Tag Archives: jumento

curitibando.

20 Aug

amo minha cidade. mesmo com todos os seus defeitos. suas calçadas de petit-pavé que destroem nossos sapatos, seu trânsito demi-caótico com seus motoristas afobadinhos. olhando daqui do 15o. andar, consigo amá-la ainda mais: o desenho dos prédios no horizonte, o céu cinza em movimento, as pessoas confusas com o quê usar em dias assim. amo curitiba e seu festival de guarda-chuvas se degladiando pela rua XV e o pedacinho de céu azul que surge por detrás dos prédios quando menos se espera. que poética essa cidade!
o que estraga são os curitibanos. eu gostava era dos curitibanos frios, fechados, aquele curitibano típico de quem tanto se fala… aonde foram parar?

o curitibano de hoje é um grande idiota. vive numa cidade privilegiada: limpa, plana, organizada. um dos melhores transportes públicos do brasil. um dos climas mais amenos (hahaha, tento acreditar nisso). não satisfeito com tudo isso, com a discrição que é viver numa cidade assim, o curitibano quer mais. quer aparecer, causar furor, passar por ridículo.

primeiro foi a gripe. curitibano é tão trouxa que os e-mails falsos sobre o assunto viraram manchete nacional: “em curitiba, milhares de cidadãos foram enganados por e-mails falsos que circulavam na rede”. ainda é possível, andando pela rua, ver uma meia dúzia de gatos pingados usando máscara cirúrgica. se quisessem se prevenir da gripe, deveriam cuidar melhor da própria higiene ao invés de sair por aí desfilando com o rosto coberto como se estivéssemos perto do fim do mundo.

agora que passou o momento desesperadinho da gripe, a nova onda é comentar a lei anti-fumo. curitibano não se contenta com nada. o fumo foi proibido e pronto, taí o que todo cidadão saudável e politicamente correto queria. mas não, eles querem mais: querem discutir o assunto à exaustão nos elevadores, nas ruas, nos ônibus. ontem mesmo ouvi duas senhoras papeando e uma delas dizia: “acho bom mesmo, fumantes porcos, tem mais que se lascar”. hein? veja bem: não vou discutir aqui se fumar é bom ou ruim (todo mundo já sabe a resposta, né?). nem comentar se a lei veio cedo ou tarde, o fato é que ela está aí. o que eu quero falar mesmo é que curitibano é uma raça provinciana demais para conviver com qualquer coisa grandiosa, seja uma pandemia ou uma lei previsível feito a do cigarro.

curitibano tem o dom de transformar tudo num circo, e é nesse circo que aparece sua mais marcante característica. não é a frieza, a antipatia. é a pura falta de educação. curitibano é o cara que não cede lugar pra velhinho em ônibus, que usa máscara cirúrgica pra poder espirrar na cara dos outros sem culpa e que usa a lei anti-fumo como desculpa pra xingar fumante.

tiau.

tuins.

17 Apr

saí de casa para caminhar a esmo e aproveitar o dia fresco e ensolarado.

no meio do caminho fui atropelada por uma mulher – à pé – que carregava um imenso arranjo de flores em frente à sua cara. aquilo lhe tapava toda a visão de modo que, além de mim, ela deve ter atropelado outras coisas e pessoas no caminho.

- desculpe, moça.

nunca a resposta mal-educada “olha por onde anda” cairia tão bem. a grande merda é que eu ainda sou uma idiota educadinha.

tuins.

10 Apr

depois de uma semana um tanto quanto estressante – coisa que não deveria acontecer nas férias! – fui acordada hoje às oito da manhã pela minha chefe. sim, hoje mesmo, sexta-feira da paixão de cristo, feriado.

juro que estou tentando manter a sanidade…

eles, os estagiários.

13 Mar

essa escutei faz tempinho já, mas lembrei hoje sei lá porque. então tô lá atrás – lugar que agora chamo de rabo-do-prédio - no mocó abafado onde é permitido fumar. o rabo-do-prédio, aliás, merece um post só pra ele num outro dia.

mocinha trajando uniforme de corretora de câmbio conversa com senhora de cinqüenta e poucos.

- eu falei pra ele: você precisa decidir se vai ter expediente de tarde na quarta-feira de cinzas. os estagiários precisam saber disso.

fiquei pensando meudeus, que empresa maravilhosa é essa onde os estagiários sabem das coisas antes de todo mundo, onde os estagiários são o centro do mundo.

- porque quando eu era estagiária nunca trabalhei em quarta de cinzas. fui quatro anos estagiária…

nessa hora me dividi entre a pena de uma criatura que viveu quatro anos na condição de estagiária no mesmo lugar; e a sorte de ser estagiário lá, com cinco dias inteiros de folga – ou de folia, mais apropriado quando se tem a idade de um estagiário.

- eu falei e repeti pra ele, os meninos precisam saber porque precisam combinar as caronas para suas viagens.

então pensei com o botão de meu isqueiro verde: é por isso que estagiário é estagiário e é por isso que lá vive-se quatro anos nessa condição. agendar a carona de um carnaval é tão importante a ponto de determinar o expediente de toda uma empresa. e é assim que o brasil tá do jeito que tá e fica do jeito que fica e estagiários são estagiários por quatro anos.

hoje acordei inspirada! não me lembro de ter postado 8h34 da manhã em passado recente….

|ouvindo Spoon – You´ve got Yr cherry bomb|

alou.

12 Mar

chegará um tempo em que o telefone será uma coisa obsoleta no ambiente de trabalho (espero que seja logo). o fixo mesmo, aquele com fio que fica sobre a sua mesa, e que você corporativamente carinhosamente chama de “meu ramal”.

vejamos quem são as pessoas que ligam para um ramal.

1. candidatos a fornecedores. não perguntam se você está ocupada no momento, apenas desandam a falar por três longos minutos para, no final, perguntar quando é que podemos marcar uma reunião, para a apresentação ao vivo. e também pra gente se conhecer, estabelecer um contato, hein. ah sim, tô com tempo de sobra pra ter reuniões com pessoas que não conheço para ser apresentada a produtos que não utilizo.

2. fornecedores. ligam periodicamente para dar uma pescoceada, perguntar como estão os trabalhos e se você não precisa de nenhum orçamento. acho que se eu precisasse eu teria pedido, hein.

3. os perdidos. ué? não liguei no ramal da soninha? não, caso contrário a soninha teria atendido.

4. os cdfs.
- queria falar com a mariazinha.
- a mariazinha não está na sala no momento, vou deixar um recado para que retorne sua ligação.
- sabe o que é? é que a mariazinha ficou de me passar a confirmação de um projeto sbrubles para que iniciássemos o módulo xpto de wyz. eu estou com o fornecedor na outra linha e para começar o projeto ele precisa do ok da mariazinha, que estaria no e-mail. só que eu não recebi o e-mail da mariazinha…
- a mariazinha não está na sala.
- mas você sabe se ela vai me passar o e-mail hoje?
carambolas. eu não sou a mariazinha!

não sei se acontece com todo mundo… ou se meu ramal que é mal frequentado mesmo.

|ouvindo i gotta have it – jace everett|

não quer ver umas meias?

10 Mar

como reclamar de call center já virou lugar comum, hoje retorno a outro lugar comum: vendedores chatos. entendo que os comissionados são os piores, assim como eles deveriam entender que eu, consumidora pobre, também sou das piores. sou daquelas que entram na loja pra olhar, revirar as araras e, com sorte, levar uma única peça – preferencialmente da liquidação.

ontem precisei enfrentar junto com namorado uma das piores na categoria “loja cheia de vendedores insistentes”. de vez em quando olho as vitrines, tenho vontade de entrar, fuçar nas araras e comprar coisa ou outra. então lembro dos vendedores que habitam essa loja em específico e desisto.

namorado- estou procurando uma calça para presentear minha irmã
vendedora – legal, que número ela usa?
namorado – 40
vendedora – tenho essas aqui penduradas

namorado olha, olha, mas antes mesmo de escolher 2 ou 3 modelos, vendedora já está no estoque buscando toda e qualquer calça jeans tamanho 40 que veja pela frente. desce escadinha carregada de roupas.

– tá sabendo da promoção?
– sim, mas vim só comprar uma calça
vendedora (que nessa hora é elevada à categoria de) chata: – então, mas se você comprar duas peças, leva a terceira de valor igual ou menor.
– legal, mas hoje vim comprar só a calça
– mas tá valendo a pena. se você levar cinco peças, leva mais três de valor igual ou menor
– sim, tá valendo a pena mas hoje eu só quero a calça
– você pode montar um kitzinho… uma camisetinha básica. aí leva mais uma peça na promoção

eu e namorado nos concentramos em outro assunto para evitar o desgaste daquela relação recém-iniciada. em dúvida entre dois modelos, olhamos os bolsos, costuras, barras, cortes das calças.

- já escolhi. vou levar essa
- não quer levar as duas? se você levar as duas você pode ganhar uma terceira. pensa só, você pode escolher uma pra você
- não, obrigado. hoje vou levar somente essa
- olha, leva as duas, tá valendo muito a pena. faz assim: escolhe uma camiseta pra combinar. aí você leva as três peças e ganha outras duas
- estou com pressa – (ficando impaciente)
- rapidinho, eu separo algumas coisas pra vocês, vocês provam e levam
interfiro:não temos dinheiro. vamos levar essa
– ah mas você pode parcelar no cartão de crédito em quantas vezes quiser
- hoje é só a calça mesmo
- veja, você leva as duas e uma terceira peça na promoção. pode até ser uma cueca. de repente tá precisando de cueca…

então a vendedora passou de chata a insolente em questão de minutos. quem é ela pra dizer se MEU namorado precisa de cuecas ou não? me poupe.

quem se irritou só de ler bota o dedo aqui! que eu vou enfiar todos esses dedos no olho da menina.

work work work.

16 Feb

vamos resumir e encarar as coisas da seguinte forma. sim, todo trabalho é chato. é o que dizem por aí, mas um dia ainda vou publicar aqui a lista dos trabalhos que du.vi.do que sejam chatos.

todo trabalho é chato porque, entre outras coisas, vai te colocar dentro do mesmo ambiente que pessoas que não têm nada a ver com você. você vai ter que falar com essas pessoas, trabalhar com essas pessoas, conviver com essas pessoas, escutar asneiras dessas pessoas, perceber burrices dessas pessoas, engolir sapos dessas pessoas, e ainda por cima, sorrir para essas pessoas. caso contrário, já sabe, o chato do trabalho será você.

mas isso tudo todo mundo entende e todo mundo já sabe – pelo menos seus semelhantes. o que os outros nem sempre conseguem captar é a essência real do problema. ou seja, o trabalho poderia ser essa merda completa se, ao menos, você aprendesse coisas novas periodicamente. se você se sentisse exausto porém realizado de alguma forma. o que complica é quando a sua visão de “realização” é imaginar o dia em que poderá, finalmente, mandar algumas pessoas à merda.

gente, concordem, tem algo muito errado aí. realização profissional deveria ser trabalhar fazendo aquilo que se gosta, e eu não posso dizer que gosto de mandar os outros tomarem no c*…

de volta ao planeta dos macacos.

3 Feb

Turistas alemães são detidos após tirar a roupa em aeroporto da Bahia

Segundo a delegada Maritta Souza, os turistas disseram que não acharam que a troca de roupas incomodaria as pessoas presentes no local. No depoimento, os alemães declararam ter pensado que trocar de roupas em público era algo comum no país, dado o comportamento dos brasileiros nas praias.

como disse o Grilo, há praias no mundo todo. em todo o mundo as pessoas vão à praia de sunga e biquíni. fico imaginando o que há de “propício” dentro de um aeroporto para que eles tenham se sentido assim, tão à vontade. um mundo de lajotas, guichês, pessoas e malas. não, não justifica. nada justifica tirar a roupa no meio do aeroporto deixando pêlos e pelancas à mostra. mas nah, eles não imaginaram que as pessoas iriam se incomodar. puxa vida! é por isso que aqui no brasil todo mundo arrota, peida e fica nu em público: quem se incomoda, não é mesmo? isso pra mim tem nome e sobrenome: Velhos Preguiçosos.

que beijinho doce…

7 Jan

isso que dá não acompanhar novela desde o começo: depois de meses, só agora fui saber que faísca & espoleta são as culpadas por toda a desgraça n´a favorita. quando eu digo que sertanejo é a escória do mundo…

la mala educación.

25 Nov

onze dias sem escrever. um pouco por preguiça, um pouco por falta de prática. começar a casa em outra casa. será que tem alguém lendo isso aqui?

novidades dos últimos onze dias: vou ser uma pessoa educada. quer dizer, educada eu sou, mas quero ser a senhora educação. como é feio gente mal educada, precisei sentir a má educação alheia pra querer me tornar alguém melhor. você pode ter tudo na vida, dinheiro, status, poder, 58 kg, mas se você for mal educado isso acaba com você. acredite em mim, é muito feio. posso não ser lembrada por nada nesse mundo, pelo que eu escrevo, pelo meu trabalho, whatever: quero que pensem em mim como uma pessoa educada!

um cidadão que pisa no pescoço dos outros é logo chamado de jumento. e mulher mal educada então? “mal comida”, é o que você vai pensar quando cruzar com uma dessas. e eu não quero ser esse tipo de gente, não sou jumenta nem mal comida, tenho bacharelado e pós-gradução, boa educação é requisito básico pra viver em sociedade. e como bem sabemos: ninguém vive sozinho neste mundo.

então é isso. meu nome é paula schütze e eu sou um primor no quesito educação.

boa noite a todos e até a próxima!

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