O hype é ser rude

15 Oct

Acho que já falei 547.364 vezes aqui que eu não acho mais que rabugice é uma coisa bonita. Concordo que todo mundo tem do que reclamar, que uma reclamaçãozinha aqui e outra ali faz parte da vida e até alivia. Mas agora parece que reclamar é chique. Falar mal is the new black.

Vejam: geral saiu falando mal do SWU. Neste caso, entendo por “geral” os blogueiros enviados pelos principais portais para fazer a cobertura do festival. Não sei se são jornalistas – e se são, sem demérito da classe blogueira, da qual inclusive faço parte, estão mais para escritores de blog do que para formados em jornalismo, função que exige domínio da língua portuguesa.

O que observei nos “grandes portais” foi uma sucessão de posts ruins, mal editados e com erros crassos de português. Desculpa: uma coisa é eu cometer um errinho aqui no meu blog, lido diariamente por 64 pessoas. Outra coisa é você escrever “paralizar” no blog do Estadão, da Folha, do Uol ou do Diabo QTC.

Pelos poucos relatos verídicos a que tive acesso (entenda por verídicos os relatos das pessoas normais, como a gente, que estiveram no SWU) as coisas não estavam tão ruins assim. Não é de se estranhar que num festival com 150 mil pessoas houvesse fila para alguma coisa, xixi ao ar livre e banho de 7 minutos. Também não é de se admirar que um cachorro quente custasse 8 reais. Quem não tinha dinheiro pra pagar 8 reais num dogão tirou daonde a grana preta pra comprar ingresso?

Agora vamos aos fatos. Uma das bandas mais malhadas foi o Kings of Leon, considerada uma das principais atrações do festival SWU. Não vou simplesmente sair em defesa da banda (eu não ganharia nada por isso, afinal) e já disse aqui que o KOL nunca me conquistou assim, de primeira. Mas geral acha que, só porque Use Somebody foi parar no rádio, a banda agora é pop. Geral pagou uma grana pra passar friaca numa fazenda, tomando banho de 7 minutos e pagando 8 reais num cachorro-quente. E aí fica frustrada porque a “promessa” da noite subiu ao palco, tocou lá suas vinte músicas e foi só isso. Eu acho que uma banda não pode ser culpada pela burrice alheia. O festival não era um festival indie, muito menos um festival para músicos, apreciadores da arte e entendidos do assunto. O SWU era uma junção de bandas para todos os gostos. Um festival ECLÉTICO. E quem me conhece sabe o que eu penso de ecléticos: quem gosta de tudo não gosta de nada.

Eu achei o show do Kings of Leon fodaço. Verdade que o ambiente me favoreceu: eu estava no sofá da minha casa, jantando comida boa e com acesso livre ao banheiro. Eu vi a banda de perto, ao contrário de quem estava lá e assistiu umas formiguinhas num palco longínquo tentando agradar uma multidão que, em essência, era eclética. Tentando agradar uma galera que poucas horas antes tinha pulado ao som de Jota Quest, cantando “Na Moral” em alto e bom som.

Eu achei o show do Kings of Leon fodaço², achei os vocais impecáveis (o cara tem aquele gogó mesmo, não é produção de estúdio que faz a diferença), os caras tocam pra caralho. Mas não, né? Eles precisam, além de tudo, ser simpáticos. Porque a galera comprou ingresso pra fazer festa e ver simpatia, e não pra ver bandas boas fazendo aquilo que elas fazem bem. É isso aí, gente, show bom deve ter sido o do…


Atenção atenção! Macacada reunida…

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6 Responses to “O hype é ser rude”

  1. Túlio October 15, 2010 at 9:54 pm #

    aquela velha linha famosa que separa várias coisas, inclusive a falta de educação da personalidade forte. Sempre acabam confundindo isso e virou bonito ser grosso e rude.

  2. Cissa October 15, 2010 at 10:01 pm #

    O fato é que a geral adora jogar pedra em tudo. Já fui em shows de bandas consagradas no cenário do rock como Deep Purple, Joe Satriani, Yngwie Malmsteen. Todos têm defeitos, qualidades e, principalmente, estão sujeitos mais ao ambiente e à organização do show que às músicas que foram tocar. Bandas de “abertura” ou “companheiras” de um dia de show sempre são tiro no escuro, afinal, misturam-se gregos e troianos.
    Agora, quem vai para um festival em uma “fazenda” achando que vai ter conforto, merece mais é pedrada mesmo! Quanto à cobertura, te digo: faz tempo que não vejo um jornalista com bom português!

  3. Marlon October 16, 2010 at 12:26 pm #

    com certeza tem coisas que de casa são muito melhores!
    ponto pros caseiros!

  4. Marcelo October 18, 2010 at 4:02 pm #

    Na boa, sou um dos “comuns” que estava lá…com relação aos shows, as bandas realmente mandaram bem (ao menos as que eu queria ver) e tirando um ou outro problema com som, ou problema de equalização ou som vazando de um palco pro outro, mas isso no brasil é sempre corriqueiro…

    Agora a infraestutura estava terrível:
    – pra entrar, um número limitadíssimo de catracas pra quantidade de pessoas, resultando 1:30 na fila. Isso fora duas revistas (a primeira não era confiável???)

    – Faltaram áreas de descanso…o jeito era sentar ou deitar na grama;

    – Acesso confuso mesmo pra quem foi de carro…estacionamentos a preços absurdos, sem sinalização, e com UMA única via de acesso. Pensem na quantidade de pessoas que tinham lá e visualizem o engarrafamento;

    – Pra quem foi de ônibus, confusão geral no primeiro dia e não sei se nos outros correu tudo bem;

    – Justificar que pra quem paga 100 R$ no ingresso um espetinho com 4 pedaços de carne por 6 R$ é justo é no mínimo sem noção. Ao menos se pudesse entrar com comida…

    – Escalação non-sense…como assim colocaram yo la tengo antes de banda pra moleque? pirralhada geral atrapalhando o show, fora o tempo curtíssimo de apresentação…mas aí sei lá, vai que foi na hora de fechar contrato com o yo la tengo que rolou somente esse horário mesmo.

    – E a p*##@ da pista vip/premium…acabou o lance de que quem é fã chega cedo…agora quem é fã precisa se virar pra pagar os tubos de dinheiro pra ficar mais perto do palco.

    – Papo verde eco-chato…hipocrisia ao extremo…todo gás carbônico que foi gerado no deslocamento até itu n deve cobrir o que foi economizado de lixo e energia…antes fosse em algum lugar em sp com acesso de metrô.

    Enfim, é bom pro Brasil começar a ter festivais desse porte, mas tem muuuuuuito o que aprender ainda antes dos organizadores saírem falando que é um dos maiores festivais do mundo.

    • Paula Schutze October 18, 2010 at 7:12 pm #

      Valeu pelo relato, Marcelo, sempre bom saber a versão de quem realmente esteve lá!

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  1. Tweets that mention O hype é ser rude « Casa dos Trinta -- Topsy.com - October 15, 2010

    […] This post was mentioned on Twitter by Paula Schütze, Melhor Calada. Melhor Calada said: RT @schutze: KOL, SWU, PQP e outras siglas: https://casadostrinta.wordpress.com/2010/10/15/o-hype-e-ser-rude/ […]

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