
voltei. acho. fui levada por uma enxurrada de notícias e acontecimentos. minha mãe fala comigo que 2010 está sendo o ano da “zica”: nem tudo foi bom. nem nada foi por acaso. tantas notícias ruins e ainda assim, eu sigo esperando pelas boas. pela tal bonança depois da tempestade.
poderia escrever um texto longo e triste sobre tudo o que aconteceu; mas o fato é que as pessoas mudam e aquela ranzinza rancorosa não mora mais dentro de mim. sofrimento tem prazo pra acabar, não deixo durar mais que o necessário. coisa ruim atrai coisa ruim, aprendi com a minha vó e faço questão de deixar registrado aqui.
o ciclo da vida é, no mínimo, curioso. quando eu era pequena – ou menor, ou mais jovem – as festas em família eram assim: a mesa dos adultos e a mesa dos pequenos. na mesa dos adultos ficavam meus pais, tios e avós. na mesa dos pequenos; eu, meus irmãos e primos. não consigo enxergar uma fase transitória. só sei que de repente sou eu sentada na mesa dos adultos, ocupando as cadeiras daqueles que já se foram. a mesa dos pequenos é ocupada pelos sobrinhos, pelos netos, pelas crianças. pelos pequenos.
a gente que se preocupava em pedir presentes de natal e aniversário agora se preocupa em ter dinheiro pra poder presentear todo mundo. a gente que bagunçava a casa dos outros agora arruma a nossa. a gente que achava que ter trinta e poucos era uma coisa muito adulta e distante agora precisa dar o exemplo. de ser adulto sem ser velho. de ser responsável sem ser chato. a gente já não sabe mais como se dança, a gente se bate com algumas tecnologias, a gente tenta entender o que ensinam pras crianças na escolinha hoje.
a gente ocupa na mesa as cadeiras daqueles que já se foram. e quase esquece como foi dolorido enfrentar tantas partidas. e ainda assim arranja tempo e força pra não deixar que as cadeiras fiquem vazias, porque esse é o ciclo da vida.
