coisas básicas que as pessoas menosprezam.

16 Jun

(ou: 10 possíveis razões pelas quais continuamos sozinhos)

1. o acaso
é, você não acredita em acaso. aquela história de não ir até a padaria de sandália croc peluda porque o homem da sua vida pode estar lá, na fila do pãozinho, parece conversa pra boi dormir. não acreditamos em acaso, saímos de casa sempre nas condições que impomos até que um belo dia um raparigo puxa conversa na fila do açougue. você volta pra casa se odiando por não ter lavado o cabelo na noite anterior e agora ele está grudado na cabeça feito papel contact. o raparigo volta pra casa pensando que você seria interessante se fosse mais limpinha. moral da história: todo encontro não agendado é um acaso. portanto, merece que você esteja sempre linda e cheirosa.

2. o tempo
você acha que pode esperar. fato. todo mundo, em algum momento da vida movido por uma paixonite doentia, achou que podia esperar. podia esperar o cara terminar um namoro enrolado de 5 anos. podia esperar o cara fazer uma viagem de auto-conhecimento à sibéria com duração de 3 anos. podia esperar ele se decidir, perder medo de relacionamentos, perder a empolgação com baladas frequentes. a gente sempre acha que pode esperar. menosprezamos a lei da atração. e se nesse meio tempo, na fila do açougue, você encontrar alguém interessantérrimo? “oi, você pode aparecer aqui daqui a uns 4 anos, quando meu prometido voltar do alasca?”.

3. o futuro
você não vai ligar pro cara porque o passado dele é negro. ele nunca parou em um emprego, levou fora das sete namoradas que teve desde os quinze anos, saiu e voltou pra casa da mãe três vezes, bateu dois carros. gastava rios de dinheiro frequentando micaretas e montava touro na festa do peão de barretos. das sete namoradas, cinco eram mais saradas, mais loiras e mais vadias que você. passado negro todo mundo tem, em escala maior ou menor de valetagem. mas todo mundo – ou quase todo mundo – um dia cresce, amadurece e vira um ser humano distinto. considere a possibilidade da sua cara-metade ter um passado negro e um futuro platinado ao seu lado. há!

4. a palavra “sim”
isso vai soar meio filme do jim carrey, mas… pense em todos os convites recusados por preguiça, desinteresse ou pura conveniência. sim, é preciso muita coragem para sair de casa numa sexta-feira gélida de junho e ir num aniversário de um semi-colega de firma. principalmente se for num lugar esfumaçado onde vende kagaiser e toca música de péssima qualidade. então assuma que a coisa mais parecida com um encontro será a rápida visita do entregador de pizza. e que entregadores de pizza só são o patrick dempsey em filmes da década de 80 (e ainda assim ele caiu no limbo antes de ressuscitar como o Dr. Shepherd). portanto… diga sim! sim para convites suspeitos e festas inofensivas – e não esqueça do item 1. lave os cabelos e passe gilete nas pernas… e onde mais se fizer necessário.

5. o asseamento
graças ao bom senhor da cosmética de varejo, hoje em dia homens e mulheres estão mais asseados do que nos tempos da minha vó. ainda assim, há quem menospreze a energia revigorante de um banho diário e o poder de atratividade do perfume e da pasta de dente. pois bem, voltando ao item 1: não há acaso ou encontro que resista a maus hábitos de higiente, gente. ninguém quer beijar dentes encracados. nenhum galalau vai tirar os nós de um cabelo que não vê uma escova há três quinzenas. e digo mais: você só assume as olheiras onipresentes depois de muito tempo de relacionamento. me desculpem os porquinhos de plantão, mas limpeza é que é fundamental.

6. a lábia
nada melhor do que um bom papo-furado pra rolar um encantamento mútuo. portanto, pense sempre em todas as coisas boas que você já viu, ouviu, leu, conheceu e faça uma seleção “the best of my life”. caso não tenha uma, invente (lábia profissional). qualquer coisa – até mesmo uma mentira – é mais interessante do que falar/ouvir sobre calcanhar rachado, frieiras, bico de papagaio e refluxo. doenças e escatologias não são bem-vindas em táticas de aproximação.

7. a bebida
sim. todo mundo já deu uns pegas arrependíveis sob efeito de álcool. todo mundo já fez coisa que não devia quando bêbado, tipo contar a um ilustre desconhecido sobre como coçam as brotejas na dobra do joelho. mas também tem a máxima que ouvi esses dias, “a bebida entra e a verdade sai”. às vezes o cara é tímido, você está meio sem jeito e um drink a mais pode ser o responsável pelo empurrãozinho final. verdade que este item é meio perigoso – a linha entre ser um bêbado engraçado e um loser vomitando no banheiro é tênue caso você não conheça seus próprios limites. mas tudo bem, né? aqui estamos falando de pessoas sensatas, asseadas e boas de papo.

8. o sexo casual
não vou pra cama no primeiro encontro. ou vou dar logo de cara porque pode ser a única chance. eis alguns dos deslizes cometidos durante a fase avulsa do ser humano: menosprezar a relevância do sexo casual. alguém me mostre onde está escrito que sexo casual uma vez será sexo casual pra sempre. como dizia um amigo meu… “sexo é igual pizza, até quando é ruim é bom”.

9. a experiência alheia
seus amigos e amigas já dividiram uma porção de histórias com você. por meio deles, você aprendeu muitas lições sem precisar sentir certas coisas na própria pele. então, pra quê tanta teimosia?

10. a nossa própria experiência

certas coisas nós sentimos na pele. a dor da indiferença, o sofrimento de uma separação, as borboletas no estômago e tantas outras sensações mágicas. assim vamos desenvolvendo nosso sexto sentido, nosso próprio feeling. e daí funciona assim: você olha uma coisa, sabe que é uma grande cagada. como aquele cara maravilhoso e ultra picareta que te abandonou no posto de conveniência enquanto você foi fazer xixi. mas um belo dia, tomada por um impulso idiótico, você topa ir pro motel só mais uma vez. o mesmo cara, dois meses e quatro postos de conveniência depois. daqui a pouco está lá, outra vez sozinha em casa gastando maços de lenço kleenex enquanto sua consciência apita: eu te disse sua trouxa. mas o ser humano é um bicho burro, um dos seus piores hábitos é ignorar o próprio conhecimento acerca das coisas.

pronto. acho que já posso escrever livros de auto-ajuda 🙂

|dedicado aos meus amigos e amigas lindos, sensatos, asseados, divertidos e sem perebas no calcanhar|

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