A revolta dos eletrônicos

21 Mar

Carambolas. 21 de março = primeiro post do mês. Como proceder? Retrospectiva do Carnaval? Tarde demais – principalmente levando-se em consideração que meu carnaval passou bem longe de samba, suor e cerveja. Entre mortos e feridos, vamos à contagem.

Nas últimas semanas vivi algo que pode ser chamado de “a revolta dos eletrônicos”. Ou dos eletrodomésticos. O nome não importa: pequenos aparelhos indispensáveis para a minha vivência resolveram me deixar na mão. Primeiro foi o celular novinho em folha, quilometragem baixíssima, menos de um mês de vida e o bichinho deu pane. Sem paciência, optei por decretar sua morte prematura antes de tentar qualquer negociação com operadoras e assistências técnicas. Passei então a fazer uso de um incrível Samsung E1086. Um presente das Casas Bahia para a minha mãe quando ela comprou algo por lá há uns 2 anos atrás. Sem câmera, sem teclado qwerty, sem acesso à internet, sem conexão às redes sociais, o dito cujo só faz exatamente aquilo que um celular deve fazer em essência: ligar e mandar mensagens.

Poucos dias depois o Secador de Cabelo Oficial derreteu na minha mão enquanto eu secava a juba de manhã cedo. Leia-se Secador de Cabelo Oficial com letra maiúscula, porque uma mulher que depende do secador pra ser feliz (essa sou eu) tem sempre um Secador de Cabelo Reserva. O Secador de Cabelo Reserva evita que você passe perrengues como sair de casa com o cabelo molhado numa manhã fria e tenha seu poder de frizz elevado à vigésima potência.

Como vocês podem imaginar, o Secador de Cabelo Reserva não é assim uma Brastemp – caso contrário ele ocuparia o posto de Oficial. Secar cabelos não é como montar um time de futebol, você não guarda o melhor secador pra uma hora propícia, sai usando mesmo e deixa aquele mequetrefe tabajara pra uma hora de aperto. O problema é que o mequetrefe tabajara também se revoltou e resolveu estragar na manhã do dia seguinte. Resultado: saí de casa com os cabelos molhados numa manhã fria. Bem antes da hora do almoço eu já era uma mulher com frizz. E se você já teve frizz na vida (provavelmente antes de conhecer a escova progressiva) você sabe o quanto isso é irritante. O dia pode estar péssimo, mas um cabelo sem frizz já faz você se sentir melhor. Não era o caso. Eu estava com frizz, carregando na bolsa um celular que não tem teclado qwerty. O cocô da mosca do cavalo do bandido.

Aí veio o terremoto, o tsunami, Fukushima e toda aquela calamidade no Japão. E então tenho um rompante de humanidade e percebo que posso viver com frizz nos cabelos por mais uns dias e usar um celular SEM STATUS por mais alguns meses. Esse tipo de coisa serve, no fundo, pra mostrar que a gente tem mesmo que agradecer todo santo dia: as paredes de nossas casas estão em pé, a cama quentinha nos espera toda noite depois do jantar e ter um celular tabajara não te faz miserável ou infeliz. Acredite em mim.

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5 Responses to “A revolta dos eletrônicos”

  1. Tiago Vidal Dutra March 21, 2011 at 8:48 pm #

    Eu gosto muito dessa Paula satisfeita com a vida, mas sem perder a essência RECLAMÃ.

    • Paula Schutze March 21, 2011 at 9:00 pm #

      uma reclamadinha, convenhamos… é só não passar dos limites. hehe

  2. Felipe March 21, 2011 at 8:56 pm #

    Ha! Sempre que acontece alguma bad dessas comigo eu paro e penso: podia ser bem pior só com uma perna. E hoje, durante meu almoço relâmpago no Caruso, vi uma reportagem de uma formanda em Relações Públicas que perdeu a perna em um acidente de carro há um mês. E ela tava lá, toda feliz da vida, recebendo o diploma, sendo homenageada, dançou até a valsa. Afinal, a vida não para! Também agradeço todos os dias por tudo o que tenho mas sem esquecer de que posso viver muito bem sem um bocado dessas coisas.

    • Paula Schutze March 21, 2011 at 9:00 pm #

      acho que este ano estamos na fase de aprender essas coisas =)

  3. Denise March 25, 2011 at 8:24 pm #

    Eu tenho um celular desses aí da sua mãe e bem feliz e contente. Nunca quis celular chique pq é alvo de ladrões e tb dá muito trabalho na vida. Uma das coisas que ‘aprendi com você’ nestes anos todos de blog é que uma das maravilhas deste mundo é ficar desconectada – seja de telefone, seja na internet. O mundo simplesmente continua andando.

    Ah! E a revolta dos eletrônicos nos pegou também, mas foi primeiro a máquina de lavar, depois o ferro, seguido do liquidificador. Karma de eletrônicos!

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