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O último beijo

13 Mar

Um beijo não substitui o outro. O último beijo não apaga o primeiro. E o próximo também não vai apagar aquele último. O último beijo é inconsciente: você não sabe que ele está acontecendo. Se soubesse teria aproveitado mais. Feito diferente. O último beijo teria sido mais longo, o abraço teria sido mais longo, aquele mísero instante que antecede o beijo teria sido mais longo. Pra valer cada lágrima que veio depois, cada noite em claro, cada palavra contida.

Eu acredito que a dor do coração partido é, em boa parte, a dor do último beijo. Do gosto e do cheiro que você não vai mais sentir. Entre tantas coisas perdidas quando alguém vai embora, o último beijo é o que dói mais. Afinal, quem sabe que ele é o último? Quando o carro dobrou a esquina, quando o avião decolou, quando a porta fechou. Era o último beijo e ninguém te avisou…


p.s. caros e fieis leitores… tem uma página da Casa dos Trinta no Facebook pra você curtir! Aqui, ó.

Amor moderno em tempos de cólera

25 Apr

Tenho pensado muito nos “porquês” da vida, se existe algum sentido nisso tudo, especialmente nas relações. Não somos só cada vez mais escravos da tecnologia, nos tornamos escravos de nossas verdades absolutas e, o que antes nos aproximava uns dos outros (afinidade, amor) já não é mais suficiente. Não adianta você gostar de alguém: você precisa provar, e essa prova só será aceita se ficar dentro do quadrado que a outra pessoa considera válido.  A amizade e suas nuances, suas peculiaridades, aquelas coisas que fazem você gostar da pessoa pelo que ela é, nada disso é suficiente: você não pode falhar.

Relações ficaram descartáveis e isso ainda é esquisito para mim. Sinto, sofro, demoro a me recompor. Sinto falta até hoje de amigos que não estão mais aqui há anos, seja pela distância, pela mudança de planos ou por coisas chatas da vida. Todos deixaram lacunas que nunca foram preenchidas (e nem serão). Sinto falta das coisas que SÓ ELES faziam, e não das coisas que eles “nunca teriam feito”. Lembro de risadas, de segredos divididos, de situações malucas, de conversas e de silêncios. Mas acima de tudo lembro que me amavam à sua maneira – e esse amor, mais dia menos dia, acaba fazendo falta.

Deixar de amar dói, mas a essa altura da vida a gente já sabe que não é assim uma missão impossível.do tumblr LoveQuotesRus

Para abrir, corte aqui.

13 Apr

Sonho de consumo da semana: uma ilha para abrigar todos os idiotas. Sonho impossível, claro, pois como um amigo comentou, uma ilha é pouco – precisaríamos de um continente. Ou de um planeta inteiro.

Uma das inúmeras coisas que aprendi com o passar dos anos é que sacanear os outros não me leva a lugar nenhum. Sabe aquele tipo de pessoa que, para tirar o seu da reta, coloca outro indivíduo na pista? Sim, claro que você sabe, conhece vários e talvez até tenha sido um deles em algum momento da vida. Não tem a ver com criação, dinheiro, estudo, esperteza, cultura, é apenas uma dificuldade crônica em lidar com problemas da vida adulta.

Nos últimos dias fui surpreendida por uma enxurrada de decepções. Vindas de pessoas próximas, pelas quais eu nutria admiração, amizade, amor. E acima disso tudo, respeito. A Paula Schütze pacata costuma relevar um monte de coisa em nome da “parte boa” que todo mundo tem. Lição da semana: a parte boa de algumas pessoas fica pequena, muito pequena, quando elas são estimuladas por seus próprios egos a agir de forma estúpida e gratuita.

No olho do furacão eu poderia ter tido as piores reações. Chorar, questionar, discutir, responder na mesma moeda. Nada disso resolveria. Na hora, pode ser um alívio: gritar, espernear, culpar alguém. Mas depois sobraria a mesma coisa que sinto agora. Tristeza. Somente isso. Já fiquei triste outras vezes. E sei que só o tempo diminui essa sensação.

“Todas essas buscas, todos esses mundos… Podemos ser tão semelhantes e viver em universos tão distantes? É possível que partilhemos o mesmo frenesi, nós que não somos do mesmo solo nem do mesmo sangue e da mesma ambição?”

Os críticos apontam problemas.

Os inteligentes apontam soluções.

Os idiotas apontam pessoas.

De toda forma, é sempre bom lembrar de quem ficou. Das pessoas que me suportam no sentido mais literal da palavra. Gente que me faz rir e que faz questão de compartilhar tudo, dos chiliques secretos às piadas nonsense. You know who you are. Pessoas que eu não vou precisar esquecer daqui pra frente.

show me or shoot me

3 Feb

O carro estragou faltando dois dias para viajar. Fiquei com enxaqueca na noite em que precisava discotecar no James. A diarista pediu aumento. O ano virou e todas, TODAS as contas da casa também “sofreram reajuste”. Bati o dedão do pé direito na quina da cama e o dedinho do pé esquerdo na quina da porta. Isso dói pra burro. Não há muitos dias ensolarados de verão na cidade onde moro. Entregas na minha casa sempre atrasam: a Net atrasou, o mercado atrasou, a loja atrasou. O carro não ficou pronto antes da viagem. Pessoas mentem pra mim na cara dura, eu sei disso e não posso fazer nada a não ser lamentar. Não tenho saco pra conversas sem pé nem cabeça, nem pra relações unilaterais, não tenho energia pra cuidar da casa, não tenho vontade de sair da cama, resumindo, tá tudo cagado. Me mostrem a poesia da vida, por favor.

 

sei lá, entende?

25 Jan

2011 veio pra provar que virada de ano e réveillon são meras convenções sociais. Afinal pouca coisa muda da noite pro dia e grandes mudanças exigem períodos de intempéries e casca grossa pra encarar. Não sei se é transição, se é depressão pós-férias, se apenas estou cansada quando o ano acabou de começar. Não consigo enxergar o brightside da vida neste momento – logo eu, que depois dos 30 virei uma otimista incontrolável. Me sinto apática a maior parte do tempo e triste no tempo que resta.

A parte boa (ó lá eu enxergando o brightside) é que no ano passado, nessa época, eu estava estupidamente feliz e o ano foi bem ruim – começando pela morte da minha vó e passando pela do meu vô, entre tantos outros perrengues. Se isso faz algum sentido, resta esperar que 2011 seja um ano do caralho.

I miss these days

o ciclo da vida.

11 Aug


voltei. acho. fui levada por uma enxurrada de notícias e acontecimentos. minha mãe fala comigo que 2010 está sendo o ano da “zica”: nem tudo foi bom. nem nada foi por acaso. tantas notícias ruins e ainda assim, eu sigo esperando pelas boas. pela tal bonança depois da tempestade.

poderia escrever um texto longo e triste sobre tudo o que aconteceu; mas o fato é que as pessoas mudam e aquela ranzinza rancorosa não mora mais dentro de mim. sofrimento tem prazo pra acabar, não deixo durar mais que o necessário. coisa ruim atrai coisa ruim, aprendi com a minha vó e faço questão de deixar registrado aqui.

o ciclo da vida é, no mínimo, curioso. quando eu era pequena – ou menor, ou mais jovem – as festas em família eram assim: a mesa dos adultos e a mesa dos pequenos. na mesa dos adultos ficavam meus pais, tios e avós. na mesa dos pequenos; eu, meus irmãos e primos. não consigo enxergar uma fase transitória. só sei que de repente sou eu sentada na mesa dos adultos, ocupando as cadeiras daqueles que já se foram. a mesa dos pequenos é ocupada pelos sobrinhos, pelos netos, pelas crianças. pelos pequenos.

a gente que se preocupava em pedir presentes de natal e aniversário agora se preocupa em ter dinheiro pra poder presentear todo mundo. a gente que bagunçava a casa dos outros agora arruma a nossa. a gente que achava que ter trinta e poucos era uma coisa muito adulta e distante agora precisa dar o exemplo. de ser adulto sem ser velho. de ser responsável sem ser chato. a gente já não sabe mais como se dança, a gente se bate com algumas tecnologias, a gente tenta entender o que ensinam pras crianças na escolinha hoje.

a gente ocupa na mesa as cadeiras daqueles que já se foram. e quase esquece como foi dolorido enfrentar tantas partidas. e ainda assim arranja tempo e força pra não deixar que as cadeiras fiquem vazias, porque esse é o ciclo da vida.

a história da minha avó

7 Feb

sempre li/ouvi as histórias dos outros sobre suas avós. a comida gostosa, as férias de verão, as lembranças da infância. minha avó nunca foi esse tipo de avó. tinha pouca afinidade com as panelas e sua casa fica numa rua tão movimentada que é impossível criar ali um cenário bucólico de férias, com árvores carregadas de frutas e cheiro de flor. ela não fazia tricô, crochê nem sobremesas deliciosas.

mas trazia consigo histórias que só alguém que viveu noventa e dois anos poderia me contar. miúda, birrenta, mantinha a ferro e fogo os costumes e os pensamentos da década de trinta. nem por isso deixou de adaptar-se, sutil e morosamente, às “novas tradições” das gerações de seus netos: dos seis, somente um casou-se no papel. outro lhe deu seu primeiro bisneto. nenhum trouxe o esperado diploma de médico ou advogado.

com 92 anos, ela tinha para certas coisas a disposição que a gente muitas vezes não encontra na nossa rotina. circulava de ônibus biarticulado para resolver seus assuntos: ir ao banco, médicos, compras. conhecia (e sabia da vida de) todo mundo da vizinhança, ia ao salão, passava férias na praia, enfrentava o sol do meio-dia para tomar seu banho de mar.

assim como ela adaptou-se a nós, nós também nos adaptamos a ela. crescemos descobrindo novas formas de encantá-la, dobrá-la e agradá-la. porque família é exatamente isso: um exercício infinito de convivência.

eu sei que tive sorte nessa vida. nem todo mundo tem tanto tempo de convivência com os avós. mas, sabe? é que foi tudo tão rápido, de uma hora pra outra, como geralmente acontece com os velhinhos… de repente ela foi embora, pegando de surpresa todos aqueles que acreditavam que dona belita poderia viver até os 100. porque nós, no nosso egoísmo, não queremos ver partir ninguém que faz parte da nossa vida e da nossa história. queremos que nossos pais e avós sejam infinitos, porque não importa quanto a gente cresça, eles serão nossas referências, o ponto de partida da NOSSA vida…

… tchau, vó.

let go.

15 Jul

e enfim acabou o bafafá todo da morte de MJ. enquanto o mundo sorteava tickets para o staples center, eu apenas me intrigava com a demora disso tudo. acredito que enterrar nossos mortos é parte fundamental do luto – aplique-se isso a várias coisas da vida. mas depois ficou tudo muito claro: não tinha como organizar um evento daquele porte em 24 horas. mesmo sabendo que MJ já estaria enterrado, cremado ou transformado em vento há pelo menos uma semana… simbolicamente, é preciso enterrar aquilo que morre.

não acho que o mundo se comova com essas coisas por um mero senso comum. sentir a morte de alguém é algo muito pessoal, egoísta. quando alguém assim morre, morre também um pedaço da nossa história. MJ morreu levando meu moonwalk da adolescência no salão de festas da vizinha, onde passávamos as tardes escutando música e estudando para as provas da sétima série. e é assim com tudo: zacarias morreu junto com o chocolate surpresa que meu pai distribuía todo domingo no horário dos trapalhões. elvis morreu e deixou uma geração inteirinha em busca de um novo ícone. dercy morreu, ficou só a lembrança da primeira vez que falei “filha da puta” em casa – minha primeira surra, por sinal.

aprendi muito cedo que o luto é importante pra que a gente possa continuar. quando meu pai morreu, lá se foram anos de pequenas coisas em família que não voltariam nunca mais: as viagens de toda a trupe no porta-malas da parati cinza, as manchas de fumaça de cigarro no teto da sala e a leiteira apitando todo dia bem cedinho.

o tempo não para – cazuza foi embora e ficamos somente com essa máxima – e como se não bastasse, vai levando tudo junto, os dias, as noites, as lágrimas, as histórias. aquelas coisas grandiosas da vida que vão ficando minúsculas dia após dia, até o momento em que precisamos puxar pela memória pra lembrar de uma cena que parecia ser inesquecível.

|ouvindo michael – i just can´t stop loving you|

they don´t really care about us.

26 Jun

hoje o dia não foi dos melhores. cinza. até aí tudo bem, o problema é o cinza xexelento, que arrepia os fios rebeldes do cabelo e deixa as roupas meio úmidas. também foi dia de ficar desapontada com pequenas ocorrências da vida social. e, por fim, michael jackson morreu. é meio estranho, desde que me conheço por gente existia michael jackson. ele faz parte do rol de celebridades que parecem imortais, como madonna, silvio santos, cid moreira, jack nicholson e outras figuras peculiares que, por bem ou por mal, estão aí desde sempre.

pois fica aqui minha singela lembrança de michael. um vídeo-piada que helleng e roccodepine me apresentaram. pra encerrar esse dia com uma dose de humor…

7 May

tantos pensamentos e as palavras não fluem. as ideias não se constróem (aqui ainda vai acento agudo?).

volto amanhã, volte você também.

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