Bom dia pra você também

3 Feb

Gosto muito desse texto da Denise, que descreve de forma bem clara e sucinta uma das piores manias do curitibano. É assim mesmo: a gente foge, se esconde, espera o próximo elevador; tudo para não ter que abrir a boca e dizer bom dia, boa tarde, boa noite. Um estranho valor (se é que dá pra chamar de “valor” um hábito assim) tão fincado na nossa essência que fica difícil tirar de dentro do peito.

Tô tentando. Tô me esforçando. Cumprimento o caixa do supermercado. Agradeço antes de catar as compras e ir embora. Olho pra cara de quem está me atendendo na farmácia, no café, na loja, no restaurante. Às vezes esqueço. Digo “obrigada” com a boca semi cerrada, olhando pra carteira, louca pra sair dali. Como se alguém estivesse me torturando. É difícil tirar essa sensação de invasão, confesso. Como se o fato de olhar alguém nos olhos fosse uma intimidade tão grande, tão grande que… melhor não. Melhor baixar a cabeça e ir embora, atravessar a rua, como se óculos escuros e iPod fossem capas de invisibilidade.

E na internet então? Milhares de formas de se comunicar, mas só se você quiser. (Percebem a minha grande crise com tudo isso? Cada texto tem um porém). Assim como a gente finge que não viu a fulana do outro lado da rua, também pode fingir que não leu um email.  Do mesmo jeito que a gente não cumprimenta a moça do caixa, que a gente sai de qualquer lugar sem dizer nada, dá pra ficar offline no meio de uma conversa. Fingir que caiu, que não leu, que não deu tempo, que esqueceu. Eu não quero ser assim. Quero fazer o mínimo. Quero dar bom dia, boa tarde, boa noite, oi e tchau. Quero ser à moda antiga – sim, eu acho que os curitibanos eram mais educados. A gente sabia ser, só desaprendeu.

imagem do fuck yeah moleskines

Advertisements

5 Responses to “Bom dia pra você também”

  1. Josei February 5, 2012 at 12:09 am #

    Eu já acho que esta é uma das melhores manias do curitibano… Quando estive por aí, sentei de frente para uma pessoa, no ônibus e já estava até me retorcendo por dentro por pensar que ia querer puxar papo. Para minha sorte, a pessoa me ignorou. Achei lindo. Não gosto de conversar com estranhos. Queria que a mania pegasse aqui na minha cidade, também…

  2. mardebem February 6, 2012 at 12:20 am #

    “A gente sabia ser[educado], só desaprendeu.”
    Resumiu tudo!
    =)

  3. Denise February 6, 2012 at 1:06 pm #

    uai, eu tinha deixado um comentário aqui… enfim…

    mas tinha escrito uma bobeirinha qualquer, falando que acho engraçado o fato de ser um esforço esta coisa toda da cordialidade… mas ó, vale a pena!
    =)
    beijão!

  4. Mariana Habitzreuter February 23, 2012 at 5:38 pm #

    Adorei o blog, ótimos textos! E esse que fala dos Curitibanos então, nem se fala. Concordo que temos que buscar ser mais educados com todos que nos cercam 🙂

Trackbacks/Pingbacks

  1. Samba no dos outros é refresco « - February 6, 2012

    […] combinam com a cidade? Curitibano não é festeiro. Pensa que é. Mas não sabe ser (assim como não sabe ser educado – e uma coisa leva à […]

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: