Perigo constante

15 Feb

Duas coisas  que eu deveria fazer aos 33: dirigir e comer usando hashi (não ao mesmo tempo). Mas simplesmente não consigo, ou melhor, não consigo fazer com a mesma habilidade que a maioria das pessoas.

Tenho alguns problemas com técnicas manuais/corporais. Por isso nunca fui muito afeita às atividades artesanais, exceto as obrigatórias no jardim de infância – que, a bem da verdade, só serviam pra verificar se estava tudo bem com meu desenvolvimento psicomotor. Fora isso, ladeira abaixo: já quebrei pé, dedinho do pé, dedo da mão, lesionei o menisco do joelho direito durante um carnaval (prova de que também não nasci pra sambar).

A questão de dirigir é um tanto complexa. Quando estava no auge da vontade de dirigir, fazendo auto-escola e tudo mais, não tinha carro. Minha mãe tinha mas me deixava, muito raramente, treinar o suficiente para passar no exame do Detran. Deu certo. Tirei a carteira logo no primeiro teste. Depois disso foi uma dificuldade convencer a dona do carro a apenas largá-lo nas mãos de uma pós-adolescente em êxtase com a recém-conquistada CNH. Também nunca pedi um carro, de modo que os anos foram passando e eu continuei andando de ônibus, táxi ou carona – cada ocasião, um meio de locomoção.

A vontade de dirigir passou e se é verdade que quando ficamos mais velhos, ficamos mais cagões responsáveis, tá tudo explicado. Assumir a direção de um carro virou um sofrimento. O coração dispara, as mãos suam e as sobrancelhas se encolhem instantaneamente. Sempre acho que o motor vai morrer na hora em que o sinal abre, que o carro de trás vai me dar um xingão, passar por cima de mim e buzinar por um quilômetro, praguejando contra a laia de maus motoristas. Para dirigir, minha situação ideal seria uma cidade deserta. Somente eu e meu carro. Como esse lugar não existe, vou fazendo as aulas práticas em finais de semana. Teoricamente, é quando tem menos movimento nas ruas. Na prática, é quando todos os maus motoristas se reúnem – aqueles que ocupam duas pistas, aqueles que dirigem lentamente, aqueles com pouca prática. E aqueles como eu, que são um combo disso tudo.

Mas 2011 é o ano de ousar, de encarar desafios (li isso em algum lugar). Decidi que desse ano não passa: vou dirigir meu próprio carro nem que isso me custe mais duas dezenas de fios de cabelo branco. Resultado? Já fui até a Praça da Espanha, enfrentando a malemolência dos motoristas procurando vagas e dividindo a rua com senhorinhas que não olham antes de atravessar. No último domingo dirigi escoltada até o bairro Cachoeira (procure no Google maps, é longe!), na mesma rua em que circulam, além de carros, motos e ônibus. Vitória!

Próxima meta: sair da rampa da garagem sem deixar o carro deslizar ladeira abaixo. A outra é aprender a usar o hashi. Mas fica pra outro dia.

Um abraço pro Sr. Forte e sua imensa demonstração de  coragem amor  ao ficar no banco do passageiro enquanto estou ao volante.

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17 Responses to “Perigo constante”

  1. Tiago February 15, 2011 at 4:59 pm #

    O Diego é pura adrenalina.

  2. Paula Schutze February 15, 2011 at 5:05 pm #

    que nada… é pura ousadia.

  3. hellen February 15, 2011 at 5:15 pm #

    Eu, como escoltadora oficial, achei que vc foi muito ousada e muito bem na sua prova contra o medo! Nota 10!

  4. Paula Schutze February 15, 2011 at 5:44 pm #

    no aniversário de 2 anos do rafa eu prometo q vou pisar mais no acelerador!

  5. Cissa February 15, 2011 at 6:14 pm #

    Ah, menina! Medo nós todas temos e me incluo nesse grupo de gente que tirou a carteira e nunca mais dirigiu. Andei pilotando algumas vezes em Rio Negrinho e diante das ruas vazias e calmas, consegui guardar uma pequena parte do medo (a outra eu joguei pela janela). O esquema é bem esse: pegar o carro e sair dirigindo!! Uma hora o medo passa e o que fica é só o som da risada de orgulho!

    • Paula Schutze February 15, 2011 at 6:51 pm #

      rio negrinho é um desafio! com tanta ladeira e poeira… hehehe

  6. Caminhante February 15, 2011 at 7:15 pm #

    Eu nem tirei a carteira. Me faltava dinheiro. Não que agora sobre, mas a vontade sumiu. Já me falaram que eu tenho que tirar pras emergências… mas eu fico uma pilha, sou a primeira a surtar. Se preciso levar alguém por hospital, aproveitamos e ficamos todos por causa do acidente.

    Eu sei usar hashi. Mas agora sou intolerante à peixe cru e isso não me serve de nada. ô vida.

    • Paula Schutze February 15, 2011 at 7:18 pm #

      se já é difícil dirigir sem compromisso, imagina numa emergência…

  7. Pra Esquecer o Benedito February 15, 2011 at 7:50 pm #

    Paula, esse post eu precisava comentar, pois me identifiquei demais com ele. No meu caso, aos 26 anos eu ainda não tinha criado vergonha na cara nem para ir à autoescola me matricular. Mas, com a mesma linha de raciocínio que a sua, cheguei à conclusão de que de 2011 não passava. Agora, já nas aulas práticas, descobri que sou uma negação para o volante… e o pior, como moro só com minha filha de 10 anos(e ela nao tem carro!), não terei como praticar fora da autoescola. Sabe-se lá o que acontecerá no Detran. Boa sorte a você e a todos os outros que nos encontrem no caminho.

    Abraços,
    Virgínia Magalhães

    • Paula Schutze February 15, 2011 at 8:07 pm #

      daqui a pouco a gente fecha uma van só com mulheres aprendendo a dirigir e vamos apavorar curitiba! hehehe

  8. Suemi February 15, 2011 at 8:08 pm #

    Paula, eu acho que a terapia do choque funciona mesmo.
    Na minha época de CNH provisória tive que dirigir pela primeira vez na estrada, de noite, com o carro de outra pessoa, 1.0, subindo a serra… tudo isso no susto porque a dona do carro ficou doente e não se sentia bem para dirigir. E quem estava no banco do passageiro?!? O sr. Floppy! Que passou a viagem inteira cantando e batucando Alceu Valença(???)!! Será que ele se lembra disso?
    Hoje, até dirijo na Marginal na hora do rush! hahaha
    Sorte para você!

    • Paula Schutze February 15, 2011 at 8:09 pm #

      Hahahaha Valeu, Su! vou lembrar o Floppy disso, quem sabe ele abandona a forma de estátua quando estiver do meu lado!

  9. Diego February 16, 2011 at 1:13 am #

    Pô, Su! Eu nem lembrava mais disso! É verdade, foi tenso, né? Haja batuque pra passar! Hehehehe!
    Vidal, é vida lôka, véi! Ha-ha

  10. Nadja G. February 16, 2011 at 2:41 am #

    Cara, eu sou o contrario… amo dirigir. So nao curto tanto dirigir em Buenos Aires, porque aqui o transito esta entre o carioca e o animalesco. Seta? Pra que? Olhar no retrovisor? Ocupar apenas uma pista? respeitar semaforos e leis de transito? Bobaaaagem aqui em Buenos! hahaha Boa sorte e que vc perca o medo!

    • Paula Schutze February 16, 2011 at 11:55 am #

      quem sabe o dia q eu pegar prática eu também goste né Nadja? mas daí a encarar o trânsito de outras cidades grandes… vai uns 10 anos. só na casa dos 40 hahaha

  11. Carina Cardoso February 24, 2011 at 2:26 pm #

    Opa, eu estou praticando também. No domingo voltei da casa dos pais do Marco até a nossa(Jardim das Américas pro Centro, pela Avenida das Torres!). E ontem voltei a noite e com chuva lá do Santa Cândida… Tudo bem que fiz uma curva muito fechada ali na Marechal e deixei uma lasca do pneu por lá, mas tô criando coragem. =)

    • Paula Schutze February 24, 2011 at 2:39 pm #

      adoro saber que não estou sozinha na empreitada. to quase pensando em montar um grupo de auto-ajuda. hahaha

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