Toda vez que eu chego em casa

10 May

Reportagem no Bom Dia Brasil de hoje relatava: em Curitiba, uma residência é assaltada a cada 50 minutos. Um dos principais motivos pelos quais eu não pretendo voltar a morar em casa tão cedo – além do fato de que vários membros da minha família sofreram assaltos dentro de casa muito recentemente, e claro, não é nada legal.

Morar em apartamento é a certeza de que você pode viajar, passar 3 ou 30 dias fora e quando voltar vai estar tudo no lugar, inclusive aquele leite que você esqueceu aberto dentro da geladeira.

Eu não apenas moro em apartamento: moro em um condomínio de família, daqueles com 3 edifícios, quadra poliesportiva, parquinho e pedrinhas cor de mel. É um alento ao coração olhar pela janela todos os dias, mas se fosse perfeito não teria graça.

Um dia ainda vou fazer um post especial sobre cada um dos meus amáveis vizinhos do bloco C, mas por hoje vamos falar da dona M. Dona M. é aquele tipo de vizinha que oscila entre o excesso de simpatia e a falta de desconfiômetro. Nunca esqueço de uma vez em que entrava em casa com as compras, ela espichou o olho beeem comprido e perguntou: “comprou leite?”. – Sim, dona M, comprei leite. “Pagou quanto? Eu só compro leite em promoção”. Neste dia eu entendi que dona M toma pouco leite, afinal pode se dar ao luxo de esperar pela promoção.

Dona M. fuma e não vou ser hipócrita e criticar este péssimo hábito. Nada mais clichê do que falar mal de fumantes – todo mundo sabe que fede e que faz mal para a saúde, que as bitucas poluem o mundo e tudo mais (sabia que o cocô que você faz todo dia também polui o mundo? Nem por isso te desejo prisão de ventre). Mas o problema é que Dona M. fuma e o cheiro do cigarro dela vaza, de alguma forma misteriosa, para o hall do nosso andar. O hall é mínimo, 4 portas, um elevador e nenhuma janela. O cheiro vaza de uma forma que, quando você chega no hall do andar onde moro, parece que você está entrando no James em 2003. Os míseros dez segundos que fico ali, tempo de abrir a porta e nada mais, são suficientes: roupas e cabelos defumados. E o cheiro fica encalacrado naquele micro-hall por dias, semanas, e aquilo fede de uma forma que começa a parecer uma mistura de cachorro molhado com jornal velho E cigarro. E daí como o cheiro não tem mais pra onde fugir, ele finalmente encontra um caminho: a porta da minha casa. E começa, sorrateiro, a invadir minha cozinha e minha sala. Quer dizer, cheiro de cigarro dos outros que ficou marinando por cinco dias no hall invade a minha sala. É gostoso ou não é?

Mas  cigarro nem é o problema. O problema é que no final de semana a Dona M. comprou um passarinho. Não é um canário belga, um pica-pau, um pardal ou coisa assim.  O passarinho só faz um único barulho. Ele faz PIU, bem alto, repetidamente, durante 24 horas ininterruptas. PIU.

“ai, mas eu fico com dó, é tão bonitinho o danadinho”

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5 Responses to “Toda vez que eu chego em casa”

  1. Caminhante May 11, 2011 at 12:02 am #

    Toda vez que eu leio o título desse post, no meu blogroll, eu começo a cantar – “a barata da vizinha está na minha cama”.

  2. Paula Schutze May 11, 2011 at 9:38 pm #

    essa era a ideia =)

  3. Denise May 16, 2011 at 3:26 am #

    Faz 10 anos que moro em apartamento e suplico por uma casa. Nunca rolou – mas a minha esperança é que aconteça em breve. Eu e o marido já tivemos o desprazer de ter o apartamento arrombado, dentro de um prédio aparentemente seguro e tudo mais. Levaram um aparelho de dvd, controles e estouraram as 2 portas. Coisas da vida…

  4. Danielle May 17, 2011 at 1:40 am #

    Morar em apartamento é a certeza de que você pode viajar, passar 3 ou 30 dias fora e quando voltar vai estar tudo no lugar???????

    Desde quando?!?!???

    Conheço “N” pessoas que moravam em prédios/condomínios aparentemente seguros e tiveram seus lares invadidos. Recentemente um grande amigo, morador de um prédio em uma região nobre da cidade, teve o ap invadido logo após o almoço, sol rachando em um dia de semana. E olha que ele tinha ido almoçar em casa… Tinha tetra chave e alarme!!

    Eu moro em casa desde que me entendo por gente (meus pais são casados há 50 anos e nunca moraram em apto) e nossa casa nunca foi assaltada, graças ao bom Deus.

Trackbacks/Pingbacks

  1. O nariz mais presunçoso da cidade « Casa dos Trinta - May 26, 2011

    […] Os velhos, como eu, como você, têm a cabeça cheia de ideais que pregam, mas nunca seguem à risca. Com a desculpa de “já sabermos do que não gostamos”, aproveitamos para execrar toda e qualquer coisa nova que nos encante de forma desconhecida. Vivemos mais, somos mais inteligentes, mais experientes, temos referências melhores – e por isso nos achamos no direito de diminuir aquilo que não nos agrada. Pregamos uma liberdade de expressão que não existe dentro do nosso próprio quadrado. Como o Luigi citou na coluna “A Noite Toda”, sobre outro assunto ainda: fazemos barulho mas reclamamos das crianças no pátio, do passarinho do vizinho. […]

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