Acho que já falei 547.364 vezes aqui que eu não acho mais que rabugice é uma coisa bonita. Concordo que todo mundo tem do que reclamar, que uma reclamaçãozinha aqui e outra ali faz parte da vida e até alivia. Mas agora parece que reclamar é chique. Falar mal is the new black.
Vejam: geral saiu falando mal do SWU. Neste caso, entendo por “geral” os blogueiros enviados pelos principais portais para fazer a cobertura do festival. Não sei se são jornalistas – e se são, sem demérito da classe blogueira, da qual inclusive faço parte, estão mais para escritores de blog do que para formados em jornalismo, função que exige domínio da língua portuguesa.
O que observei nos “grandes portais” foi uma sucessão de posts ruins, mal editados e com erros crassos de português. Desculpa: uma coisa é eu cometer um errinho aqui no meu blog, lido diariamente por 64 pessoas. Outra coisa é você escrever “paralizar” no blog do Estadão, da Folha, do Uol ou do Diabo QTC.
Pelos poucos relatos verídicos a que tive acesso (entenda por verídicos os relatos das pessoas normais, como a gente, que estiveram no SWU) as coisas não estavam tão ruins assim. Não é de se estranhar que num festival com 150 mil pessoas houvesse fila para alguma coisa, xixi ao ar livre e banho de 7 minutos. Também não é de se admirar que um cachorro quente custasse 8 reais. Quem não tinha dinheiro pra pagar 8 reais num dogão tirou daonde a grana preta pra comprar ingresso?
Agora vamos aos fatos. Uma das bandas mais malhadas foi o Kings of Leon, considerada uma das principais atrações do festival SWU. Não vou simplesmente sair em defesa da banda (eu não ganharia nada por isso, afinal) e já disse aqui que o KOL nunca me conquistou assim, de primeira. Mas geral acha que, só porque Use Somebody foi parar no rádio, a banda agora é pop. Geral pagou uma grana pra passar friaca numa fazenda, tomando banho de 7 minutos e pagando 8 reais num cachorro-quente. E aí fica frustrada porque a “promessa” da noite subiu ao palco, tocou lá suas vinte músicas e foi só isso. Eu acho que uma banda não pode ser culpada pela burrice alheia. O festival não era um festival indie, muito menos um festival para músicos, apreciadores da arte e entendidos do assunto. O SWU era uma junção de bandas para todos os gostos. Um festival ECLÉTICO. E quem me conhece sabe o que eu penso de ecléticos: quem gosta de tudo não gosta de nada.
Eu achei o show do Kings of Leon fodaço. Verdade que o ambiente me favoreceu: eu estava no sofá da minha casa, jantando comida boa e com acesso livre ao banheiro. Eu vi a banda de perto, ao contrário de quem estava lá e assistiu umas formiguinhas num palco longínquo tentando agradar uma multidão que, em essência, era eclética. Tentando agradar uma galera que poucas horas antes tinha pulado ao som de Jota Quest, cantando “Na Moral” em alto e bom som.
Eu achei o show do Kings of Leon fodaço², achei os vocais impecáveis (o cara tem aquele gogó mesmo, não é produção de estúdio que faz a diferença), os caras tocam pra caralho. Mas não, né? Eles precisam, além de tudo, ser simpáticos. Porque a galera comprou ingresso pra fazer festa e ver simpatia, e não pra ver bandas boas fazendo aquilo que elas fazem bem. É isso aí, gente, show bom deve ter sido o do…

Atenção atenção! Macacada reunida…