Pausa.

28 Jan

Em um ano, duas mudanças. Esta última pra melhor, mas a mais difícil: há dez dias metade da cozinha está em caixas, de modo que receber pessoas ou preparar coisas mais elaboradas ficou difícil. Por três dias não tínhamos água quente – até aí tudo bem, afinal estamos no verão e o banho pode ser mais frio.  Não: estamos no verão curitibano, o banho por aqui não pode ser frio. Pessoal da tevê a cabo fez alguma nhaca na instalação no apê novo, de modo que não funciona o HD. Estamos há dez dias assistindo tudo numa tevê mínima, de 14 polegadas. E tudo isso em um apartamento que ainda não é o nosso – afinal é muito difícil trabalhar, juntar uma grana para dar entrada e depois passar a vida pagando o resto.

As férias acabaram há menos de um mês e a rotina já consome de tal forma que parece que faz muito mais tempo. Das férias ficaram somente três coisas: um bronzeado desbotado, uns quilos dentro da calça jeans e uma pontada de decepção pelo conjunto da obra do réveillon.

Em meio a tudo isso as contas não param de chegar, é claro. Há muitas delas a pagar, sempre. Pequenos problemas profissionais, pessoais e domésticos a resolver.

Tudo isso aí é o cenário perfeito para que uma ansiosa compulsiva como eu perca o sono, tome litros de floral e comece a roer unhas, coisa que nunca fiz.

Mas pela primeira vez na vida eu sinto que realmente me comovo com coisas maiores e vejo meus problemas do tamanho que eles são: mínimos. Começa com uma amiga muito próxima e um problema de saúde bem sério em sua família, termina com um incêndio horrível em uma boate em Santa Maria.

A vida é muito maior do que nossos problemas mundanos – e não há nada mais mundano do que usar o discurso cansado de que “os nossos problemas são sempre maiores, porque são nossos”.  Sua cozinha pode estar em caixas, sua tevê a cabo não funciona, o salto do sapato quebrou e você não sabe se vai viajar no carnaval. Só que você está viva e saudável para resolver tudo isso. É realmente muito egoísta de nossa parte achar que estes problemas são os maiores do mundo. Me sinto fútil a  maior parte do tempo.

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2 Responses to “Pausa.”

  1. Denise January 28, 2013 at 7:50 pm #

    Vi esta imagem aqui e achei bonita pra você. http://pinterest.com/pin/71987294015856580/

    ‘Reclamar’ da vida e dos nossos problemas cotidianos são normais – e é sempre bom quando percebemos que tudo é besteira, amanhã, quando o armário chegar e tudo ficar no lugar, a gente já esquece. Fiquei 3 semanas com colchão de ar, 2 pratos, 2 copos, 2 jogos de talheres em casa, com guarda-roupas novo e um rack (sem tv). Hoje em dia, ‘praticamente’ esqueci – e na época, estava quase enlouquecendo. hehe

  2. Paula Schutze January 28, 2013 at 8:18 pm #

    É bem isso, Deni. Depois o tempo passa e a gente esquece o “perrengue”. Adorei a imagem 😉

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