sobre ouriços e lágrimas.

29 Jan

“é preciso viver com essa certeza de que envelheceremos e não será bonito, nem bom, nem alegre. e pensar que agora é que importa: construir agora, alguma coisa, a qualquer preço, com todas as nossas forças”. (Paloma Josse em A Elegância do Ouriço, p. 138)

terminei. tempo recorde, faça as contas: mais de 300 páginas, menos de 4 dias. há tempos uma leitura não me prendia tanto, provavelmente porque há tempos eu não me deixava prender por elas. o que importa é que a elegância do ouriço valeu a pena. linha após linha nessas noites quentes e chuvosas de curitiba, com a janela aberta, um copo de chá e a tevê (enfim) desligada.

e chorei no final. começou na página trezentos e pouco, os olhos encheram de lágrimas e a cada linha eles enchiam mais e mais até que a primeira lágrima saltou dos olhos direto para a palavra “camélias” . segui lendo e virando as páginas com todas aquelas constatações óbvias e belíssimas sobre tudo o que somos e tudo o que não seremos e as lágrimas continuaram saltando e escorrendo e de repente eram muitas delas e depois do primeiro soluço não teve mais jeito.

e me pus a pensar por quanta coisa – e quanta gente – já chorei nessa vida e nenhuma lágrima pareceu fazer muito sentido diante destas. havia um motivo para elas existirem, um único e simples motivo. e não, não era o final do livro (tenho pelo menos mais dois novinhos me esperando na estante). era a verdade nua e crua que acabava de cair sobre a minha cabeça e todas as minhas crenças e todos os meus achismos e todas as minhas certezas e todas as minhas emoções. a verdade é que somos naturalmente tão pequenos, tão mínimos, tão ínfimos, somos todos tão sra. michels, sempre nos escondendo ao mesmo tempo em que desejamos ser tão maiores.

reneé michels é zeladora, tem 54 anos e passou a vida toda se escondendo, frustrada por não poder nem fazer nem mostrar tudo aquilo que gostaria. paula schütze vai fazer 32 e todos os dias sente-se profundamente frustrada por não ter se adaptado a tantas coisas da vida: o mundo corporativo, as amizades passageiras e o inútil umbiguismo alheio. tremenda perda de tempo, frustrar-se por causa dos outros. faz parecer que vivo a minha vida num reles piloto automático…

enfim. recomendadíssimo X 2, leiam. e chorem por favor, porque de vez em quando é bom deixar vir à tona para lavar a alma.

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3 Responses to “sobre ouriços e lágrimas.”

  1. andreia January 29, 2009 at 11:47 pm #

    ah, vai ter que me emprestar heim…rs. Fazemos uma troca, tem um aqui que é sua cara. beijos.

  2. Jacqueline Witthoeft February 2, 2009 at 3:50 pm #

    Essa é a Paula da Casa dos Trinta.
    Fazia tempo que não te via assim!
    Me inspirou!
    Beijos querida!

  3. Kelly February 6, 2009 at 9:33 pm #

    Só por essa frase já vi que o livro é bom mesmo! Droga! Pq todo recado vira dois?

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