O nariz mais presunçoso da cidade

26 May

Day 4- a song that makes you sad. Esse clima meio igreja, meio fúnebre, essa letra triste. Linda, porém deprimente.

Intervention – Arcade Fire
Album: Neon Bible
Ano: 2007

Tanta coisa acontecendo no mundo que eu apenas não consigo acompanhar. Interação, comunicação, trabalho, casa, pessoas, músicas, filmes. Sério, gente: como vocês conseguem? Quantas horas tem o seu dia?

Eu mal consegui formar uma opinião a respeito do clipe mais famoso da última semana. Críticas sempre fizeram parte de tudo que existe no mundo. A diferença é que agora, atrás de uma tela de computador, todo mundo tem o rei na barriga. Todo mundo sabe xingar, opinar, comparar – mas ninguém sabe que DESPENSA, por exemplo, se escreve com E neste caso.

Então as pessoas reclamam que a banda colorida é líder de indicações a algum prêmio musical aí, que eu nem sei direito qual é (aquela coisa de não conseguir acompanhar). E querem saber por quê? Não é porque a música é boa, porque fizeram algo novo, bla bla bla. É porque os fãs da banda de “happy rock” têm a metade da nossa idade. Eles podem ser emos, podem ser coloridos, podem ser o que quiserem. Eles não têm a cabeça cheia.

Os velhos, como eu, como você, têm a cabeça cheia de ideais que pregam, mas nunca seguem à risca. Com a desculpa de “já sabermos do que não gostamos”, aproveitamos para execrar toda e qualquer coisa nova que nos encante de forma desconhecida. Vivemos mais, somos mais inteligentes, mais experientes, temos referências melhores – e por isso nos achamos no direito de diminuir aquilo que não nos agrada. Pregamos uma liberdade de expressão que não existe dentro do nosso próprio quadrado. Como o Luigi citou na coluna “A Noite Toda”, sobre outro assunto ainda: fazemos barulho mas reclamamos das crianças no pátio, do passarinho do vizinho.

Nos achamos jovens de espírito, mas lidamos com coisas novas como nossos avós lidavam com a gente: isso que você está fazendo não está certo. Achamos que nossas verdades nos tornam deuses e, como li no Facebook do Claudio Yuge esses dias: “vocês realmente acham que a discussão é sobre o que vocês pensam?”. Não é, gente. Não é sobre o Restart nem sobre A Banda Mais Bonita da Cidade ou sobre qualquer outro “movimento musical”. O buraco neste caso é mais em cima: o buraco está no nosso nariz, na nossa incapacidade de lidar com aquilo que não temos controle. Simples assim.

Ouçam uma música boa e triste. Vamos pro cantinho pensar no que fizemos.

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5 Responses to “O nariz mais presunçoso da cidade”

  1. Marcelo Maven May 26, 2011 at 3:13 pm #

    Fantástico babe! Dedinho bem na ferida.

    • Paula Schutze May 26, 2011 at 5:06 pm #

      😉

  2. Ronise Vilela May 26, 2011 at 4:18 pm #

    Tô contigo, mas entre nós, Luigi não é parâmetro :/

    • Paula Schutze May 26, 2011 at 5:06 pm #

      Neste caso eu apenas citei a fonte, pois me caiu como uma luva. Mas eu gosto do Luigi =)

  3. MARCOS EHLKE May 28, 2011 at 12:48 pm #

    total certeza o que vc falou.
    Mas engraçado, que picharam a banda, mas eu não analisei a música propriamente. Eu analisei a inventividade de como ela foi demonstrada a nós, e a sua musicalidade: um tipo de um mantra.
    Se a letra é pobrinha, ingênua, sei lá o que.. não veio ao caso do seu sucesso.

    eles tem seu mérito sim.

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