Duas coisas que eu deveria fazer aos 33: dirigir e comer usando hashi (não ao mesmo tempo). Mas simplesmente não consigo, ou melhor, não consigo fazer com a mesma habilidade que a maioria das pessoas.
Tenho alguns problemas com técnicas manuais/corporais. Por isso nunca fui muito afeita às atividades artesanais, exceto as obrigatórias no jardim de infância – que, a bem da verdade, só serviam pra verificar se estava tudo bem com meu desenvolvimento psicomotor. Fora isso, ladeira abaixo: já quebrei pé, dedinho do pé, dedo da mão, lesionei o menisco do joelho direito durante um carnaval (prova de que também não nasci pra sambar).
A questão de dirigir é um tanto complexa. Quando estava no auge da vontade de dirigir, fazendo auto-escola e tudo mais, não tinha carro. Minha mãe tinha mas me deixava, muito raramente, treinar o suficiente para passar no exame do Detran. Deu certo. Tirei a carteira logo no primeiro teste. Depois disso foi uma dificuldade convencer a dona do carro a apenas largá-lo nas mãos de uma pós-adolescente em êxtase com a recém-conquistada CNH. Também nunca pedi um carro, de modo que os anos foram passando e eu continuei andando de ônibus, táxi ou carona – cada ocasião, um meio de locomoção.
A vontade de dirigir passou e se é verdade que quando ficamos mais velhos, ficamos mais cagões responsáveis, tá tudo explicado. Assumir a direção de um carro virou um sofrimento. O coração dispara, as mãos suam e as sobrancelhas se encolhem instantaneamente. Sempre acho que o motor vai morrer na hora em que o sinal abre, que o carro de trás vai me dar um xingão, passar por cima de mim e buzinar por um quilômetro, praguejando contra a laia de maus motoristas. Para dirigir, minha situação ideal seria uma cidade deserta. Somente eu e meu carro. Como esse lugar não existe, vou fazendo as aulas práticas em finais de semana. Teoricamente, é quando tem menos movimento nas ruas. Na prática, é quando todos os maus motoristas se reúnem – aqueles que ocupam duas pistas, aqueles que dirigem lentamente, aqueles com pouca prática. E aqueles como eu, que são um combo disso tudo.
Mas 2011 é o ano de ousar, de encarar desafios (li isso em algum lugar). Decidi que desse ano não passa: vou dirigir meu próprio carro nem que isso me custe mais duas dezenas de fios de cabelo branco. Resultado? Já fui até a Praça da Espanha, enfrentando a malemolência dos motoristas procurando vagas e dividindo a rua com senhorinhas que não olham antes de atravessar. No último domingo dirigi escoltada até o bairro Cachoeira (procure no Google maps, é longe!), na mesma rua em que circulam, além de carros, motos e ônibus. Vitória!
Próxima meta: sair da rampa da garagem sem deixar o carro deslizar ladeira abaixo. A outra é aprender a usar o hashi. Mas fica pra outro dia.
Um abraço pro Sr. Forte e sua imensa demonstração de coragem amor ao ficar no banco do passageiro enquanto estou ao volante.