amo minha cidade. mesmo com todos os seus defeitos. suas calçadas de petit-pavé que destroem nossos sapatos, seu trânsito demi-caótico com seus motoristas afobadinhos. olhando daqui do 15o. andar, consigo amá-la ainda mais: o desenho dos prédios no horizonte, o céu cinza em movimento, as pessoas confusas com o quê usar em dias assim. amo curitiba e seu festival de guarda-chuvas se degladiando pela rua XV e o pedacinho de céu azul que surge por detrás dos prédios quando menos se espera. que poética essa cidade!
o que estraga são os curitibanos. eu gostava era dos curitibanos frios, fechados, aquele curitibano típico de quem tanto se fala… aonde foram parar?
o curitibano de hoje é um grande idiota. vive numa cidade privilegiada: limpa, plana, organizada. um dos melhores transportes públicos do brasil. um dos climas mais amenos (hahaha, tento acreditar nisso). não satisfeito com tudo isso, com a discrição que é viver numa cidade assim, o curitibano quer mais. quer aparecer, causar furor, passar por ridículo.
primeiro foi a gripe. curitibano é tão trouxa que os e-mails falsos sobre o assunto viraram manchete nacional: “em curitiba, milhares de cidadãos foram enganados por e-mails falsos que circulavam na rede”. ainda é possível, andando pela rua, ver uma meia dúzia de gatos pingados usando máscara cirúrgica. se quisessem se prevenir da gripe, deveriam cuidar melhor da própria higiene ao invés de sair por aí desfilando com o rosto coberto como se estivéssemos perto do fim do mundo.
agora que passou o momento desesperadinho da gripe, a nova onda é comentar a lei anti-fumo. curitibano não se contenta com nada. o fumo foi proibido e pronto, taí o que todo cidadão saudável e politicamente correto queria. mas não, eles querem mais: querem discutir o assunto à exaustão nos elevadores, nas ruas, nos ônibus. ontem mesmo ouvi duas senhoras papeando e uma delas dizia: “acho bom mesmo, fumantes porcos, tem mais que se lascar”. hein? veja bem: não vou discutir aqui se fumar é bom ou ruim (todo mundo já sabe a resposta, né?). nem comentar se a lei veio cedo ou tarde, o fato é que ela está aí. o que eu quero falar mesmo é que curitibano é uma raça provinciana demais para conviver com qualquer coisa grandiosa, seja uma pandemia ou uma lei previsível feito a do cigarro.
curitibano tem o dom de transformar tudo num circo, e é nesse circo que aparece sua mais marcante característica. não é a frieza, a antipatia. é a pura falta de educação. curitibano é o cara que não cede lugar pra velhinho em ônibus, que usa máscara cirúrgica pra poder espirrar na cara dos outros sem culpa e que usa a lei anti-fumo como desculpa pra xingar fumante.
tiau.