O problema da minha família é que não passo um almoço/jantar/churrasco/evento aleatório sem que alguém solte o clichê master: “mas e aí, quando vocês vão ter o de vocês?”. No caso, o = bebê, filho, criança. Eu já devo ter falado sobre isso em diversos posts no passado, e já dei todo tipo de resposta polida aos meus familiares. Mas existe alguma espécie de bloqueio em relação ao nosso “agora não”.
Já ouvi como resposta coisas assim: “você nunca sentiu amor igual ao amor de uma mãe pelo seu filho, é incondicional”. E é bem verdade, eu nunca senti mesmo – afinal, eu não tenho filhos. Imagino que seja um amor bonito. Feio mesmo é menosprezar os outros amores que eu sinto na minha vida, como se eu não fosse humana ou apaixonada o suficiente. Muitas pessoas têm pencas de filhos sem que, no entanto, tenham vivido um grande amor, um grande romance.
E eu prezo muito mais o romance, porque este sim é incondicional. Você não pariu aquela pessoa e precisa amá-la por causa disso. Você ama porque ama, você não tem controle nem obrigação sobre aquilo. Você apenas ama, você ama tanto que o seu coração dói só de olhar a pessoa dormir. Você ama pela parceria, pelas pequenas coisas, pelas qualidades e pelos defeitos também. Você ama porque sabe que vai cuidar daquela pessoa pra sempre, porque ela também estará ali sempre para você.
Você ama porque ela entende seu tempo, respeita seu espaço, conforta suas angústias, suporta os dias ruins. Você ama tanto que, quando ela sofre, você sente seu coração despedaçar junto. Você ama porque ela te faz rir, chorar, porque gosta das mesmas coisas que você, e também porque gosta de coisas diferentes – você ama porque, com ela, aprende um pouco a cada dia. Você ama porque juntos fazem planos, esquentam os pés nos dias frios, dividem a cerveja nos dias de verão. Você ama porque sua vida faz muito mais sentido cada vez que ela está perto. Você ama porque, por causa dela, chegar em casa é sempre o melhor momento do dia. Você ama durante o banho, enquanto dorme, enquanto come, quando acorda, quando dirige, de manhã, de tarde, de noite, quando pisca, quando respira – e se isto não é amor incondicional, me digam o que é.