se tem uma coisa que me deixa chocada (e aposto que muitos de vocês, 64 leitores, também) é atendimento ruim. no comércio mesmo, esse comércio da nossa vida bandida. é o caixa de supermercado que passa as minhas compras pela esteira como se estivesse jogando boliche com meus cachos de uvas e bananas. é o atendente do café no bairro mais soho da cidade que nunca anota os pedidos num papel e, por consequência, sempre esquece metade das coisas. anotar é humano, gente, eu mesma anoto tudo em todos os lugares, na agenda, no celular, nos post-its. por que raios os atendentes acham que sua memória é melhor do que a minha?
também já tive duas experiências gastronômicas que, se não fossem deliciosas, teriam sido somente trágicas. uma vez foi na pizzaria, aniversário do namorado, família toda reunida, pedimos as pizzas. elas demoraram tipo uma hora e quarenta minutos pra chegar. e nem era técnica pra gente se entupir de pãozinho, porque nem serviam abre-alas no lugar. as pizzas demoraram, segundo o garçom, porque a pizzaria tava cheia. alô? não são vocês que servem somente PIZZAS? e daí num tem pizza quando o restaurante tá cheio? é como acabar a cerveja na balada – e eu tenho certeza que já aconteceu com muita gente também. alô, dono de bar, se seu boteco enche às sextas, acho prudente comprar mais do que dez fardinhos de latas.
a outra experiência ruim com atendimento foi na casa de bolinhos nova aqui na cidade. o cara tem uma ideia boa, que tá na moda, que é servir bolinhos deliciosos e enfeitados. então ele abre um café junto, pras pessoas ficarem ali, tomando café e comendo bolinhos a tarde toda. aí eu peço um café + bolinho e sou informada de que o café vai demorar, porque não tem gente ali agora que possa fazer o café. alô dono da casa de bolinhos com café, mão-de-obra now! ou então sirva somente seus bolinhos…
enquanto escrevia, lembrei de uma terceira experiência ruim. num dos meus fast-foods favoritos, onde servem deliciosas batatas recheadas. pedi a batata recheada. depois de 50 minutos, o horário de almoço estourando, a atendente me diz o seguinte: “acabou a batata”. se tivesse me avisado antes, eu ainda teria tempo de procurar outro lugar pra comer. mas né… não era ela quem tava com fome! avisar pra quê, minha senhora?
pasmem, enquanto escrevia essa, lembrei de mais uma – talvez a pior de todas. num lugar que servem pizza em forma de cone (também paula, quem mandou comer coisa esquisita…). mas o fato é que eu não comi. não comi porque esperei por 1h23 (dessa vez eu contei). o horário de almoço estourou, de novo. fui pedir meu dinheiro de volta e cancelar meu pedido – que nem tava no forninho dinâmico, assa TRÊS cones por vez! – o dono da bagaça me devolve o dinheiro e pede desculpas. pelo menos pediu desculpas. mas meu almoço, o senhor vai pedir também?
então a conclusão que eu chego é que pra muita gente a máxima “servir bem pra servir sempre” é uma grande idiotice. fodam-se você, sua fome, o dinheiro que você vai gastar pra comer ou comprar aqui. eu te sirvo a hora que der, se der, e se você não pedir nada que acabe durante o expediente.
tchau.
ouvindo: whatever gets you through today. the radio.