meu celular partiu dessa pra melhor dias atrás. hoje foi o ipod ultra-mega-uber-generation do diego que deu piripaque. e aí, claro, é como se nos arrancassem a unha do dedão do pé, de tão dependentes que somos desses pequeninos aparatos tecnológicos.
minha mãe, solícita que só ela, me emprestou o “celular reserva” da família schütze. que celular tem a rodo no mundo, basta você ter dinheiro na hora para escolher um. ou fazer uma compra nas casas bahia, que foi o que aconteceu com a minha mãe. dona claudete comprou qualquer coisa lá – pode ter sido uma mesa de centro, uma batedeira, uma poltrona reclinável, vai saber – e ganhou um aparelho celular. desbloqueado, de modo que pude colocar meu CHIPEEE PEDROOOO e desfrutar de todas as funções que um celular-brinde das casas bahia oferece.
- mas ele faz ligação, filha?
- faz.
- e manda torpedo? (minha mãe é do tempo do torpedo, se falar SMS ela não vai entender)
- manda sim.
- e o que mais você precisa?
tuduchi. na verdade, na verdaaaaade mãe, eu não precisaria de mais nada. assim como o diego também não PRECISAVA de um ipod de penúltima geração (já devem ter lançado um mais moderno, né). assim como não precisamos de forno microondas, chuveiro a gás, cama box, tênis com amortecedor. assim como ela mesma, a minha mãe, não precisava de um carro com um porta-malas enorme. “é pra viajar”, ela diz. pergunta: quantas vezes no ano minha mãe viaja? pois é… e ainda leva a bagagem dela e do cachorro, um vira-latas de 13 anos que possui: 1 cobertor, 2 tigelas (sendo uma para líquidos e outra para sólidos) e 1 almofada de dormir.
mas, voltando: com a maior cara de tacho do mundo, configurei o celular-brinde, com quem tenho dividido o mesmo teto desde a tarde de ontem. ele tem 5 opções de campainhas, 3 papéis de parede. não toca mp3, mas tem lanterna, vejam só; o outro não tinha. agora eu posso perder coisas na rua no escuro!
resumo da ópera: somos absurdamente dependentes de coisas que não precisamos. pelo menos na teoria. nas cavernas o homem vivia somente com um tacape e uma folha cobrindo as partes baixas. só que esse é o discurso mais clichê-demodê-sem efeito da face da terra. se você acha que viveria com um tacape e uma folha, posso te indicar umas cavernas bacanas pra morar, sem água e energia, perto de lugar nenhum e com vista para o nada.
não sei quanto a vocês, mas eu preciso de um celular que toque música, tire foto, receba e-mail, esquente o café, compre pão e descongele o freezer. todos precisam! disso e de ipods para ouvir música no último volume sem incomodar o vizinho. de notebooks para poder escrever na sala ou na cama, antes de dormir. de microondas para fazer pipoca de pacote. de tênis com amortecedores para as caminhadas que nunca damos, já que estamos sempre ocupados com as coisas que temos…
fim!
|aula de português: o acento agudo em anéis, no título do texto, continua existindo. trata-se de um ditongo em palavra oxítona. isso significa que a vinheta da warner onde aparece escrito bem grande “herois” está errada. e sim, eu estou estudando a nova ortografia, pelo houaiss. tenham um bom dia.|