o amor que não existe

7 Apr

há alguns dias atrás, a menina que parece uma boneca, 12 anos mais jovem que eu, afirmou com convicção:
– ele é o amor da minha vida.

cruel, mas realista, respondi: não, ele não é.

por que não?

passamos muito tempo da vida encontrando o amor nas pessoas erradas. por conta disso, ouvimos todos aqueles clichês de término (ou descomeço) de relações. você é a pessoa certa na hora errada. não quero me envolver agora, não é uma boa hora. preciso de tempo. preciso de espaço. somos muito diferentes. somos parecidos demais. este final de semana não posso. acabei de sair de um relacionamento conturbado. não é você, sou eu. estou ocupada. passa outra hora. liga amanhã. você tira minha concentração, preciso te evitar. é mais forte que eu. foi bom enquanto durou. tinha que ser com você.

não sou a dona da verdade. a experiência que tenho, que também não é lá grande coisa, é resultado de muitas decepções, noites em claro, lágrimas, manhãs de olhos inchados, esperanças e frustrações. e, que bom!, tudo isso serviu de base pra entender que relacionamentos certos não são construídos da noite pro dia, que os melhores casais não são os mais perfeitos. serviu pra mostrar que “feitos um para o outro” significa muito mais do que uma simples combinação de interesses, momentos e gostos.

ainda assim, parece fácil encontrar o “amor da minha vida” tão cedo. quando ainda não ouvimos todos os clichês; quando ainda não conhecemos as pessoas que vão nos ensinar, a duras penas e muito lenço de papel, que o amor-da-minha-vida não apareceu, não era você.

há um único clichê que não deve ser ignorado, e é aquele que diz que a pessoa certa aparece quando menos esperamos. nesse clichê também mora um dos nossos maiores erros: passamos a maior parte da vida esperando.

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5 Responses to “o amor que não existe”

  1. Carolina April 8, 2010 at 12:40 pm #

    Nossa acho que nunca li um texto que retrata tão bem a busca sobre o “amor da nossa vida”, quando é escrito por pessoas que já passaram por isso acaba tendo um sentido diferente né???

    eu acredito que o ser humano sempre vai buscar, os relacionamentos vão acabar e outros vão recomeçar e cabe a n[os se permitir e amar e sofrer em cada um deles pra ter a certeza de que valeu a pena.

    Beijos!

  2. Deni April 9, 2010 at 9:39 pm #

    ah, como pensamos tanta bobeira,né?
    eu também achei que tinha encontrado ‘o amor da minha vida’ no começo da ‘casa dos vinte’… não foi bem como eu imaginava…
    nunca pensei que fosse verdade, mas fez bem sofrer. e ainda, vivo um relacionamento saudável e de crescimento diário, cogitando (sim!) a possibilidade de viver algo completamente diferente quando tiver 50 anos… a gente pouco sabe do amanhã. e da pessoa que a gente vai se tornar amanhã.

  3. April 15, 2010 at 8:09 pm #

    Sensacional esse post Paula, to com vontade de imprimir e dar pra minha colega de trabalho de 18 anos que acabou de conhecer “o amor da sua vida” e vai se casar dentro de alguns meses. Doideira, né? Mal sabe o que ela vai pensar do “amor” dela daqui a 10, 12 anos!! Se ela soubesse como a cabeça da gente muda, evolui…

  4. d. April 23, 2010 at 12:29 am #

    te amo todo dia, paulinha!
    beijos!

  5. janagarcia April 29, 2010 at 3:22 pm #

    é incrível como a verdade pode ser dita de maneira simples sem ser, necessariamente, implacável.
    mas o tempo é receita pra isso tudo, não? não o tempo da passividade, claro. enfim, delícia de post.

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