another come back.

4 Aug

por alguma razão desconhecida (seria genética? ou bobice pura?) sempre fui meio otimista idiota, daquelas que empurram os problemas com a barriga só por acreditar que no final dá tudo certo. na verdade, poderia trocar a palavra “otimista” por “comodista”. água mole em pedra dura, mexer em time que tá ganhando, enfim: uma gama enorme de clichês aos quais a gente se apega quando não quer sair da zona de conforto.

há 3 anos resolvi sair da zona de conforto conhecida como “casa da mamãe”. aquela coisa: mulher beirando os trinta querendo uma vida pra chamar de sua. e foi assim que começou. com altos e baixos, as coisas foram acontecendo. com muito apoio, muitas pessoas por perto. o apê que parecia uma república universitária de uma pessoa só hoje já está tão diferente, mais parecido com uma casa – ainda que pequenina, uma casa. e nesse meio tempo, a casa de uma pessoa só também passou a ser a casa de duas pessoas. talvez isso jamais tivesse acontecido se há 3 anos eu não tivesse coragem de admitir que estava grande demais para caber em uma casa de mãe. entre erros e acertos, fui construindo uma vida que é minha, que depois passou a ser nossa. uma vida diferente do que eu imaginei, mas certamente muito mais feliz do que eu acreditaria há tempos atrás. sempre achei que felicidade fosse um kit completo de coisas, hoje vejo que parceria e cumplicidade são capazes de mover montanhas.

e cá estou eu, 3 anos depois, com a zona de conforto se desmantelando diante dos meus olhos assustados e marejados. como fazer tanta coisa acontecer dentro de tão pouco tempo? noites sem dormir, conversas difíceis e, de novo, a promessa de um brand new start. começo a pensar em lugares, vistas, trilha sonora, caixas, dinheiro, tanta coisa pra arrumar, tanta coisa pra resolver.

|pausa: tô lendo um livro ótimo do david gilmour. o filho de david está sofrendo por conta de uma separação e o pai começa a se lembrar de separações dolorosas e de como depois de algum tempo certas coisas deixam de doer, indo para aquilo que chamamos de passado. “se eu pudesse fazer Jesse fechar os olhos e pular esses meses de dor e acordar quando sua maior preocupação girasse em torno de coisas como preciso fazer uma cópia da chave de casa (…)|

e é isso que acontece. a zona de conforto se desfaz, sempre. às vezes porque queremos sair dela, às vezes porque ela quer sair da gente. saímos, mudamos, e começa tudo de novo… só que diferente. e é aqui que eu volto ao exato começo desse texto. no final tudo dá certo. e isso é o que importa.

|ouvindo we were promised jetpacks – conductor|
Cause I’m a conductor
A simple conductor
With electricity just
Pouring through me

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4 Responses to “another come back.”

  1. Túlio August 4, 2009 at 3:10 pm #

    se ainda nao deu certo é pq ainda não chegou o final

  2. Denise August 4, 2009 at 3:33 pm #

    Mudar é foda, mas é sempre bom. Neste ano perdi um emprego que gostava marromeno, mudei de uma república bagunçada pra uma casa só minha, namoro um cara fantástico, tenho 2 empregos legais. Tudo isso é muito bom, mas não quer dizer que eu não sofri até aqui… e a vida é assim, vamos acumulando experiências, vivendo, às vezes fazendo os dias passarem… aquela sabedoria de auto-ajuda, tá ligada?
    beijo

  3. rafaela August 4, 2009 at 3:41 pm #

    já diria o shakespeare, né túlio? NOT!

  4. giovani iemini August 4, 2009 at 7:57 pm #

    bem escrito!

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