Vi dias atrás no Facebook de uma pessoa muito querida e achei que valia um post. O gerundismo, aquela prática horrorosa – que apesar de ser zoada por tudo, ainda não esteve saindo de cena completamente – ganha uma nova versão. E quase ninguém nota.
As pessoas acabam acrescentando às frases uma palavra que acaba não fazendo diferença no contexto final, mas que no decorrer do texto, acaba sendo uma boa forma de encher linguiça. Se você acabou não reparando em algo estranho neste parágrafo, pode ser que você acabe sendo uma das pessoas que acaba colocando o verbo acabar em meio a tudo.
Acabar. V.t.d. 1. Levar a cabo, concluir. 2. Chegar ao fim ou ao termo de, terminar.
Quem diz isso é o Aurélio, o pai da língua portuguesa tradicional (e correta, diga-se de passagem). Por que raios, então, o acabar tem aparecido no meio de tudo quanto é frase, se acabar é botar um fim, e o raciocínio ainda está acontecendo?
Algumas colocações, no entanto, ficam especialmente abençoadas com a aplicação do verbo acabar.
João acabou de começar o namoro com Antonia.
Oi? Fico confusa. Tá começando ou tá acabando esse namoro?
Maria, quando soube da novidade, acabou morrendo.
Morrer é sempre um triste fim. E, pra acabar, ela ainda acaba morrendo. Triste, muito triste, duplamente triste.
E pra dar um desfecho à história – porque tudo tem de acabar, afinal.
Antonia acabou sabendo da notícia pelo próprio João. A.k.a. Antonia soube da notícia pelo próprio João – que além de galinha, é fofoqueiro.


