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o ciclo da vida.

11 Aug


voltei. acho. fui levada por uma enxurrada de notícias e acontecimentos. minha mãe fala comigo que 2010 está sendo o ano da “zica”: nem tudo foi bom. nem nada foi por acaso. tantas notícias ruins e ainda assim, eu sigo esperando pelas boas. pela tal bonança depois da tempestade.

poderia escrever um texto longo e triste sobre tudo o que aconteceu; mas o fato é que as pessoas mudam e aquela ranzinza rancorosa não mora mais dentro de mim. sofrimento tem prazo pra acabar, não deixo durar mais que o necessário. coisa ruim atrai coisa ruim, aprendi com a minha vó e faço questão de deixar registrado aqui.

o ciclo da vida é, no mínimo, curioso. quando eu era pequena – ou menor, ou mais jovem – as festas em família eram assim: a mesa dos adultos e a mesa dos pequenos. na mesa dos adultos ficavam meus pais, tios e avós. na mesa dos pequenos; eu, meus irmãos e primos. não consigo enxergar uma fase transitória. só sei que de repente sou eu sentada na mesa dos adultos, ocupando as cadeiras daqueles que já se foram. a mesa dos pequenos é ocupada pelos sobrinhos, pelos netos, pelas crianças. pelos pequenos.

a gente que se preocupava em pedir presentes de natal e aniversário agora se preocupa em ter dinheiro pra poder presentear todo mundo. a gente que bagunçava a casa dos outros agora arruma a nossa. a gente que achava que ter trinta e poucos era uma coisa muito adulta e distante agora precisa dar o exemplo. de ser adulto sem ser velho. de ser responsável sem ser chato. a gente já não sabe mais como se dança, a gente se bate com algumas tecnologias, a gente tenta entender o que ensinam pras crianças na escolinha hoje.

a gente ocupa na mesa as cadeiras daqueles que já se foram. e quase esquece como foi dolorido enfrentar tantas partidas. e ainda assim arranja tempo e força pra não deixar que as cadeiras fiquem vazias, porque esse é o ciclo da vida.

home is where your heart is.

18 Jan

eu poderia dizer que meu 2010 está começando agora – já que as férias acabam dentro de poucas horas. mas seria injusto. o ano já começou sim, e se eu fosse um pouco mais ousada, diria que foi antes mesmo de 2009 acabar, quando assumi que era hora de mudar e largar de vez aquela vidinha atrás de uma mesa de escritório que me fazia infeliz há algum tempo.

mas no meio disso – o fim de uma era, o começo de outra – foram férias inesquecíveis. o descanso merecido, aquele verdadeiro, de esvaziar a cabeça mesmo. pra começar tudo de novo, “limpinha”, leve e feliz.

viagens longas, praias lindas, dias azuis, muito calor, muitas noites bem dormidas. camarão aos montes, cerveja a qualquer hora do dia, em qualquer dia da semana. seriados, filmes, livros. deu tempo de tudo isso. e de botar a casa e a vida em ordem. de passar mais tempo longe do computador. e de acordar cedo por prazer, pra aproveitar o dia, e não porque o despertador tocou. e ter a companhia de pessoas maravilhosas em muitos desses momentos.

toda vez que saímos de férias, o mundo se vira pra gente pra perguntar “e aí, vai pra onde?”. aquela obrigação xarope de que é preciso fazer alguma coisa grandiosa pra provar que a vida vale a pena. não fui pra austrália. ainda não foi dessa vez que conheci paris ou fiz um safári “irado” pela áfrica. mas em todos os lugares em que estive, em todas as coisas que fiz… eu estava de coração. e acho que isso é o que importa.

e pra se inspirar com tudo novo de novo… ouçam o novo do shout out louds. tá bom demais.

tuins.

11 Feb

com o calor intenso que assola a capital ecológica, hoje coloquei batinha de tecido leve para trabalhar. obviamente não contava com a ventania da hora do almoço que fazia a tal da batinha voar e levantar mais ou menos até a altura do pescoço. *glamurosa*

*

agora é preciso dormir com a janela escancarada para não acordar (tão) derretida durante a madrugada. a garganta dói desde então. friagem, diria minha vó.

*

tenho um pânico de reuniões. isso é bem ruim para quem vive no mundo corporativo, onde as pessoas a.do.ram reuniões. e não basta marcar reunião até pra decidir a marca do papel higênico dos banheiros: a reunião precisa durar 3 horas. afinal, temos tantas opções de papel higiênico no mundo. (e ainda assim, eles preferem as lixas…)

*

o pior tipo de gente que você pode encontrar no mundo corporativo é gente medíocre. aquele tipinho que, por conta da soma incompetência + tonguice, não conseguiu nunca sair dali do rasinho. desesperados pra recuperar um tempo que, de perdido, não tem nada: simplesmente já era. isso aí: seu tempo já era. mais honesto marcar reunião pra escolher papel higiênico, juro, do que para atazanar a vida alheia. losers.

sobre ouriços e lágrimas.

29 Jan

“é preciso viver com essa certeza de que envelheceremos e não será bonito, nem bom, nem alegre. e pensar que agora é que importa: construir agora, alguma coisa, a qualquer preço, com todas as nossas forças”. (Paloma Josse em A Elegância do Ouriço, p. 138)

terminei. tempo recorde, faça as contas: mais de 300 páginas, menos de 4 dias. há tempos uma leitura não me prendia tanto, provavelmente porque há tempos eu não me deixava prender por elas. o que importa é que a elegância do ouriço valeu a pena. linha após linha nessas noites quentes e chuvosas de curitiba, com a janela aberta, um copo de chá e a tevê (enfim) desligada.

e chorei no final. começou na página trezentos e pouco, os olhos encheram de lágrimas e a cada linha eles enchiam mais e mais até que a primeira lágrima saltou dos olhos direto para a palavra “camélias” . segui lendo e virando as páginas com todas aquelas constatações óbvias e belíssimas sobre tudo o que somos e tudo o que não seremos e as lágrimas continuaram saltando e escorrendo e de repente eram muitas delas e depois do primeiro soluço não teve mais jeito.

e me pus a pensar por quanta coisa – e quanta gente – já chorei nessa vida e nenhuma lágrima pareceu fazer muito sentido diante destas. havia um motivo para elas existirem, um único e simples motivo. e não, não era o final do livro (tenho pelo menos mais dois novinhos me esperando na estante). era a verdade nua e crua que acabava de cair sobre a minha cabeça e todas as minhas crenças e todos os meus achismos e todas as minhas certezas e todas as minhas emoções. a verdade é que somos naturalmente tão pequenos, tão mínimos, tão ínfimos, somos todos tão sra. michels, sempre nos escondendo ao mesmo tempo em que desejamos ser tão maiores.

reneé michels é zeladora, tem 54 anos e passou a vida toda se escondendo, frustrada por não poder nem fazer nem mostrar tudo aquilo que gostaria. paula schütze vai fazer 32 e todos os dias sente-se profundamente frustrada por não ter se adaptado a tantas coisas da vida: o mundo corporativo, as amizades passageiras e o inútil umbiguismo alheio. tremenda perda de tempo, frustrar-se por causa dos outros. faz parecer que vivo a minha vida num reles piloto automático…

enfim. recomendadíssimo X 2, leiam. e chorem por favor, porque de vez em quando é bom deixar vir à tona para lavar a alma.

os ouriços somos nós.

26 Jan

ourico

este final de semana eu estava na livraria. uma ânsia, uma fome de ler ler e ler. parece que nem todos os blogs do mundo, nem seus três blogs, nem todos os blogs que eu leio, dão conta da minha vontade de ler o tempo todo. acho que é um reflexo da minha vontade não-concretizada de escrever, escrever, escrever. saí dali, fui tomar um café, voltei. precisava de um livro. aí lembrei da elegância do ouriço e não pensei duas vezes. se jana leu e recomenda, então compro de olhos fechados. e lá se foram 115 páginas em apenas um dia… só pra dizer que mesmo a milhas de distância, essas pequenas coisas que existem entre a gente me fazem pensar que a vida é feita disso, dessas pequenas coisas compartilhadas. ainda que por blog, ainda que por e-mail, o gosto pelas coisas. e eu entendo que vc tenha se reconhecido no livro em muitas coisas. e, sem demérito algum. me reconheço também. naquela parte em que ela implica com uma das moradoras porque colocou a vírgula errada no bilhete da lavanderia… ali mais do que tudo, até agora. nem sempre os mais ricos são os mais inteligentes, os mais dotados de humor, ironia, compreensão do mundo. enfim. queria agradecer a dica, furtei sua leitura para dividi-la com vc.
amo!
paula.

e é isso. a dica da janaína somada à minha inexplicável sede por ler sem parar criou um monstro. volto a falar do livro assim que terminá-lo! por enquanto deixo aqui uma das muitas pérolas encontradas lá dentro…

“fora o amor, a amizade e a beleza da arte, não vejo muitas outras coisas capazes de alimentar a vida humana”.
|a elegância do ouriço, muriel barbery|

|foto de Jorge Lourenço|

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