O maior amor incondicional do mundo

22 Aug

O problema da minha família é que não passo um almoço/jantar/churrasco/evento aleatório sem que alguém solte o clichê master: “mas e aí, quando vocês vão ter o de vocês?”. No caso, o = bebê, filho, criança. Eu já devo ter falado sobre isso em diversos posts no passado, e já dei todo tipo de resposta polida aos meus familiares. Mas existe alguma espécie de bloqueio em relação ao nosso “agora não”.

Já ouvi como resposta coisas assim: “você nunca sentiu amor igual ao amor de uma mãe pelo seu filho, é incondicional”. E é bem verdade, eu nunca senti mesmo – afinal, eu não tenho filhos. Imagino que seja um amor bonito. Feio mesmo é menosprezar os outros amores que eu sinto na minha vida, como se eu não fosse humana ou apaixonada o suficiente. Muitas pessoas têm pencas de filhos sem que, no entanto, tenham vivido um grande amor, um grande romance.

E eu prezo muito mais o romance, porque este sim é incondicional. Você não pariu aquela pessoa e precisa amá-la por causa disso. Você ama porque ama, você não tem controle nem obrigação sobre aquilo. Você apenas ama, você ama tanto que o seu coração dói só de olhar a pessoa dormir.  Você ama pela parceria, pelas pequenas coisas, pelas qualidades e pelos defeitos também. Você ama porque sabe que vai cuidar daquela pessoa pra sempre, porque ela também estará ali sempre para você.

Você ama porque ela entende seu tempo, respeita seu espaço, conforta suas angústias, suporta os dias ruins. Você ama tanto que, quando ela sofre, você sente seu coração despedaçar junto. Você ama porque ela te faz rir, chorar, porque gosta das mesmas coisas que você, e também porque gosta de coisas diferentes – você ama porque, com ela, aprende um pouco a cada dia. Você ama porque juntos fazem planos, esquentam os pés nos dias frios, dividem a cerveja nos dias de verão. Você ama porque sua vida faz muito mais sentido cada vez que ela está perto. Você ama porque, por causa dela, chegar em casa é sempre o melhor momento do dia. Você ama durante o banho, enquanto dorme, enquanto come, quando acorda, quando dirige, de manhã, de tarde, de noite, quando pisca, quando respira – e se isto não é amor incondicional, me digam o que é.

Advertisements

12 Responses to “O maior amor incondicional do mundo”

  1. Denise August 22, 2011 at 10:49 pm #

    hahaha provocadora!!!
    amei o texto e os argumentos. pois é, amor incondicional não se limita aos filhos. acho isso realmente injusto, porque tantas pessoas não tem filhos e nem por isso, deixam de experimentar um amor sem igual. Minha mãe também me fala sobre ter filhos, que é um amor diferente de todos os outros – mas não fala que é maior do que qualquer outro. Até porque, os fiilhos foram embora e quem está lá do lado dela? Meu pai, há quase 30 anos…

  2. Anna Carla August 23, 2011 at 2:06 pm #

    Justamente por desfrutarmos de um amor assim como o descrito no seu post, incondicional, intenso, e verdadeiro eu e meu marido tivemos não apenas um, mas dois filhos! Tenho uma menina de sete anos, perguntadeira que nem ela só, que curiosa dia desses me questionou o motivo de seu nascimento e eu respondi: eu e seu pai nos amávamos tanto, tanto, tanto que começou a sobrar amor e tivemos você que com o passar do tempo retribuiu dia a dia esse amor gigante e começou a sobrar de novo então tivemos seu irmão (meu filhote que completa agora dia 30/08 um ano). Talvez algum dia vá ter amor sobrando na sua casa também, mas cada casal tem seu tempo, sua hora. E há aqueles também que preferem não ter, por inumeras razões, tempo ou falta dele, grana ou falta dela, os recursos naturais, o meio ambiente…mas esses, sinceramente, acho que não sabem o que estão perdendo (risos).
    Parabéns pelo blog, sempre que posso passo por aqui.
    http://cadernodecabeceira.wordpress.com

  3. Helaine August 23, 2011 at 8:20 pm #

    Uma frase que nunca esqueci ao ler Comer, Rezar, Amar, foi: “Ter um filho é como fazer uma tatuagem na cara. Você precisa realmente ter certeza de que é isso que você quer antes de se comprometer.”
    Isso me marcou muito, pois já estou mais perto dos meus 40 do que dos 30, e eu não sei se, no futuro, vou me arrepender de não ter tido filhos. Esta é uma dúvida que me persegue todos os dias. Não penso em planejar uma gravidez, mas claro, se acontecesse, eu teria e seria uma mãe babona e bobona…

  4. Paula Schutze August 23, 2011 at 8:24 pm #

    Eu acho que hoje as mulheres são muito mais ponderadas quando pensam no assunto. Tenho várias amigas jovens que são mães fofas de famílias fofas. Mas não me sinto apta a cuidar de uma criança agora – e isso não quer dizer, em hipótese alguma, que falte amor na minha vida. Nem na minha e nem na de qualquer outra mulher que ainda não tenha certeza sobre maternidade. Existem várias outras experiências cheias de amor na vida, a maternidade é apenas uma delas. Umazinha só no meio de um milhão!

  5. Virgínia Magalhães August 23, 2011 at 8:59 pm #

    Paula, eu tenho uma filha e amo incodicionalmente. Porém, entendo o que você quer dizer, porque independente da filha que tenho, sei amar incondicionalmente quem estiver comigo também. O que você escreveu é o que senti por poucas pessoas nesse mundo (incluindo minha filha), e amar desse jeito é a melhor coisa desse mundo. É a certeza de que vale muito à pena viver, porque tem sentido a vida… E te digo mais, já cheguei ao ponto de amar dessa forma, e não ser correspondida na mesma intensidade, e mesmo assim continuar amando. É claro que gostaria de ser correspondida… mas o amor é tão incondicional, que se torna algo quase irrelevante para a continuidade do amor. Adorei o post de hoje!

    • Paula Schutze August 23, 2011 at 9:13 pm #

      Ah, Virgínia! A sua maternidade é muito mais do que um amor incondicional e eu já te falei o quanto admiro isso. E mais – pelo pouquinho que eu acompanho, sei que você ama incondicionalmente tudo o que faz!

  6. Oksana August 31, 2011 at 3:33 pm #

    Amei incondicionalmente esse texto, rs.
    Ai, cara, acho muito chato isso de ficar rotulando amor, separando em categorias. Amor bonito, amor legal, amor grandão, amor mais ou menor, amor romântico, amor materno, amor fraterno, amor fantástico, amor melhor que todas as alternativas anteriores… Amor é amor e ponto!
    Eu quero muito ser mãe, sempre quis. Desde criança já sonhava com isso. Mas hoje sinto que não é o momento ainda, por questões práticas. Nem por isso, minha vida deixa de transbordar amor. Sobra tanto amor que meu amado e eu adotamos dois gatinhos abandonados (ok, é justo confessar: eles é que nos adotaram). Sobra tanto amor que dividimos com nossos pais, nossos familiares, nossos amigos.
    Muito injusto achar que uma mulher sem filhos é incompleta no campo amoroso, até porque algumas simplesmente não podem tê-los. E aí, elas não sabem amar? Fala sério, né?

    • Paula Schutze August 31, 2011 at 5:14 pm #

      Obrigada, Oksana =)

      Você tirou as palavras da minha boca, e de outras mulheres com quem conversei. É MUITO injusto achar que não sobra amor na vida só porque não temos filhos. Filho não envolve só amor, mas um monte de outras coisas. E realmente há quem apenas não possa tê-los, por questões de saúde ou até financeiras. Nem por isso falta amor em suas vidas.

      Sou sua fã – e não é de hoje, mas agora sou ainda mais hehehe.

      • Oksana August 31, 2011 at 6:10 pm #

        🙂

        Sou super sua fã também!

        Amemos, meu povo! Vote em mim!

  7. Paula Schutze August 31, 2011 at 6:18 pm #

    Como uma amiga me falou há pouco: “Oksana para presidente!”. Já tem pelo menos 2 votos, hahaha.

  8. Laura October 27, 2011 at 4:34 pm #

    Na minha turma de amigas estamos vivendo esse dilema. Algumas já tem filhos e outras não (me incluo no grupo do não). O problema é que as mães da turma teimam em converter toda reunião, saída, jantar e até mesmo um simples e-mail em um evento pró-maternidade (tem hífem? ainda não me adequei).
    E aquelas que ousam dizer que não querem ou não sabem se querem ter filhos são praticamentes jogadas vivas na fogueira da inquisição maternal.
    Eu não julgo a opção de ninguém em ter quantos filhos quiser ou viver sua vida da forma como mais lhe convier. Mas também não aceito ser julgada como um ser humano menos feliz, bondoso, amoroso ou etc por não querer ter filhos e preferir criar gatos e cachorros.
    Adoro crianças, de verdade, mas ainda não sei se quero uma só pra mim. Só não gostaria de ter de ouvir sermão ou indiretas de que ter filho é a melhor coisa do mundo, que é o amor mais puro do mundo, que é a única forma de uma pessoa ser completa, etc, etc, etc.
    Paula, posso postar seu texto no FB (já que mandar por e-mail diretamente para minhas amigas seria uma declaração de guerra)?

    • Paula Schutze October 27, 2011 at 4:39 pm #

      Oi Laura! Com esse post descobri que muitas mulheres compartilham do mesmo dilema. Pode colocar no seu facebook, sim! Beijos

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: