Tag Archives: surto

cética sim. e daí?

5 Aug

em fases turbulentas, como já diziam nossos avós, é que a gente aprende coisas importantes da vida. a velha conversinha de tirar algo de bom disso tudo. percebi por estes dias que eu sou uma pessoa cética. eu custo a acreditar em coisas não presenciais. só consigo acreditar naquilo que vi, que toquei ou que alguém muito próximo vivenciou. e isso serve pra tudo, guerras mundiais, crises econômicas, homem na lua (haha, como eu poderia estar lá, né?) e, claro, pandemias. a única coisa na qual eu acredito é na minha fé, algo muito pessoal e que não convém citar aqui.

fico observando as janelas à minha volta e me comovo somente com aquilo que é do meu mundo. o mundo de cada um é tão pequeno, e é só o que faz sentido. sua família, seus amigos, seu trabalho, sua casa, sua hora do banho, suas músicas e filmes, os livros que você lê pra pegar no sono. o mundo lá fora não se importa com nada disso. não vai parar de girar se você perder alguma dessas coisas. então por que é que a gente tem tanto medo desse mundo que, na prática, só existe na televisão, nas revistas de viagem e nos relatos de gente que mal conhecemos? por que choramos a morte do michael jackson se doloroso mesmo é perder um ente querido? por que tememos a gripe suína quando um câncer na família se constitui num problema real?

as pessoas andam pela rua apavoradas – hoje no caminho para o escritório cruzei com gente usando máscaras – enquanto eu custo a acreditar em tudo, seja nas estatísticas oficiais ou naqueles e-mails cheios de dados que entopem nossas caixas diariamente. custo a acreditar que a coisa tenha o tamanho que dizem ter: quantos de vocês conhecem alguém que foi afetado pela pandemia? custo a acreditar q a crise econômica mundial já dure um ano: onde foram parar todas as cédulas e moedas de um mundo onde o dinheiro simplesmente sumiu? custo a acreditar que agora, e somente agora, aconteçam tantos acidentes envolvendo aviões e barcos. o que eu vejo hoje – e nisso eu acredito, porque está dentro do meu mundo – é uma tela de tevê e uma de computador, absurdamente cheias de informações, notícias que se atualizam a cada segundo. e se nada disso existisse? e se nada disso existir? se o mundo for exatamente isso: você na sua casa oferecendo um jantar aos seus amigos, indo buscar seus filhos na escola e fazendo uma viagem de final de ano para conhecer outro pedaço de mundo que está logo ali? e se for isso e nada mais, qual o problema?

tuins.

10 Apr

depois de uma semana um tanto quanto estressante – coisa que não deveria acontecer nas férias! – fui acordada hoje às oito da manhã pela minha chefe. sim, hoje mesmo, sexta-feira da paixão de cristo, feriado.

juro que estou tentando manter a sanidade…

work work work.

16 Feb

vamos resumir e encarar as coisas da seguinte forma. sim, todo trabalho é chato. é o que dizem por aí, mas um dia ainda vou publicar aqui a lista dos trabalhos que du.vi.do que sejam chatos.

todo trabalho é chato porque, entre outras coisas, vai te colocar dentro do mesmo ambiente que pessoas que não têm nada a ver com você. você vai ter que falar com essas pessoas, trabalhar com essas pessoas, conviver com essas pessoas, escutar asneiras dessas pessoas, perceber burrices dessas pessoas, engolir sapos dessas pessoas, e ainda por cima, sorrir para essas pessoas. caso contrário, já sabe, o chato do trabalho será você.

mas isso tudo todo mundo entende e todo mundo já sabe – pelo menos seus semelhantes. o que os outros nem sempre conseguem captar é a essência real do problema. ou seja, o trabalho poderia ser essa merda completa se, ao menos, você aprendesse coisas novas periodicamente. se você se sentisse exausto porém realizado de alguma forma. o que complica é quando a sua visão de “realização” é imaginar o dia em que poderá, finalmente, mandar algumas pessoas à merda.

gente, concordem, tem algo muito errado aí. realização profissional deveria ser trabalhar fazendo aquilo que se gosta, e eu não posso dizer que gosto de mandar os outros tomarem no c*…

lembrete para mim mesma.

8 Feb

[para ler no inverno]

eu sei que frio deve estar maltratando seus pés, congelados mesmo dentro de meias peluciadas e sapatilhas de lã. eu sei que os momentos de entrar e sair do banho exigem força de vontade e muito fôlego para vestir-se depressa antes que a brisa do inverno transforme todos os pêlos do seu corpo em espetos. eu sei que sair da cama quentinha é uma verdadeira tortura.

mas estou aqui para te lembrar do quanto o calor é verdadeiramente desconfortável. lembre-se das caminhadas cheias de suor na hora do almoço, do ventilador ligado na cara o tempo todo e das noites maldormidas tentando encontrar uma forma de não derreter enquanto respira.

lembre-se também que casacos, botas e cachecóis são infinitamente mais elegantes do que tops, regatas e shortinhos de axé (não, você não usa essas coisas).

obrigada pela atenção e tenha um ótimo inverno. quando pensar novamente em mudar-se, lembre-se dos países onde neva.

att.

paula – 8 de fevereiro, 31 graus.

ritmo, ritmo de festa.

3 Feb

voltei a ir à pé para o trabalho [sim, porque durante um tempo a cara-de-pau ia de carona. sete quadras de ca-ro-na. falo sobre isso outra hora] e até o momento vejo mais vantagens do que desvantagens.

nos treze minutos que separam a porta da minha casa da porta do escritório tenho tempo de ouvir cerca de três músicas. então é sempre possível fazer uma seleção boa, que torna o caminho feliz. quem é que não consegue fazer um trio de músicas boas na seqüência, me diz? (não vale responder claudia leitte nem zezé…)

ou seja, temos aí uma vantagem, o caminho fica mais curto e animado. às vezes fica realmente muito animado, isso se você fizer seleções de três músicas tão boas como as minhas. dá vontade de sair dançando. todos os dias tenho o mesmo pensamento insano me perseguindo, vou caminhando pela rua e cruzando com outras pessoas usando fones de ouvido e pensando se estão ouvindo músicas tão boas e animadas como as minhas e se assim como eu sentem vontade de ir dançando até o trabalho. não seria ótimo? pessoas felizes, as quinze para as oito da manhã, andando pela rua e dançando, cada uma na sua seleção de três, cada uma no seu ritmo.

éééé benhê, preciso de férias.

|não dá para ficar parado: friendly fires (paris) + teenagers (french kiss) + kings of leon (sex on fire)|

os ouriços somos nós.

26 Jan

ourico

este final de semana eu estava na livraria. uma ânsia, uma fome de ler ler e ler. parece que nem todos os blogs do mundo, nem seus três blogs, nem todos os blogs que eu leio, dão conta da minha vontade de ler o tempo todo. acho que é um reflexo da minha vontade não-concretizada de escrever, escrever, escrever. saí dali, fui tomar um café, voltei. precisava de um livro. aí lembrei da elegância do ouriço e não pensei duas vezes. se jana leu e recomenda, então compro de olhos fechados. e lá se foram 115 páginas em apenas um dia… só pra dizer que mesmo a milhas de distância, essas pequenas coisas que existem entre a gente me fazem pensar que a vida é feita disso, dessas pequenas coisas compartilhadas. ainda que por blog, ainda que por e-mail, o gosto pelas coisas. e eu entendo que vc tenha se reconhecido no livro em muitas coisas. e, sem demérito algum. me reconheço também. naquela parte em que ela implica com uma das moradoras porque colocou a vírgula errada no bilhete da lavanderia… ali mais do que tudo, até agora. nem sempre os mais ricos são os mais inteligentes, os mais dotados de humor, ironia, compreensão do mundo. enfim. queria agradecer a dica, furtei sua leitura para dividi-la com vc.
amo!
paula.

e é isso. a dica da janaína somada à minha inexplicável sede por ler sem parar criou um monstro. volto a falar do livro assim que terminá-lo! por enquanto deixo aqui uma das muitas pérolas encontradas lá dentro…

“fora o amor, a amizade e a beleza da arte, não vejo muitas outras coisas capazes de alimentar a vida humana”.
|a elegância do ouriço, muriel barbery|

|foto de Jorge Lourenço|

inspire, respire.

16 Dec

desço no fumódromo do edifício para tomar um ar fumacento. ao meu lado duas pessoas conversam sobre o assunto preferido nesta época do ano: saco cheio. há algum movimento estranho no universo nesse período, ninguém mais agüenta ninguém. uma delas jura de pés juntos: “faltam só mais 3 dias, não vou arrumar encrenca com ninguém neste ano”. ufa! pelo menos não sou só eu!

o jogo de cintura social começa a ficar desgastado. depois de doze meses, todo mundo precisa descansar. tirar uns dias para tentar acreditar na máxima ano novo, vida nova; superar birras e pequenas intrigas para tocar o barco por mais 365 dias.

fico achando que surtei. não agüento mais as pessoas, suas chatices, insistências, seus modos caxias de trabalhar. mas a conclusão é uma só: não sou eu, são os outros! eu não surtei: o mundo surtou.

queria saber se as pessoas querem correr contra o tempo pra salvar o mundo que não conseguiram durante todo o ano ou se é só um modus operandi estranho típico desses dias. mas como não tenho essa resposta… prefiro acreditar que o mundo entra num surto coletivo e pronto.

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.