Não sei exatamente o quê define uma música como “velha”. Dia desses li em algum lugar “ouve essa música, é velha, mas é legal” – a música em questão era de 2004. Claro que com toda essa confusão de internet as coisas envelhecem em dias, semanas, mas eu acredito que algumas músicas nunca poderão ser consideradas velhas. Pequeno exemplo, uma das minhas favoritas da vida: Inbetween days (The Cure) foi lançada em 1985, se não me engano. Não consigo ouvir e pensar que é uma música velha. Mas tudo isso é só nome, conceito. Algumas coisas não são velhas, são datadas. Se você ouve Technotronic (eu espero que não) vai lembrar dos anos 90, quando o gadget mais fashion era um walkman Moving Sound da Philips.
Da mesma forma também não sei o que pode definir uma pessoa como velha – além, é claro, da data de nascimento na carteira de identidade. Se eu assumisse os cabelos brancos, passaria à categoria de velha em poucos meses. E antes dos 40. Desde que eu assumi que não tenho mais fôlego para a balada ou programações noturnas intensas durante a semana, já fui tachada de velha incontáveis vezes. A vida é assim: quando você tem dinheiro e liberdade para fazer o que bem entender sem ninguém pegar no seu pé, você está velho demais para aproveitar o lado “jovem” da vida.
E as pessoas nunca observam o que você está fazendo, não te parabenizam pelas conquistas da vida adulta. Preferem te julgar pelas coisas que você está deixando para trás. Como se isso fosse ruim. Já deixei para trás várias coisas de jovem mesmo e nessas horas não me sinto velha, pelo contrário. Indecisão, instabilidade, mesada, balada cheia de bêbados, fila pra ir no banheiro, celular de crédito, dezão de gasolina… não dá pra ser adolescente pra sempre.





