post scriptum

21 Oct

agora que o tipos vai fechar, chegou a hora da grande revelação. eu era Júlia Harris – “Júlia Harris contém glúten”. poucos lembrar-se-ão dela, pois J.H. fez uma passagem curta (porém estrondosa) pelas páginas do Tipos. salvando os arquivos, deparei-me com pérolas hilariantes que me deram saudades dos tempos em que eu tinha mais criatividade para ser irônica. acho que a idade afetou essa minha veia. então fiquei aqui, relendo o Contém Glúten, e resolvi publicar alguns textos na casa dos trinta, já que eles são de minha autoria mesmo.

vou começar com este publicado em 27/08/07, com o nome gracinha de “receita para não perder a poesia do amor”. espero que divirtam-se.

A tal da intimidade. Me diz o que você acha dela. Você vai dizer que acha bonito e que faz parte das relações, mas vai dizer isso porque está pensando de maneira superficial. Pensando num Homem lindo acordando só de cueca ao seu lado numa manhã cinza de domingo. Vai dizer que intimidade é bonita porque só te vem à cabeça a imagem do cobertor dividido, do travesseiro que ficou com perfume de alguém. A sua própria imagem de cabelos pingando diante do espelho, enrolada na toalha enquanto o Homem lindo assiste tevê estendido no sofá da sua sala.

Se intimidade fosse só essa coisa bonita a gente podia morar em casas de vidro. Mas não, e não é à toa que nossas paredes são de tijolos, tem coisas que precisam ficar escondidas mesmo.

Por exemplo, eu sempre penso como vai ser a vida quando eu me casar. Ainda nem sei se um dia vou casar, mas já sofro por antecipação. Xixi de porta aberta nunca mais. Nem aquele punzinho inofensivo debaixo das cobertas no meio da madrugada. Arrotar só se for baixinho, tomando cuidado pra o Homem não perceber. Esqueça aquele arroto gostoso depois de um belo gole de coca-cola.

Número dois? Só se for no banheiro de visitas e com o chuveiro ligado, que assim o seu Homem só vai escutar o barulho da água correndo. Dia de dor-de-barriga vai ser um inferno mesmo.

É meio que uma obrigação de preservar a poesia do amor, coisa que já é tão difícil por natureza. Daquele começo lindo geralmente sobra só o sentimento, que é o que nos leva pra frente mesmo. Dividimos tanta coisa vivendo em casal, tanta coisa chata, não faz mal preservar um restinho de intimidade desnecessária.

Abrir mão dos pequenos prazeres escatológicos em nome do amor deve dar trabalho. Mas é um trabalho que vale à pena – eu acho. Tem gente por aí que diz que não liga, mas eu particularmente fico brocha só de pensar no Homem lindo acocorado no vaso se concentrando pra fazer cocô. No meu mundo cor-de-rosa as pessoas não fazem cocô e pronto. E se fazem, eu não preciso ver. Prefiro acreditar que aquela bundinha linda existe só para decorar cueca boxer mesmo.

Fim.

Em breve novos posts de Júlia Harris, agora a.k.a. Paula Schütze

Advertisements

2 Responses to “post scriptum”

  1. gibedendo October 21, 2009 at 7:56 pm #

    Hehe.. eu e muuuita gente no Tipos sabíamos que era você!
    Beijos

  2. Natasha November 7, 2009 at 4:37 pm #

    Eu tbm penso tanto nessas questões… kkkkkkkkkk

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: