Tag Archives: escritos

Pq vc ñ faz assim tb?

18 Aug

Um hábito que adotei nos últimos meses: me comportar melhor por escrito. Na vida pessoal e na profissional. Reviso todo e qualquer email ou mensagem de Facebook, sempre preocupada em escrever você em vez de vc, também no lugar de tb, porque no lugar de pq.

Sinto que dei uma bela regredida quando mudaram as regras da língua portuguesa. E não porque mudaram tanto assim, mas porque estou ficando velha e já não tenho mais tanta certeza sobre coisas que eu tinha antes. Então me esforço para, pelo menos, fazer certo aquilo que ainda sei. E eu tenho certeza que VC não é uma pessoa; e sempre que leio TB eu pronuncio mentalmente TEBÊ - e aquilo não faz sentido em nenhum contexto.

Também tenho colocado olá, oi, bom dia, boa tarde, boa noite no começo dos emails e obrigada, atenciosamente, beijo, abraço, no final da cada um deles. Quando eu era pequena, meus pais e professores me ensinaram que era assim que a gente devia se comunicar com as pessoas. Não precisa ser efusivo, apenas precisa expressar o básico: que você tem um pingo de polidez.

Pra mim, escrever VC, TB, PQ, TVZ significava apenas uma coisa, que eu tinha preguiça de escrever uma palavra inteira. Eu amo escrever. Seria idiota de minha parte começar a suprimir da minha vida a coisa que eu mais amo: palavras.

Obrigada.

(hahaha)

home is where your heart is.

18 Jan

eu poderia dizer que meu 2010 está começando agora – já que as férias acabam dentro de poucas horas. mas seria injusto. o ano já começou sim, e se eu fosse um pouco mais ousada, diria que foi antes mesmo de 2009 acabar, quando assumi que era hora de mudar e largar de vez aquela vidinha atrás de uma mesa de escritório que me fazia infeliz há algum tempo.

mas no meio disso – o fim de uma era, o começo de outra – foram férias inesquecíveis. o descanso merecido, aquele verdadeiro, de esvaziar a cabeça mesmo. pra começar tudo de novo, “limpinha”, leve e feliz.

viagens longas, praias lindas, dias azuis, muito calor, muitas noites bem dormidas. camarão aos montes, cerveja a qualquer hora do dia, em qualquer dia da semana. seriados, filmes, livros. deu tempo de tudo isso. e de botar a casa e a vida em ordem. de passar mais tempo longe do computador. e de acordar cedo por prazer, pra aproveitar o dia, e não porque o despertador tocou. e ter a companhia de pessoas maravilhosas em muitos desses momentos.

toda vez que saímos de férias, o mundo se vira pra gente pra perguntar “e aí, vai pra onde?”. aquela obrigação xarope de que é preciso fazer alguma coisa grandiosa pra provar que a vida vale a pena. não fui pra austrália. ainda não foi dessa vez que conheci paris ou fiz um safári “irado” pela áfrica. mas em todos os lugares em que estive, em todas as coisas que fiz… eu estava de coração. e acho que isso é o que importa.

e pra se inspirar com tudo novo de novo… ouçam o novo do shout out louds. tá bom demais.

por que eu ainda estou aqui? e você aí?

26 Nov

Extraído do blog do Zero, meu ex-vizinho de Tipos e um dos meus escritores preferidos.

“Já escrevi tantas coisas. De algumas, me orgulho. De outras, tenho vergonha. Confesso que sempre usei o blog para despertar atenções. Isso foi desde 2003, quando comecei a escrever no tipos, até, creio, lá pelos começos de 2007 – quando percebi o quanto era tonto o ato de escrever para verbalizar emoções dirigidas a pessoas específicas. Em vez de me dirigir de viva voz a elas, canalizei para o blog a necessidade de falar. Em algumas circunstâncias, fui notado e respondido, embora nem sempre correspondido. Mas na maioria das vezes, o fim de escrever acabou sendo o de angariar admirações e antipatias de pessoas às quais as mensagens não se destinavam. De dois anos e pouco pra cá, minha vontade de escrever tem se reduzido e atribuo isso ao fato de ter finalmente compreendido a tontice de usar o blog como mural de recados. Sinto, porém, que muitos desses recados são peças que não eram tão herméticas, a ponto de transcender o objetivo inicial e obter simpatias diversas. De todo modo, sinto um tanto de vergonha pelo que passou e isso me retrai e tira o ânimo de escrever mais. Hoje, caminhando após o almoço, fiquei refletindo sobre isso e, apesar da vergonha que sinto, vejo-me com uma sensação de alívio por ter chegado à compreensão sobre essa atitude boba. E confesso: escrevo para que me notem. Escrever, no fundo, é um ato de exibicionismo e de vaidade. Uma vaidade talvez ainda mais idiota do que a vaidade de quem quer ser reconhecido pela beleza do corpo. Porque, escrevendo, quero comunicar que me diferencio, que sou mais inteligente, que sou melhor, que valho mais do que os outros. Escrever é pior do que ser exibicionista. E pior do que escrever é não escrever.”

[eu completaria esse texto, dizendo que depois que a gente compreende que escrever mural de recados é uma tolice, a gente continua escrevendo. e não é só pelo exibicionismo. eu escrevo para que alguém leia e se identifique. e eu leio pra me identificar com o que os outros escrevem. porque pior que escrever é não escrever. mesmo!]

(sic)

2 Jul

As moÇar perguntararam onde eqa bom de danÇar e o taxisua falou o flick´s. Bregada

De: Hellen
Data: 28/06/09
Hora: 03:34:32

…………………………

eu diria que este foi o melhor sms que recebi no dia do aniversário. mas pensando bem… acho que é o mais nonsense-hilário dos últimos anos.

até pensei que a pessoa estava com dificuldades na hora de digitar, mas se ela conseguiu colocar o apóstrofo… a coisa não estava tão feia assim.

|depois de traduzir, continue a leitura desse post|

minha gente… pedir dica de lugar pra dançar pra um taxista? não é querer falar, mas… se alguém conhece as moças que foram dançar na flicks no sábado, por favor manifeste-se agora!

7 May

tantos pensamentos e as palavras não fluem. as ideias não se constróem (aqui ainda vai acento agudo?).

volto amanhã, volte você também.

tempo, mano velho.

31 Mar

por hoje deixo um texto de Cristóvão Tezza que caiu como uma luva.
Tezza foi meu professor na faculdade, há 13 anos atrás, quando entendi que eu gostava mesmo de escrever.

Reflexões disparatadas sobre o tempo
Já tive uma vastidão de tempo na vida – para onde eu olhava, sobrava tempo, desdobrando-se verde num horizonte sem fim. Chutava as pontas do tempo com um desprezo suicida. Tempo para dar e vender. E eu dava e vendia, a quem quer que me pedisse. “Tem um tempo aí, cara?”. E eu ali, tirando do bolso sextas-feiras intermináveis, madrugadas amplíssimas, fins de semana de dois meses. Dormia quatro dias e quatro noites seguidas, e acordava com folga.

Eu podia ir para onde quisesse, que tinha crédito de tempo. Era abrir uma gaveta e o tempo transbordava, e eu com ele, feliz. Aproveitava o tempo só de percebê-lo à espera, um animal invisível, discreto, silencioso, que mal respirava em dez milhões de poros. Era bom não fazer nada, só saber que estava vivo: essa é uma sensação maravilhosa, quando em estado puro. “Estou aqui”, eu me dizia, como num filme.

Vivendo dentro do tempo, sendo a sua pele, jamais chegava ao limite de mim mesmo – nem precisava. Dei a volta ao mundo e cheguei antes de sair, pelas dobras do tempo. Estou sempre aqui, eu repetia: esse momento presente. Dormia hoje e acordava ontem.

Súbito, puxaram o tapete – fiquei velho.

Quer dizer, o tempo chegou. Não são tanto as marcas, que se corrigem, se disfarçam, se escondem, se adaptam. Nada disso. Nem a velha lição de moral, o dedo sacudindo, acusador, a dizer que qualquer coisa que você fizesse seria errada, porque todas as outras opções ficaram de fora. Não, por favor: esta não é uma crônica moralista, do tipo da formiga e da cigarra. O leitor sabe: a formiga trabalhou, a cigarra cantou, a formiga se salvou e a cigarra… bem, a fábula sugere que ela não se deu muito bem. A culpa teria sido a de não usar bem o tempo. Chegou o inverno, veio a neve, o frio, faltou comida, e então, mesquinhamente, a formiga se vingou da cigarra. Na verdade, deu aquela alfinetada de escárnio, que às vezes levamos pela vida afora: “Não falei?!”.

Nada mais ridículo que uma cigarra se fazendo de formiga, e uma formiga se fazendo de cigarra. Como sofremos, no lugar errado!

Mas também não é isso, a sugestão de que algumas pessoas são cigarras por natureza, e vivem para cantar, e outras são formigas, e vivem para trabalhar. Porque, pensando bem, cantar é um trabalho duríssimo. E frequentemente só trabalhar é uma moleza – entre outras coisas úteis, uma técnica requintada de se esconder do tempo. O leitor olhe em volta e confira. O que corrói mesmo não é o que se faz ou se deixa de fazer – é o tempo, a ideia do tempo, esse ser suspirante e devastador, para criar um pouco de poesia com o que não se compreende. O que podemos fazer a respeito? Bem, o cardápio de ofertas é amplo, entre reservar uma cadeira no céu ou encomendar uma boa plástica. Mas perco meu tempo: tudo que eu queria dizer é que já faz um ano que sou cronista – a filosofada só pegou carona.

|créditos: publicado aqui.|

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.