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tudo o que aconteceu.

6 Feb

para marlon schluga

o gás acabou. comprei outro, foi num sábado de manhã. fizemos strogonofe de camarão. outro dia fizemos rocambole de carne. num dia especial ele fez salmão para mim. colamos – e foi difícil! – um adesivo gigante da coca, vintage, bem lindo. aonde: na porta da geladeira. coloquei um sofá novo, lindo, vermelho, na sala. e a tevê ficou perto do sofá. comprei uma esteira. andei em média 3 vezes por semana, quarenta minutos a cada vez. tomei vinhos bons e passei a preferir os brancos. comida japonesa virou hábito, quase vício. escrevi pouco e muito desse pouco ficou escondido em arquivos do word que só eu sei onde existe. reencontrei pessoas legais, interessantes, especiais e divertidas. a persiana da sala arrebentou. digo, uma delas apenas. troquei a cama de posição. fiz dieta por uns bons meses, perdi uns bons kilos, alguns deles voltaram e um deles acabou de ir embora de novo. pintei as unhas de vermelho, impreterivelmente. e o cabelo de preto, inevitavelmente. ganhei presentes surpresa, de doces deliciosos a blusas fofas. dormi abraçada muitas e muitas noites. fui ao cinema, assisti queime depois de ler, vicky cristina barcelona. em casa assisti hellboy 2 e control. e juno. e sex and the city 2, no cinema de volta, em uma turma de mulheres. encontrei pessoas queridas para um café no final da tarde. e não foram poucas vezes. fui ali no mustang comer quesadillas durante conversas profundas sobre a nossa vida. a diarista agora vem toda semana. e a lavanderia também. troquei as lâmpadas da sala e do quarto e do banheiro, mas não todas ao mesmo tempo. viciei na novela das oito – a favorita. assisti a primeira e a segunda temporada de dexter, e a segunda de heroes e estamos loucos para ver a terceira (de ambos). true blood – comecei a assistir também. passei o natal em familia e o reveillon entre amigos. na praia. fui a praia. tomei pouco sol. cozinhei para amigas. e para o namorado. e para mim mesma às vezes no almoço.

muita coisa aconteceu. mas a sensação de estar ligada no piloto automático há meeeeses… não sai daqui de jeito nenhum =(

aquele vazio.

5 Feb

para silvia e bianca

de tempos em tempos sou acometida por uma espécie de vazio. não sei se posso chamá-lo exatamente de vazio, já que ele fica escondido, sem ocupar espaço. e portanto sem deixar coisa alguma cheia de nada. se é que me entendem.

me disseram que é um vazio da vida porque a vida toda é uma preparação pra morte. e que não soe fúnebre ou sinistro, por favor. é a conhecida trama do “morre-se um pouco todos os dias”. todos os dias que não voltam nunca mais, você sabe, são dias mortos, falecidos, não voltam mais, alguns deles passam batido e outros vão se juntando até formar esse tal desse vazio. e no vazio também tem uma certa tristeza, uma boa quantidade de saudade, melancolias passadismos & afins. a saudade que se sente do cheiro de flor de laranjeira da casa da mãe em meados de setembro, setembros que já morreram. a saudade das cangas espalhadas no gramado verde do trabalho, julhos quentes, julhos que já morreram junto com os trabalhos que já morreram. as mesas que já ocupamos que tiveram outros donos porque seus antigos donos morreram. morremos um pedacinho a cada dia, a cada história terminada, a cada página virada e a cada capítulo encerrado. morreram nossas músicas preferidas, nossos filmes da vez, morreram amizades de longa data que nunca mais se encontraram, morreram as aulas da faculdade, os pileques dos vinte e poucos, morreram o primeiro beijo o primeiro pontapé e a primeira vez. assim como morrem os cheiros e gostos da infância, porque nós crianças já morremos; morrem os bichos de estimação, as flores no vaso e as boas frases que um dia esquecemos de anotar. morrem as piadas internas, os dias de neve, as manhãs chuvosas e também as ensolaradas. morrem as emoções de cada natal e cada virada de ano, assim como morrem os perus que são preparados na véspera.

morremos nós adolescentes e viemos nós, os adultos, para ocupar um lugar que também não será nosso pra sempre. um dia envelheceremos, morrerão estes jovens de 30 e poucos tão cheios de idéias e responsabilidades. morrerão, talvez, sem nunca ter conseguido sair desse enorme ciclo vicioso que é a vida: morrer um pouco cada dia para nascer de volta no outro, carregando sempre esse vazio deixado pelas mortes que já se foram…

[... tpm é: chorar quatro vezes por dia sem motivo palpável para nenhuma e escrever um texto emo sobre o nada...]

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