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Inbetween days + 10 reais de gasolina

10 Aug

Não sei exatamente o quê define uma música como “velha”. Dia desses li em algum lugar “ouve essa música, é velha, mas é legal” – a música em questão era de 2004. Claro que com toda essa confusão de internet as coisas envelhecem em dias, semanas, mas eu acredito que algumas músicas nunca poderão ser consideradas velhas. Pequeno exemplo, uma das minhas favoritas da vida: Inbetween days (The Cure) foi lançada em 1985, se não me engano. Não consigo ouvir e pensar que é uma música velha. Mas tudo isso é só nome, conceito. Algumas coisas não são velhas, são datadas. Se você ouve Technotronic (eu espero que não) vai lembrar dos anos 90, quando o gadget mais fashion era um walkman Moving Sound da Philips.

Da mesma forma também não sei o que pode definir uma pessoa como velha – além, é claro, da data de nascimento na carteira de identidade. Se eu assumisse os cabelos brancos, passaria à categoria de velha em poucos meses. E antes dos 40. Desde que eu assumi que não tenho mais fôlego para a balada ou programações noturnas intensas durante a semana, já fui tachada de velha incontáveis vezes. A vida é assim: quando você tem dinheiro e liberdade para fazer o que bem entender sem ninguém pegar no seu pé, você está velho demais para aproveitar o lado “jovem” da vida.

E as pessoas nunca observam o que você está fazendo, não te parabenizam pelas conquistas da vida adulta. Preferem te julgar pelas coisas que você está deixando para trás. Como se isso fosse ruim. Já deixei para trás várias coisas de jovem mesmo e nessas horas não me sinto velha, pelo contrário. Indecisão, instabilidade, mesada, balada cheia de bêbados, fila pra ir no banheiro, celular de crédito, dezão de gasolina… não dá pra ser adolescente pra sempre.

 

Um post, três músicas

30 May

Complicada essa coisa de ficar 30 dias seguidos  postando – eu fico meio (bastante) alheia à internet nos finais de semana. Vai ter que ser atrasado mesmo.

* Day 06 – A song that reminds you of somewhere
Tahiti 80 – The train
Álbum: Wallpaper for the soul
Ano: 2002

Como não achei nenhum vídeo no YouTube, fiz a gentileza de compartilhar neste link aqui. Uma musiquinha deliciosa, sem maiores pretensões, que me lembra a estrada que liga a capital do Chile, Santiago, às localidades de Valparaíso e Viña Del Mar.

* Day 07 – a song that reminds you of a certain event
Pixies – Where is my mind
Álbum: Surfer Rosa
Ano: 1988

Quando a música foi lançada eu tinha apenas 11 anos e devia ouvir Menudos. Mas em 2004 eu já era grande o suficiente para presenciar o show do Pixies em Curitiba e esta parte do show me recordo perfeitamente.

* Day 8 – A song that you know all the words to
James – Laid
Álbum: Laid
Ano: 1993

Meu sonho era poder colocar It´s the end of the world as we know it, do R.E.M. Mas já é difícil lembrar o título inteiro…

I absolutely love you ♥

27 Apr

Poucas músicas no mundo falam de amor tão lindamente quanto Absolute Beginners, do David Bowie. Foi o Sr. Forte que trouxe o Bowie ao nosso playlist por estes dias, me fazendo relembrar de algumas canções e de algumas figuras icônicas (adoro essa palavra) do cenário musical.

Bowie, assim como Robert Smith, fez uma coisa que pouquíssimos conseguem: música sem prazo de validade. Eram ótimas nas décadas de 70, 80, 90, continuam sendo ótimas em 2011 e eu tenho certeza que meus filhos vão achar ótimas.

Esta é uma coisa com a qual me preocupo sempre que penso no futuro. Eu quero que meus filhos escutem as mesmas coisas que eu. O gosto musical fala muito sobre a personalidade de alguém. Se você curte música de péssima qualidade, inevitavelmente vai frequentar lugares ruins e se relacionar com pessoas de péssima qualidade também.

Mas vamos ao que interessa, um vídeo com Bowie e seus lindos cabelos, lisos (no tempo em que ainda nem existia escova progressiva).

Um dos meus trechos favoritos.

If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean
Just like the films
There’s no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
Its absolutely true

(para a letra completa, clique aqui)

Top 2 – é o que tem pra hoje

24 Mar

1. Comidinhas

Houve um tempo na bela Curitiba em que a febre era pedir hamburguinho e cachorroquentinho em grandes quantidades. Tinha um delivery que entregava na sua casa a caixa gigantona, cheia de mini sanduíches pra você fazer a festa com a galera ou com a família. Acho que ainda existe esse delivery na verdade, eu que parei de achar graça e por um motivo bem simples: era só pão e recheio. Pão e vina. Pão e carne. Tinha que ter em casa um arsenal de catchup, mostarda, pimenta e tal. E aí você se pergunta se não era mais fácil e barato ir ao mercado, comprar uns pães bolinha e fazer logo um molho de cachorro-quente do seu gosto. Enfim. Tudo isso pra dizer que tem uma nova versão desse lance aí. Eu e o Sr. Forte provamos. Achamos tão gostoso que inclusive provamos duas vezes.

Se chama Burning Burger – pequenos hambúrgueres, sabores gigantes (apesar de no site estar escrito hamburgues, me deixou meio confusa). É bem simples fazer o seu: você escolhe quantos hamburguinhos quer, escolhe os sabores (todos com curiosos nomes de gente que já vimos/ouvimos por aí), liga e pronto. Os sabores são deliciosos como prometem, a batata frita é do tipo perfeita – crocante e sequinha por fora, aquelas coisas. Honesto. Recomendo.

2. Bay of Pigs

Adoro quando descubro uma banda nova e gosto dela. Foi o caso dessa Destroyer, que nem é tão nova assim. Existe desde os idos anos 90. Quando ouvi pela primeira vez na Accuradio achei que conhecia a voz de algum lugar. E não é que conhecia mesmo? Trata-se de um segundo projeto de Dan Bejar, do New Pornographers. Eu definiria como indie lounge – e é plenamente possível, hoje em dia você apenas CRIA uma categoria musical, caso deseje fazê-lo. Tem barulhinhos, backings femininos, palminhas. E o melhor de tudo: o álbum Kaputt tem uma música que realiza meu grande desejo auditivo. Uma música boa de 15 minutos. Geralmente quando uma música é boa eu ouço até a exaustão, então tenho que ficar colocando no repeat várias e várias e várias vezes. A música bay of pigs tem 15 minutos e várias músicas dentro dela. Eu até criei um link no dropbox pra compartilhar com vocês. Aproveite se for capaz.

Winehouse = casa de vinho?

18 Jan

O ano começou e já estou perdendo coisas – como o show da Amy Winehouse, por exemplo. Acho no mínimo curioso esse povo que paga pra ir no show da AMY e reclama que ela esqueceu a letra, que estava bem doida no palco, que saía de cena e sumia por minutos intermináveis. Quer dizer: as pessoas realmente queriam vê-la cantar? Esperavam o quê? Que a brisa tropical do Brasil revigorasse suas energias e mudasse sua essência? Que o Papai Noel e o coelhinho da Páscoa subissem no palco para cantar we are the world junto com a diva no final? O caso é de simples solução: basta admitir que o que todo mundo queria MESMO, lá no íntimo, era ver apenas isso ao vivo.

Só acho meio caro gastar uma grana pra ver isso, sabe, é só você ir em qualquer baladinha descolê da cidade que tem gente fazendo coisa parecida.

Vamos às contas, porque esse blog tem seu quê de (in)utilidade pública.

Show da Amy: R$ 250,00
Gasolina até Floripa: R$ 100,00. Para ida e volta se seu carro for 1.0 e você não pegar congestionamento na subida.
Pouso: uma noite em Floripa na alta temporada em pousada meia-boca. R$ 120,00
Gasto estimado bruto:  R$ 470,00

Obs: comidas e bebidas são cobradas à parte.

Táxi ida e volta pra um bar descolê de Curitiba: R$ 40,00
Gasto em uma noite com bastante bebida: R$ 60,00
Por apenas R$ 100,00 com bebida inclusa você ouve Rehab na balada com dezenas de Amys ao seu lado. Algumas beijando-se entre si.

Economia global: R$ 370,00

Vou continuar nesse ritmo, porque quero trocar de carro esse ano. Beijotiau.

Três músicas da semana

14 Jan

A primeira semana de trabalho foi intensa. Mas como nem só de trabalho vive o homem (e a mulher), um resumete do que eu ouvi por esses dias. E quem me conhece sabe que quando eu ouço alguma coisa, eu realmente OUÇO. Ouço repetidas vezes, até a exaustão geralmente. E a exaustão demora umas boas semanas. Recomendo para os dias ensolarados que virão. Sim, eles virão… verão. Veremos.

1. Miike Snow, A Horse is not a home.
Essa música me lembra imensamente noites de verão, provavelmente porque eu a descobri recentemente durante as férias. Os moços são suecos e, só soube agora, estiveram no Brasil no ano passado. Mais precisamente num show no Rio que foi financiado pelos fãs da banda, como você pode ler aqui.  Recomendo essa canção para quem gosta de um indie pop dançantezinho, do tipo com vocais que se afinam no refrão.

2. Dr. Dog, Where´d all the time go
Dizem que o álbum dessa canção é de 2010. Mas a psicodelia presente em muitas músicas me faz lembrar a década de 60, onde nunca vivi. Para entender ouça essa aí primeiro, é como uma pílula de teletransporte ao sofrimento e cogumelismo dos artistas da época.

3. McLean vs Florence + The Machine, American days are over
Minha vida mudou no dia 5 de janeiro, quando tentei fechar a pista do James tocando Dog days are over. Já era quase dia e as pessoas estavam na fila para ir embora, mas quando a música começou, aconteceu uma espécie de catarse coletiva. Todo mundo voltou pra pista e começou a pular, cantar e dançar como se não houvesse amanhã. Mês passado, ouvindo o delicioso Stereomood, descobri a versão que mistura bye bye miss american pie com the dog days are over. Tem que ouvir.

O único vídeo que achei de tudo isso aí – se não for removido, assista aqui. Senão, assista no YouTube.

True colors

10 Dec

Um ótimo final de semana, um ótimo final de ano e uma ótima VIDA para todo mundo. Menos verdades absolutas, menos amarguras, mais fofices e mais paciência com o mundo. Se “nenhum homem é uma ilha” é sempre bom lembrar que não estamos sozinhos e que são as pessoas à nossa volta que fazem do mundo um lugar melhor. Se nem assim você se sentir melhor, ouça isso:

You with the sad eyes
don’t be discouraged
oh I realize
it’s hard to take courage
in a world full of people
you can lose sight of it all
and the darkness inside you
can make you fell so small

But I see your true colors
shining through
I see your true colors
and that’s why I love you
so don’t be afraid to let them show
your true colors
true colors are beautiful
like a rainbow

Show me a smile then
don’t be unhappy, can’t remember
when I last saw you laughing
if this world makes you crazy
and you’ve taken all you can bear
you call me up
because you know I’ll be there

And I’ll see your true colors
shining through
I see your true colors
and that’s why I love you
so don’t be afraid to let them show
your true colors
true colors are beautiful
like a rainbow

especial para a Jana, por quem eu descobri isso. amor corta-oceano.

pessoas que você talvez (des)conheça

3 Dec

De uns dias pra cá o Facebook (ou “caralivro” como diz a helleng) tem me sugerido cada coisa no “pessoas que talvez você conheça” que olhe… só por deuspai mesmo! Tá mais pra “pessoas que um dia você conheceu”, ou “pessoas que você já não reconhece” ou “pessoas que você conhecia mas não faz a menor questão de ter no facebook.

Porque a vida é assim minha gente, e sabemos há milênios: dizem por aí que as amizades verdadeiras permanecem mas eu discordo. Aos 33 eu posso estimar que mesmo quando a gente acha que ninguém mais vai entrar na nossa vidinha mundana, é possível conhecer pessoas legais e fazer amigos que valem à pena. E que aquelas que não ficaram por aqui, por um motivo ou outro, também devem estar felizes em suas novas vidas, com seus novos amigos e ponto. Não precisa vir o Facebook me lembrar delas né? Se foram esquecidas é porque fizeram por merecer.

E pra todo mundo ter um final de semana feliz eu recomendo essa música aí. Aliás, hoje andando pela rua no bafo agradável de Curitiba eu me senti extremamente feliz ouvindo isso. E pensei que as pessoas mais amargas que conheço não tem o hábito de ouvir música. Ou tem um péssimo gosto musical.

sendo bem prática e realista…

23 Nov

Shows que eu queria ter visto em 2010

Kings of Leon. R$ 240 no SWU

Phoenix. R$ 250 no Planeta Terra

Snow Patrol. R$ 200 no festival Natura

Paul McCartney. R$ 350

Somando 240 + 250 + 200 + 350 = R$ 1.040 economizados em ingressos que não comprei.

Bota aí mais uns 800 reais entre passagens, hospedagens e gastronomia. Vezes 4 viagens:  R$ 3.200

Total: R$ 4.240,00

Fazendo essa conta aproximada, já que eu não me lembro o valor exato dos ingressos e também não executei as viagens pra ter certeza que os gastos seriam só esses, eu economizei algo como 4 mil reais. Perdi de ver bandas que eu gosto muito, de ter experiências musicais, gastronômicas e turísticas que com certeza não tem preço. Acredito mesmo que a vida é feita de momentos e eu perdi vários deles. Fiquei de fora do frisson e do hype. Tive que assistir os shows em casa sem sentir a pele arrepiar. E acompanhar o zunzunzun nas “redes sociais” como se eu vivesse em outro planeta. Afinal todo mundo tem grana e é descolado. Mas a vida é feita de objetivos e um deles é manter a saúde da minha conta corrente enquanto eu não sou rica.

O hype é ser rude

15 Oct

Acho que já falei 547.364 vezes aqui que eu não acho mais que rabugice é uma coisa bonita. Concordo que todo mundo tem do que reclamar, que uma reclamaçãozinha aqui e outra ali faz parte da vida e até alivia. Mas agora parece que reclamar é chique. Falar mal is the new black.

Vejam: geral saiu falando mal do SWU. Neste caso, entendo por “geral” os blogueiros enviados pelos principais portais para fazer a cobertura do festival. Não sei se são jornalistas – e se são, sem demérito da classe blogueira, da qual inclusive faço parte, estão mais para escritores de blog do que para formados em jornalismo, função que exige domínio da língua portuguesa.

O que observei nos “grandes portais” foi uma sucessão de posts ruins, mal editados e com erros crassos de português. Desculpa: uma coisa é eu cometer um errinho aqui no meu blog, lido diariamente por 64 pessoas. Outra coisa é você escrever “paralizar” no blog do Estadão, da Folha, do Uol ou do Diabo QTC.

Pelos poucos relatos verídicos a que tive acesso (entenda por verídicos os relatos das pessoas normais, como a gente, que estiveram no SWU) as coisas não estavam tão ruins assim. Não é de se estranhar que num festival com 150 mil pessoas houvesse fila para alguma coisa, xixi ao ar livre e banho de 7 minutos. Também não é de se admirar que um cachorro quente custasse 8 reais. Quem não tinha dinheiro pra pagar 8 reais num dogão tirou daonde a grana preta pra comprar ingresso?

Agora vamos aos fatos. Uma das bandas mais malhadas foi o Kings of Leon, considerada uma das principais atrações do festival SWU. Não vou simplesmente sair em defesa da banda (eu não ganharia nada por isso, afinal) e já disse aqui que o KOL nunca me conquistou assim, de primeira. Mas geral acha que, só porque Use Somebody foi parar no rádio, a banda agora é pop. Geral pagou uma grana pra passar friaca numa fazenda, tomando banho de 7 minutos e pagando 8 reais num cachorro-quente. E aí fica frustrada porque a “promessa” da noite subiu ao palco, tocou lá suas vinte músicas e foi só isso. Eu acho que uma banda não pode ser culpada pela burrice alheia. O festival não era um festival indie, muito menos um festival para músicos, apreciadores da arte e entendidos do assunto. O SWU era uma junção de bandas para todos os gostos. Um festival ECLÉTICO. E quem me conhece sabe o que eu penso de ecléticos: quem gosta de tudo não gosta de nada.

Eu achei o show do Kings of Leon fodaço. Verdade que o ambiente me favoreceu: eu estava no sofá da minha casa, jantando comida boa e com acesso livre ao banheiro. Eu vi a banda de perto, ao contrário de quem estava lá e assistiu umas formiguinhas num palco longínquo tentando agradar uma multidão que, em essência, era eclética. Tentando agradar uma galera que poucas horas antes tinha pulado ao som de Jota Quest, cantando “Na Moral” em alto e bom som.

Eu achei o show do Kings of Leon fodaço², achei os vocais impecáveis (o cara tem aquele gogó mesmo, não é produção de estúdio que faz a diferença), os caras tocam pra caralho. Mas não, né? Eles precisam, além de tudo, ser simpáticos. Porque a galera comprou ingresso pra fazer festa e ver simpatia, e não pra ver bandas boas fazendo aquilo que elas fazem bem. É isso aí, gente, show bom deve ter sido o do…


Atenção atenção! Macacada reunida…

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