútil que acumulamos durante a vida. assim como os comprovantes de supermercado e cartão de crédito, tem gente que só serve pra ocupar espaço, sugando nossa energia e nosso tempo de vida.
depois vou assar um lombo, tomar uma champanhota em plena segunda à tarde e assistir 7 episódios de medium pra aproveitar as férias.
ou seja: dá até pra passar a virada de calcinha preta se você cuidar mais da sua vida entre os dias 2 de janeiro e 30 de dezembro.
mensaginha. December 29, 2009
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.add a comment
a maior parte da vida é tão tediosa que sequer vale a pena falar nela, e é tediosa em todas as idades. quando trocamos nossa marca de cigarro, quando nos mudamos para um bairro novo, quando assinamos um novo jornal, quando nos apaixonamos e nos desapaixonamos, estamos protestando de maneiras que são ao mesmo tempo frívolas e profundas contra o tédio indissolúvel da vida cotidiana.
truman capote- travessia de verão
|então é isso. que em 2010 a sua vida cotidiana seja menos tediosa. mais coragem para mudar, menos medo para viver. pra mim e pra você
|
calamed: refresca a pele e tira o ardido. December 28, 2009
Posted by Paula Schutze in casadostrinta.2 comments
tenho pavor de câncer de pele. de gente com pele manchada, envelhecida, sabe como? lembro de umas amigas de infância que nunca tiveram o hábito de cuidar da pele, coisas básicas – tipo tirar a maquiagem antes de dormir ou passar um protetor diário no rosto. resultado é que hoje elas parecem uns 15 anos mais velhas do que deveriam.
por isso eu não fico tostando no sol. gosto mesmo é de sombra e água fresca. passo o FPS 30 e fico horas encolhidinha embaixo do guarda-sol, saindo de hora em hora somente para molhar as pontas dos pés na água e voltar depressa.
e debaixo da sombra do meu guarda-sol ainda me ponho a observar todo tipo de gente: da tiazona jogando frescobol na areia no sol do meio-dia aos bróders logo ao lado, que passam4 horas se “bronzeando” e tomando cerveja. lá no meu íntimo rio deles, imaginando quão longa será a noite no cabide.
mas a surpresa também é minha: chego em casa e antes mesmo de entrar no chuveiro percebo que todo cuidado é pouco. no meu caso, pouquíssimo. não adianta passar FPS 30 se você esquecer partes importantes do corpo, como joelhos, canelas, pescoço. não tive nem tempo de imaginar a noite no cabide alheio, só me restou energia para encontrar meu próprio lugar onde me dependurar para as próximas noites.
não confio mais em protetor solar; amanhã cedinho estou na farmácia comprando um bloqueador fator 50 – ou, se possível, 140.
ME ARDE TUDO!
sim, o último post era o último de 2009. mas sabe como é, blogs são como diários onde você registra coisas (in)úteis de sua vida para a posteridade. fica aqui minha lembrança do verão 2009.

