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atendimento personalizado. sei…

26 May

se tem uma coisa que me deixa chocada (e aposto que muitos de vocês, 64 leitores, também) é atendimento ruim. no comércio mesmo, esse comércio da nossa vida bandida. é o caixa de supermercado que passa as minhas compras pela esteira como se estivesse jogando boliche com meus cachos de uvas e bananas. é o atendente do café no bairro mais soho da cidade que nunca anota os pedidos num papel e, por consequência, sempre esquece metade das coisas. anotar é humano, gente, eu mesma anoto tudo em todos os lugares, na agenda, no celular, nos post-its. por que raios os atendentes acham que sua memória é melhor do que a minha?

também já tive duas experiências gastronômicas que, se não fossem deliciosas, teriam sido somente trágicas. uma vez foi na pizzaria, aniversário do namorado, família toda reunida, pedimos as pizzas. elas demoraram tipo uma hora e quarenta minutos pra chegar. e nem era técnica pra gente se entupir de pãozinho, porque nem serviam abre-alas no lugar. as pizzas demoraram, segundo o garçom, porque a pizzaria tava cheia. alô? não são vocês que servem somente PIZZAS? e daí num tem pizza quando o restaurante tá cheio? é como acabar a cerveja na balada – e eu tenho certeza que já aconteceu com muita gente também. alô, dono de bar, se seu boteco enche às sextas, acho prudente comprar mais do que dez fardinhos de latas.

a outra experiência ruim com atendimento foi na casa de bolinhos nova aqui na cidade. o cara tem uma ideia boa, que tá na moda, que é servir bolinhos deliciosos e enfeitados. então ele abre um café junto, pras pessoas ficarem ali, tomando café e comendo bolinhos a tarde toda. aí eu peço um café + bolinho e sou informada de que o café vai demorar, porque não tem gente ali agora que possa fazer o café. alô dono da casa de bolinhos com café, mão-de-obra now! ou então sirva somente seus bolinhos…

enquanto escrevia, lembrei de uma terceira experiência ruim. num dos meus fast-foods favoritos, onde servem deliciosas batatas recheadas. pedi a batata recheada. depois de 50 minutos, o horário de almoço estourando, a atendente me diz o seguinte: “acabou a batata”. se tivesse me avisado antes, eu ainda teria tempo de procurar outro lugar pra comer. mas né… não era ela quem tava com fome! avisar pra quê, minha senhora?

pasmem, enquanto escrevia essa, lembrei de mais uma – talvez a pior de todas. num lugar que servem pizza em forma de cone (também paula, quem mandou comer coisa esquisita…). mas o fato é que eu não comi. não comi porque esperei por 1h23 (dessa vez eu contei). o horário de almoço estourou, de novo. fui pedir meu dinheiro de volta e cancelar meu pedido – que nem tava no forninho dinâmico, assa TRÊS cones por vez! – o dono da bagaça me devolve o dinheiro e pede desculpas. pelo menos pediu desculpas. mas meu almoço, o senhor vai pedir também?

então a conclusão que eu chego é que pra muita gente a máxima “servir bem pra servir sempre” é uma grande idiotice. fodam-se você, sua fome, o dinheiro que você vai gastar pra comer ou comprar aqui. eu te sirvo a hora que der, se der, e se você não pedir nada que acabe durante o expediente.
tchau.

ouvindo: whatever gets you through today. the radio.

trinta dias com ela.

25 Nov

hoje completo meu primeiro mês de dieta. êêêêêêêê! oi?

uma coisa na qual eu nunca acreditei muito, achei que era balela esse papo de que depois dos trinta é tudo mais difícil. não é que é mesmo? sei lá se é o metabolismo que começa a ficar preguiçoso quando a gente envelhece amadurece, ou se a gente é que fica com preguiça do metabolismo, sabei-me.

e não é querer falar nem desanimar as adolescentchis desse mundo, mas eu era seca de dar dó até não muito tempo atrás. tinha complexo de magreza de modo que tomava levedura de cerveja com água (eca) pra engordar. chupava leite condensado na latinha. tudo isso nunca fez efeito.

mentira, fez sim: um belo dia eu acordei com trinta anos e toda a levedura e leite condensado tinham se convertido em banha. e claro que a banha nunca se distribui adequadamente, fazendo você ficar gostosa. um bom exemplo é que eu continuo sem bunda, e o que devia ser a gostosura do meu traseiro subiu demais e virou uma série de dobrinhas nas costas.

o triste da dieta é que ela é infinita. pelo menos a essa altura da vida, ou pra quem tem uma genética relaxada feita a minha. como uma colega de trabalho disse esses dias: você começa a se dar conta de que NUNCA MAIS vai poder fazer certas coisas – tipo comer duas baciadas de pipoca assistindo tevê ou matar a fome do final do dia com uma coxinha tamanho GG. porque se você leva um mês pra emagrecer 4 kg (meu caso, obrigada) você só precisa de uma coxinha pra engordar os 4 perdidos + 4 de castigo por cometer o pecado da gula.

então o primeiro passo para iniciar uma dieta é esse: aceitar a infinitude dela (acabei de inventar essa palavra). aceitar que você vai passar vontade e contar calorias até a eternidade. pensar que no dia da sua chegada no céu, no banquete de boas-vindas, você vai negar o strogonof de camarão e comer somente 100g de frango grelhado com salada de folhas. folhas! quer coisa mais sem graça do que folhas? você vai recusar mousse de chocolate e ter como sobremesa uma deliciosa fatia de mamão. pelo menos mamão faz bem pro intestino, né?

esses dias virei pro meu respectivo e desabafei: estou cansada dessa vida de contar as coisas. dá um trabalho danado! observar o peso do prato pra contar as calorias e lançar numa tabelinha todo santo dia após o almoço. analisar minuciosamente a embalagem de cada merdica de barrinha que você compra no supermercado, optando por aquela que tem menos calorias (geralmente as que tem mais gosto de ração para gatos).

então, ao final do primeiro mês, tento me focar nos quilos perdidos. esquecer todos os milk shakes de ovomaltine que não tomei, todos os pães de queijo que não comi, todos os brownies com sorvete que não pedi e todas as noites em que enganei meu estômago, convencendo-o de que jantar 7 torradas com patê era tão gostoso quanto enfiar a cabeça dentro de uma batata assada.

um mês inteirinho de sacrifícios para no final perder QUATRO quilos. prestenção, gente. a mão tem CINCO dedos e eu perdi QUATRO quilos, não dá nem pra encher uma mão com o preço do meu esforço.

e com quatro quilos a menos, convenhamos: não vai ser nesse verão que eu vou voltar pro biquini de lacinho ou andar por aí sem precisar esconder as dobras das costas. só não vou desistir dessa pocilga de dieta porque eu sou mesmo uma pessoa de fé! devagar se vai ao longe, talvez no verão de 2012…

tá na hora da barrinha… fui!

curitibando.

20 Aug

amo minha cidade. mesmo com todos os seus defeitos. suas calçadas de petit-pavé que destroem nossos sapatos, seu trânsito demi-caótico com seus motoristas afobadinhos. olhando daqui do 15o. andar, consigo amá-la ainda mais: o desenho dos prédios no horizonte, o céu cinza em movimento, as pessoas confusas com o quê usar em dias assim. amo curitiba e seu festival de guarda-chuvas se degladiando pela rua XV e o pedacinho de céu azul que surge por detrás dos prédios quando menos se espera. que poética essa cidade!
o que estraga são os curitibanos. eu gostava era dos curitibanos frios, fechados, aquele curitibano típico de quem tanto se fala… aonde foram parar?

o curitibano de hoje é um grande idiota. vive numa cidade privilegiada: limpa, plana, organizada. um dos melhores transportes públicos do brasil. um dos climas mais amenos (hahaha, tento acreditar nisso). não satisfeito com tudo isso, com a discrição que é viver numa cidade assim, o curitibano quer mais. quer aparecer, causar furor, passar por ridículo.

primeiro foi a gripe. curitibano é tão trouxa que os e-mails falsos sobre o assunto viraram manchete nacional: “em curitiba, milhares de cidadãos foram enganados por e-mails falsos que circulavam na rede”. ainda é possível, andando pela rua, ver uma meia dúzia de gatos pingados usando máscara cirúrgica. se quisessem se prevenir da gripe, deveriam cuidar melhor da própria higiene ao invés de sair por aí desfilando com o rosto coberto como se estivéssemos perto do fim do mundo.

agora que passou o momento desesperadinho da gripe, a nova onda é comentar a lei anti-fumo. curitibano não se contenta com nada. o fumo foi proibido e pronto, taí o que todo cidadão saudável e politicamente correto queria. mas não, eles querem mais: querem discutir o assunto à exaustão nos elevadores, nas ruas, nos ônibus. ontem mesmo ouvi duas senhoras papeando e uma delas dizia: “acho bom mesmo, fumantes porcos, tem mais que se lascar”. hein? veja bem: não vou discutir aqui se fumar é bom ou ruim (todo mundo já sabe a resposta, né?). nem comentar se a lei veio cedo ou tarde, o fato é que ela está aí. o que eu quero falar mesmo é que curitibano é uma raça provinciana demais para conviver com qualquer coisa grandiosa, seja uma pandemia ou uma lei previsível feito a do cigarro.

curitibano tem o dom de transformar tudo num circo, e é nesse circo que aparece sua mais marcante característica. não é a frieza, a antipatia. é a pura falta de educação. curitibano é o cara que não cede lugar pra velhinho em ônibus, que usa máscara cirúrgica pra poder espirrar na cara dos outros sem culpa e que usa a lei anti-fumo como desculpa pra xingar fumante.

tiau.

chove lá fora e aqui (também).

27 Jul

domingo. 21h17. depois de um cansativo dia de chuva no shopping (segundo meu respectivo, shopping cansa porque a gente anda, anda, anda sem perceber), chego no conforto do lar. direto pro banheiro fazer aquele xixi amigo que estava morando de mim há uma meia hora. entro no banheiro no escuro mesmo – pra quê gastar luz se eu sei onde fica a privada na imensidão do meu toilette, hein? no que eu escuto: ploch, ploch, ploch. ãhn? como assim, este é o barulho que faz a pegada quando piso em poças. pois é. meu banheiro era nada mais nada menos que uma grande, uma imensa poça.

apesar da chuva: não, não era uma goteira. devia ser um vazamento na privada, no registro ou em qualquer lugar onde circula água no banheiro. 48 horas e muitos paninhos depois, o vazamento persistia. e antes que alguém pense que eu sou muito burra, sim, fechei o registro. resultado: zero. passei o domingo de balde e luva juntando a água que vertia pelo azulejos feito uma cachoeira de pobre e ia se espalhando pela casa.

gostaria de ressaltar que chove incessantemente em curitiba há mais de mês, especialmente nos últimos dias. ou seja: panos não secam. toalhas não secam. luvas não secam. nada seca.

mas nada como a visita de um bom encanador pra resolver tudo, certo? errado. certo seria se eu morasse num prédio menos judiado. que não necessitasse de uma reforama hidráulica completa. que não vertesse água pelas paredes! o moço veio, abriu tudo, tirou tudo, trocou tudo, até onde não tinha problema – sabia que privadas tem parafusos? pois é!

então depois de litros de água desperdiçados, um dia de trabalho perdido na função “meu dia com o encanador”… o vazamento continua lá. lindo e formoso, vertendo feito a chuva lá fora. a boa notícia é que tem conserto. só precisa quebrar a parede do prédio quando não tiver ninguém morando nele! é ou não é um conforto para toda essa gente que já anda super feliz com a temporada de chuva?

essas são as novas.

aquele abraço!

próxima parada, estação central.

23 Jul

ontem quando saía de casa para o trabalho um vento quente me fez tomar de novo o elevador para casa. subi, troquei o modelito inverno por um meia-estação e peguei o guarda-chuva.

vai chover bem na hora de voltar pra casa, me disseram.

lá pelo meio-dia a temperatura era 14 graus com sensação térmica de 8 devido ao vento. lembrete: minhas roupas de inverno tinham ficado em casa.

por volta das 18 horas uma tempestade dominou a cidade. ainda bem que eu trouxe o guarda-chuva, certo? errado. na primeira tentativa de armar a tranqueira, percebi que os arames estavam todos cagados e a sombrinha mais parecia uma folha de palmeira, meio aberta meio fechada, balançando ao vento e tudo aquilo.

resultado, nunca confie numa sombrinha que mora há 8 meses dentro da sua bolsa. e como diria a minha vó: leve um casaquinho que pode esfriar.

beijos!

inferno astral com delay.

30 Jun

então que eu andava por aí toda-toda me achando a rainha da cocada preta porque este ano não tive inferno astral. bobinha. ocorre que o inferno astral chegou, ainda que com uns dias de atraso. instalou-se no meu corpo e no meu humor logo após as 23h55 do dia 28 de junho, quando oficialmente completei 32 anos. tolerância zero, coração cheio de mágoas e princípio de gripe: o que mais deveria constar num inferno astral tardio?

pois a minha pílula de felicidade tem sido o blog epinion, da esposa de um colega da faculdade, que por coincidência chama-se paula. e hoje, inferno astral bombando, deixo vocês com um post do epinion que fala justamente sobre amizades.

Desculpe, mas vou ter que deixar você ir
por Paula Abreu

“Na segunda-feira, logo depois da minha primeira prova, tive uma reunião com um dos meus professores, no escritório dele. Na verdade na verdade, ficamos batendo papo por cerca de meia-hora sobre o curso, meu futuro profissional e sobre ampliar meu paper para publicação, num tom altamente amigável e informal. Até que de repente, não mais que de repente, ele olhou para mim, sorriu, se mexeu na cadeira e disse muito educadamente: “I’m sorry, but I’ll have to let you go now…” Levantou e já começou a andar na direção da porta.

Lembrei que ele tinha feito o mesmo na nossa primeira reunião, nos idos de janeiro. E nas outras que se seguiram. Lembrei que todos os advogados com quem eu tinha feito entrevistas durante minha estada aqui tinham feito o mesmo quando a entrevista chegava ao fim. Sempre sorrindo. Sempre já estendendo o braço pra mostrar o caminho da porta.

Para quem nunca conviveu com americanos, pode soar falta de educação ou grosseria. Acreditem: não é. É um jeito polido de dizer que a reunião – seja lá qual for o propósito -foi muito boa, mas é hora de terminar e partir para outras atividades.

Eu, particularmente, acho super elegante. Acho, inclusive, que o uso da expressão devia ser estendido a outras áreas da vida da pessoa. E não só vou adotar, mas vou aumentar o alcance e vou utilizar amplamente para encerrar amizades que já deram o que tinha que dar. Sempre me perguntei o que fazer com, ou melhor, como me livrar daquelas pessoas indesejáveis que ficam orbitando na minha lista mental de amigos mas que, no fundo, não têm nenhuma função social no meu ecossistema.

Não me refiro àquelas pessoas chatas porém sempre presentes. Nem às ausentes que, quando finalmente aparecem, aquecem o meu coração, me fazem rir e me apóiam. Nem àquelas que nunca jamais aparecem mas que estão lá e serão as primeiras pessoas para quem irei ligar quando tiver um cadáver na mala do meu carro. Todos estes personagens, por mais defeitos que tenham, têm o seu papel. Mas não. As pessoas de quem eu devia me livrar são meramente chatas e ausentes. Não dividem as alegrias (só os problemas) e não estão nunca presentes nas horas difíceis. Não estendem uma mão amiga (ai, que brega, mas eu gosto de uma mão amiga, tá?), não querem nem saber se está tudo bem ou se você está em estado terminal (foda-se, problema seu).

Então hoje eu passei o dia pensando nessas pessoas, esses “amigos” com muitas e muitas aspas de quem ando precisando me livrar. Me imaginei pegando o telefone e ligando para um por um e dizendo: “oi fulano, aqui é a Paula. Olha só, desculpe, mas vou ter que deixar você ir.” E bang. Foi tão divertido de imaginar que agora estou começando a considerar partir para a realidade.

ps: Ah, e se você é meu amigo, está lendo isso e se perguntando se receberá uma ligação minha em breve, fique tranquilo. Esse tipo de gente não tem a MENOR noção e jamais se perguntaria.”

por hoje é só. amanhã, se o humor estiver melhor, eu volto. se estiver ruim… estarei por aqui também. tchauzinho.

|ouvindo Wilco – I´ll fight|

eu e as batatas.

29 May

hoje fomos almoçar no subs: batata assada recheada, nesse frio, era a pedida ideal.

depois de trinta minutos dentro da “lancheria”, barriga roncando, primeira dose de ice tea acabando, a atendente para do nosso lado e diz: “vocês pediram batata, né? sabe o que é… a batata acabou”.

hãm?

“vocês gostariam de pedir outra coisa?”

ah, sim. claro. lógico. óbvio! depois de ficar plantada esfomeada numa mesa por tanto tempo esperando por uma BATATA, acho que eu vou ficar bem feliz se comer um SANDUÍCHE.

já acho uó acabar a batata assada no almoço do subs, que tem como um dos principais “pratos”… batata assada. mas pior que isso, muito pior – eu diria CEM VEZES pior … é só avisarem isso depois de tanto tempo. saí emputecida (vocês também ficam bravos quando estão com muita fome?) e fui abordada pelo dono/gerente/whateverwhocares?

pela fome e pelo emputecimento e pelo mico, o queridão não me cobrou a lata de ice tea. só faltava mesmo ter que ficar na fila quilométrica pra pagar 2,90 antes de ir pra outro restaurante.

pronto, desabafei. odeio passar raiva na hora do almoço, que é sagrada. teve uma vez que aconteceu algo assim… mas eu conto outra hora. tchau.

tuins.

14 Apr

tem certos dias que eu fico em dúvida: devo agradecer aos céus por ainda ter um pouco de sanidade dentro desse coração angustiado… ou devo esbravejar aos quatro ventos pela falta de coragem de mandar algumas pessoas à merda?

o rabo-do-prédio.

18 Mar

já sabemos que fumar faz (muito) mal à saúde, além de ser fedido. continuamos comprando carteiras de cigarros com fotos horrorosas no verso. não satisfeitos, ampliamos o leque de vícios – marlborinho fresh mint, convenhamos. já somos socialmente recriminados onde quer que se vá. dia desses, pitando um cigarrim na frente do prédio, um senhor que passava olhou pra mim e me deu um esporro: – larga essa porcaria!

fácil né, deve ser por isso que até hoje não larguei! estava faltando alguém me repreender assim! =P estava faltando um desconhecido passar na rua e me olhar torto, decerto.

bem, não bastasse tudo isso, todas as campanhas do ministério da saúde, das empresas, dos não-fumantes, da mídia e da unidos do caralho a quatro, somos também obrigados a ficar em ambientes insalubres. afinal de contas, não basta fumar e poluir seus pulmões, é preciso castigar o conjunto da obra. quer fumar? reservamos um cantinho fedorento pra você no último piso do shopping. um cantinho que, além de fedorento, é escuro e totalmente escondido dos olhares recriminadores da população de não-fumantes. lá é tão fedorento e tão escuro que ninguém tem coragem de entrar para limpar – vide os cinzeiros acumulando montanhas de bitucas.

e todo edifício comercial tem também seu fumódromo. aqui existe o rabo-do-prédio, um fundilho conjugado ao estacionamento e que serve de caminho para a entrada de serviço. isso significa misturar a fumaça do seu cigarro às baforadas de escapamentos de kombis, fuscas, vans e afins. no rabo-do-prédio, claro, não há circulação de ar. isso faz com que você sinta-se mais fedorento. e, claro, impede você de poluir o ar tão puro do mundo com a fumaça fedida do seu cigarrim. e ainda assim, minha gente, continuamos todos fumando. eu se fosse do ministério da saúde ia gastar dinheiro em outra campanha… mas isso é só o que eu penso.

|ouvindo lissy trullie – taught learner|
you change your hair
but you look the same

alou.

12 Mar

chegará um tempo em que o telefone será uma coisa obsoleta no ambiente de trabalho (espero que seja logo). o fixo mesmo, aquele com fio que fica sobre a sua mesa, e que você corporativamente carinhosamente chama de “meu ramal”.

vejamos quem são as pessoas que ligam para um ramal.

1. candidatos a fornecedores. não perguntam se você está ocupada no momento, apenas desandam a falar por três longos minutos para, no final, perguntar quando é que podemos marcar uma reunião, para a apresentação ao vivo. e também pra gente se conhecer, estabelecer um contato, hein. ah sim, tô com tempo de sobra pra ter reuniões com pessoas que não conheço para ser apresentada a produtos que não utilizo.

2. fornecedores. ligam periodicamente para dar uma pescoceada, perguntar como estão os trabalhos e se você não precisa de nenhum orçamento. acho que se eu precisasse eu teria pedido, hein.

3. os perdidos. ué? não liguei no ramal da soninha? não, caso contrário a soninha teria atendido.

4. os cdfs.
- queria falar com a mariazinha.
- a mariazinha não está na sala no momento, vou deixar um recado para que retorne sua ligação.
- sabe o que é? é que a mariazinha ficou de me passar a confirmação de um projeto sbrubles para que iniciássemos o módulo xpto de wyz. eu estou com o fornecedor na outra linha e para começar o projeto ele precisa do ok da mariazinha, que estaria no e-mail. só que eu não recebi o e-mail da mariazinha…
- a mariazinha não está na sala.
- mas você sabe se ela vai me passar o e-mail hoje?
carambolas. eu não sou a mariazinha!

não sei se acontece com todo mundo… ou se meu ramal que é mal frequentado mesmo.

|ouvindo i gotta have it – jace everett|

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