Amores tortos

23 Feb

Amor: eu também achei que era aquele. Que, feito nos contos de fada, tinha tido a sorte de encontrar o primeiro que também era o último. Que era o definitivo, infinito e infinitivo. Não era. Também achei que era o segundo, o terceiro, o décimo nono. Não eram. Achei que o amor era aquele sofrimento, aquele vazio que ficava quando alguém ia embora. Que não havia maior prova de amor do que aquele sentimento me corroendo por dentro. Se doía, era amor. Não era.

Eu também achei, lá pelas tantas, que não existia. Que era uma invenção moderna, relacionada com filmes, com situações bonitas que só aconteciam na ficção. Eu também achei que nunca ia acontecer comigo. Igual você achou um dia: isso daí não é pra qualquer um, é pra poucos; encontrar a pessoa perfeita e ter certeza que é com ela que você vai ficar pra sempre. Achei que meu destino era ser pra sempre uma espectadora dos romances alheios. Não era.

Já confundi o amor com um monte de coisas: carência, saudade, vazio, dor. Chega uma hora que você já nem sabe se é amor ou se é só fome. Acontece. Eu também já achei que o amor era complicado. E por conta disso, lá se foram mais uns 14 não amores. Confundi o amor com confusão.

Já achei que o amor era azul, rosa, vermelho, se bobear achei que o amor era de alguma cor estranha como fúcsia ou cáqui. Não era. Eu também achei que era difícil, que falava outra língua. Achei que era só esperar a hora certa, já achei que o amor era casado, divorciado e enrolado. Não era.

Acreditei em todas as nuances do amor que não era amor. Pessoa certa na hora errada. Não é você, sou eu. Não quero te fazer sofrer. Achei que tudo isso era o amor chegando ou muito cedo ou muito tarde. Não era.

E, ao mesmo tempo, amei tanto. Amei torto, amei confuso, amei errado, amei de tantas cores e de tantos tamanhos, amei com tantos pesos e tantas medidas. Amei do jeito que deu, do jeito que eu sabia, do jeito que eu achava que era. Não era. Quer dizer, era. Mas não era o amor que tinha que ser. O amor que não confunde, não atrasa nem adianta. O amor bate à porta sim, se você não estiver, ele espera você chegar. O amor não é perfeito, e por isso mesmo eu não me canso de olhar pra ele.

4 anos, 7 meses e 24 dias. Não precisa comemorar essas coisas só em um determinado dia, né?

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10 Responses to “Amores tortos”

  1. Rafaela Scicchitno February 24, 2012 at 2:02 pm #

    Olá Paula, conheci os seus textos e blog com a Luciana Rocha Costa. Muito bom tudo o que escreve! Vc realmente consegue dizer aquilo que gostaríamos de saber ou melhor se conscientizar da verdade, sem máculas e culpas, apenas com sabedoria e amadurecimento. Muito obrigada por escrever publicamente, isso nos faz e tem me feito muito bem, são alimentos para a alma! Bjs

    • Paula Schutze February 24, 2012 at 2:14 pm #

      Rafaela, obrigada pelas palavras. É muito bom saber que minhas palavras são tão importantes para os outros! Beijos.

  2. Nay February 24, 2012 at 2:42 pm #

    Lindo seu texto! Parabéns! x

  3. Carla February 27, 2012 at 2:13 pm #

    Paula, leio seus textos há muito tempo e concordo com a Rafaela, você escreve sobre o que a gente precisa saber, às vezes até sabe e precisa se conscientizar de verdade… enfim… adoro seus textos. É engraçado que me sinto exatamente como você descreve no início do texto… eu ainda não encontrei, e nem ele me encontrou, esse amor que não confunde e não atrasa; estou esperando a minha vez… um grande abraço… você sabe usar como ninguém as palavras que vem do seu coração.

  4. Marcelo Rocha February 27, 2012 at 2:57 pm #

    Bravo!!!

  5. Bia February 28, 2012 at 3:07 pm #

    Ai que lindo! Me emocionei, ainda mais conhecendo vocês e sabendo o quanto estão feliz! Que esse amor dure muito!!
    Beijos,
    Bia

  6. Gabi March 2, 2012 at 7:31 pm #

    Amei! Emocionei!

  7. Adriana Lacerda March 6, 2012 at 1:27 pm #

    Este texto é para guardar, ler e reler. Parabéns. Cheguei até aqui através do Felipe Cordeiro. Já está no Google Reader. bjo

  8. Ludo March 15, 2012 at 10:05 pm #

    Amor não existe,e só sofrimento… É uma alienação mental que a gente vive momentaneamente, tão somente. Homens são uma aberração na vida de uma mulher. Só é necessário para aquilo,e nada mais.

    • Sergio N June 3, 2012 at 4:27 pm #

      Você esta em estado de depressao rs
      Trate-se 😉

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