Tag Archives: comédia

mais uma da série “coisas que não entendo”

2 Dec

Tem duas coisas que eu não entendo nessa vida. Na verdade tem muito mais que duas, né? Cerca de um milhão trezentos e dezessete mil mistérios da Terra que eu não entendo. Mas vamos ao que é mais palpável, quem sabe algum leitor pode me ajudar nessa? Hm?

Eu não entendo os pobres de plantão. Queria, porque então eu seria desapegada como eles. Os pobres de plantão vivem falando que estão duros, falidos, sem grana. MAS tem viagens incríveis duas vezes por ano, trocam de carro, tem o celular da modinha, jantam em lugares caros, freqüentam baladas glamurosas e estão sempre desfilando roupas novinhas em folha – muitas delas com etiquetas que valem o meu guarda-roupa inteiro.

Me expliquem como isso é possível, porque eu só vejo duas opções: 1) as pessoas mentem. Não são pobres coisa nenhuma, são no mínimo classe média mas gostam de se auto-intitular pobres pra fazer parte do grupo. Que grupo, Nossa Senhora do Cheque Especial?

A segunda opção é que as pessoas acham bonito dizer “tô pobre”. O luxo no lixo. Eu não acho feio ter uma poupança secreta que teus pais fizeram ao longo da tua vida. Não acho feio você ter outras “fontes de renda” além do trabalho, seja mesada, pensão vitalícia da ex-mulher ou vender coxinha congelada. Contanto que você não roube de ninguém, cada um com seu dinheiro, uai. Também não acho feio você estar efetivamente/momentaneamente pobre, afinal dinheiro não dá em árvore. Força na peruca que um dia a conta volta pro azul. Feio é dizer “tô pobre” sem estar – segundo minha mãe versão 2010 – a mística – isso só atrai má sorte mesmo.

A Narcisa tem um MacBook Air e você também. E daí?

Depois de três parágrafos para falar sobre a “primeira coisa que eu não entendo” sobraram pouco mais de 140 caracteres no meu twitter cerebral pra falar sobre a segunda. Vamos lá: não entendo essas gentes que dão parabéns via twitter pra gente que nunca vai ler. Tipo: “hoje é aniversário da minha avó Gerúndia, parabéns pra vovó mais linda do mundo”. Cara: tua vó tem twitter?

Telecurso 2000 – Crochê

(esse desenho achei no google, aqui)

Veja maçã verde? #NOT

21 Sep

Como eu não sou rica, vivo de trabalho e não de glamour, decidi compartilhar alguns dramas da vida doméstica por aqui. Tema do dia: a invasão das moscas.

Ocorre que na semana passada as moscas invadiram a cozinha e a lavanderia da minha casa. Já vou cortar o barato dos piadistas de plantão: não tinha nada estragado, louça suja na pia ou tênis com chulé. Não sou rica mas tenho uma diarista que vai lá toda semana me ajudar com a tal da limpeza pesada. Em tempo: minha diarista é a Geni, que também não é rica mas entende de faxina bem melhor que eu.

Sr. Forte comentou sobre a invasão das moscas.
- Vocês compraram outro produto de limpeza?
- Nada de novo, só Veja.
- Esse verdinho aqui? De maçã verde?
- Esse mesmo.
- Pois é. Eu também usei Veja maçã verde na minha casa e as moscas invadiram…

Aí fui observar o comportamento das moscas e notei que, de fato, elas só se aproximavam do balde onde estava guardado o Veja maçã verde, bem como das superfícies onde o Veja maçã verde foi aplicado para fins de limpeza. E como vocês podem imaginar, passamos Veja maçã verde em TODA a cozinha. Isso significa que vai demorar até a próxima visita da Geni pra passar Veja-outro-sabor-de-preferência-não-fruta. E que até lá, só me resta ficar espantando as moscas pra fora de casa. É quase terapêutico.

Note que na embalagem do produto está escrito “extratos naturais que invadem a sua casa”. Mosca = extrato?
*
Aí o Sr.Forte foi numa dessas lojas que vendem de tudo, de sombrinha a meia-calça, passando até pelo Veja maçã e comprou a raquete elétrica. Tem que deixar a raquete elétrica carregando, gente, por OITO horas. Não resisti, hoje de manhã dei uma carguinha e queimei uma mosca. Só uma pra ver se a raquete tava em perfeito estado. Depois da primeira fritada, dei mais duas. Se você já usou a raquete elétrica vai entender o porquê, é de fato um prazer inenarrável matar uma mosca. E se você, assim como eu, já matou três vezes a mesma mosca, sabe que mosca frita tem cheiro.

Sim, eu sou capaz de matar uma mosca. Várias vezes.
*
Se eu fosse rica mudava de apartamento pra fugir das moscas. Mas eu não sou… e isso não importa! Segundo uma reportagem do Bom Dia Brasil de hoje, “ o importante não é ser rico, o importante é não ser pobre”. Ah, bom!

Tenho mais várias coisas pra contar, mas fica pra amanhã. Hoje nós aprendemos, portanto, que 1)não devemos comprar Veja maçã verde só por causa do cheirinho e que 2)o importante é não ser pobre.

Né, Narcisa?

minha vingança será maligna

16 Sep

O perigo de escrever essas coisas corriqueiras no blog é que as pessoas se aproveitam disso. Saímos no feriado, era um domingo com a cidade deserta, ruas meio vazias, temperatura mais amena (ou frio da porra). Encontramos uns amigos, jantamos, papeamos, vimos as cassetadas do Faustão, assistimos um suspense podre pra dar risadas, comemos sobremesa. Saio da casa dos amigos me despedindo com aquele abraço afetuoso, beijomeliga, se cuida, coisa e tal.

Cena 1
Pelo retrovisor, pude avistar os amigos dando tchauzinho e ainda penso: puxa, que fofura, nesse frio, se dar ao trabalho de acompanhar a gente até o carro.

Cena 2
Garagem do prédio, saio do carro, abro a porta de trás, pego o casaco extra no banco. Fecho a porta, Sr. Forte liga o alarme, que logo dispara. Acho que esqueci a janela meio aberta, faço a meia volta, passo por trás do meu carro… ops! Esse daqui não é meu carro… ué… mas a placa é a mesma…
Um pirulito pra quem adivinhar o quê estava colado na traseira do carro. E dois pra adivinhar quem foi que colou.

*
Como o adesivo da família feliz tem sido assunto recorrente aqui no blog e também nas minhas REDESOCIAIS, olhem que graça o carro que flagrei na rua ontem.

*
Na antiga CasaDosTrinta eu sempre colocava uma musiquinha no final. Acho que vou voltar a fazer isso, só que agora com a tecnologia YouTube, há! Uma das minhas músicas favoritas deste ano. Isso mesmo, do ano inteiro.

Não entendo…

1 Sep

O cara vai lá, compra um carro zero, bota película, rodas de liga leve, um som poderoso. E aí “decora” ele com adesivo da família feliz.

O cara vai lá, compra um iPhone, baixa aplicativos, GPS, sincroniza com o computador, o carro e o caramba. E aí “protege” ele com uma meinha toda colorida.

A menina é daquelas que não vai nem na padaria sem passar um rímel. Põe a roupa da modinha, passa um gloss, pega a carteira Louis Vuitton. E daí resolve ir de Crocs, que é mais confortável.

O cara tem o carro do ano, o telefone do ano, um bom emprego, ganha uma grana. E daí compra um CD pirata pra ouvir no carro. Do Luan Santana.

É um mundo estranho esse onde vivemos…

atendimento personalizado. sei…

26 May

se tem uma coisa que me deixa chocada (e aposto que muitos de vocês, 64 leitores, também) é atendimento ruim. no comércio mesmo, esse comércio da nossa vida bandida. é o caixa de supermercado que passa as minhas compras pela esteira como se estivesse jogando boliche com meus cachos de uvas e bananas. é o atendente do café no bairro mais soho da cidade que nunca anota os pedidos num papel e, por consequência, sempre esquece metade das coisas. anotar é humano, gente, eu mesma anoto tudo em todos os lugares, na agenda, no celular, nos post-its. por que raios os atendentes acham que sua memória é melhor do que a minha?

também já tive duas experiências gastronômicas que, se não fossem deliciosas, teriam sido somente trágicas. uma vez foi na pizzaria, aniversário do namorado, família toda reunida, pedimos as pizzas. elas demoraram tipo uma hora e quarenta minutos pra chegar. e nem era técnica pra gente se entupir de pãozinho, porque nem serviam abre-alas no lugar. as pizzas demoraram, segundo o garçom, porque a pizzaria tava cheia. alô? não são vocês que servem somente PIZZAS? e daí num tem pizza quando o restaurante tá cheio? é como acabar a cerveja na balada – e eu tenho certeza que já aconteceu com muita gente também. alô, dono de bar, se seu boteco enche às sextas, acho prudente comprar mais do que dez fardinhos de latas.

a outra experiência ruim com atendimento foi na casa de bolinhos nova aqui na cidade. o cara tem uma ideia boa, que tá na moda, que é servir bolinhos deliciosos e enfeitados. então ele abre um café junto, pras pessoas ficarem ali, tomando café e comendo bolinhos a tarde toda. aí eu peço um café + bolinho e sou informada de que o café vai demorar, porque não tem gente ali agora que possa fazer o café. alô dono da casa de bolinhos com café, mão-de-obra now! ou então sirva somente seus bolinhos…

enquanto escrevia, lembrei de uma terceira experiência ruim. num dos meus fast-foods favoritos, onde servem deliciosas batatas recheadas. pedi a batata recheada. depois de 50 minutos, o horário de almoço estourando, a atendente me diz o seguinte: “acabou a batata”. se tivesse me avisado antes, eu ainda teria tempo de procurar outro lugar pra comer. mas né… não era ela quem tava com fome! avisar pra quê, minha senhora?

pasmem, enquanto escrevia essa, lembrei de mais uma – talvez a pior de todas. num lugar que servem pizza em forma de cone (também paula, quem mandou comer coisa esquisita…). mas o fato é que eu não comi. não comi porque esperei por 1h23 (dessa vez eu contei). o horário de almoço estourou, de novo. fui pedir meu dinheiro de volta e cancelar meu pedido – que nem tava no forninho dinâmico, assa TRÊS cones por vez! – o dono da bagaça me devolve o dinheiro e pede desculpas. pelo menos pediu desculpas. mas meu almoço, o senhor vai pedir também?

então a conclusão que eu chego é que pra muita gente a máxima “servir bem pra servir sempre” é uma grande idiotice. fodam-se você, sua fome, o dinheiro que você vai gastar pra comer ou comprar aqui. eu te sirvo a hora que der, se der, e se você não pedir nada que acabe durante o expediente.
tchau.

ouvindo: whatever gets you through today. the radio.

confraternizar pra quê?

3 Dec

as obrigações da vida corporativa sempre me levaram muito além, aquele papo de “você sempre pode ir mais longe quando achou que estava no seu limite”. sabe como?

tinha uma chefe que me enchia com balelas do tipo quem não é visto não é lembrado, você precisa estar lá, a presença que faz a diferença, etc e tal.

por conta disso e do meu TOC -que me faz achar que se eu não fechar a porta do armário antes de dormir, uma aranha vai subir na cama e dormir comigo – eu sempre encarei com certo bom humor as festas corporativas. dos singelos almoços de confraternização às desafiadoras festas com amigo secreto: eu sempre estava lá.

mas é claro que um dia o feitiço vira contra o feiticeiro e nos últimos anos aconteceu comigo. acreditando que basta estar lá para fazer parte do troço, tentava sempre passar despercebida, conversar um pouco aqui e ali e ir embora super à francesa sem precisar dar tchau pros colegaish.

a primeira vez que isso deu errado foi numa viagem da firma. três dias enfurnada num hotel com o pessoal, sendo que no terceiro passaríamos por uma divertida e estimulante atividade outdoor. a atividade envolvia, entre outras coisas, o uso de camiseta camuflada com a logo da empresa e uma mochila da mesma ordem, contendo: 2 garrafas de gatorade, um misto frio e uma barra de cereais. e consistia, basicamente, em passar o dia todo no mato andando por trilhas sem poder falar (sim, fazia parte do processo manter a boca fechada, buscando novas formas de comunicação com os colegas. demais, né!). a ideia era aproveitar o silêncio obrigatório e passar o dia todo emburrada. e deu errado no exato momento em que descobri que na minha equipe estava ninguém menos que o VP da cia. fim.

a segunda vez que minha participação em evento de firma deu errado foi num churrasco de confraternização. além da comelança, o pessoal do RH resolveu organizar brincadeiras divertidas para ajudar na integração dos colaboradores. e a brincadeira divertida da vez era nada menos do que uma disputa de mímica. tentei passar batido e ficar chutando palavras loucamente enquanto membros da equipe (sim, de novo, eu tinha uma equipe) se desdobravam em movimentos desconexos. minha discrição não adiantou nada: em algum momento que prefiro não lembrar, fui escolhida para interpretar uma mímica. eu mesma. e não era pra equipe. no cartão do imagem & ação estava a palavra TODOS. de modo que sim, eu fiz mímica para presidente, vice-presidente e a quem mais possa interessar. fim.

a terceira vez que deu errado foi no famigerado amigo secreto, sem dúvida meu evento favorito de firma. uma vez escrevi um texto fantástico sobre isso (vou ver se resgato pra botar aqui). o bichinho do você precisa estar lá me cutucou de novo (e eu já nem sei o porquê disso tudo, já que agora não faz mais sentido mesmo) e lá fui eu, sacolinha de presente debaixo do braço.

dessa vez não precisava andar no mato feito abominável homem das florestas nem fazer mímica para TODOS. era o mais inofensivo evento, convenhamos. mas eis que lá pelas tantas rola o momento discurso – primeiro um chefão, depois outro, e depois outro. e o terceiro chefão resolve que não, não é suficiente. vamos convidar alguém da plateia pra discursar também. falar sobre as maravilhas de 2009 e as grandes esperanças para 2010. olha lá gente, alguém quer falar, senão vou escolher alguém, alguém? alguém? vou escolher então… paula. nossa querida colega do marketing.

e não, não bastava falar para TODOS. tinha que ser EM PÉ.

vocês devem estar curiosíssimos com meu discurso repentista, né? só que eu não vou poder escrevê-lo aqui – ainda. aguardem momentos eletrizantes nos próximos posts.
beijo, tchau.

no escurinho de são paulo

11 Nov

na onda do apagão, amiga que mora em são paulo me conta no msn.

- olha só
- meus “oito pensamentos pra hora de um apagão”

1. pq a luz sempre acaba quando meu marido viaja?
2. ainda bem que meu chuveiro é à gás
3. a vela que ganhei da cunhada finalmente teve utilidade
(já pensando no dia seguinte, afinal tenho que ir trabalhar)
4. ai, vou ter que descer 8 andares de escada
5. ai, vou ter que SUBIR 23 andares de escada
6. e se eu subir os 23 e tiver que descer pq o computador não pegou?
7. oba! talvez eu não trabalhe

- moral da história: a luz voltou às 3h30 e eu estou aqui, trabalhando feito louca. mas ainda tenho o pensamento 8, e último: huum não posso comer nada com maionese hj, pq o shopping tbm ficou sem luz, deve ter estragado tudo.

ai, ai. essas minhas amigas são demais.

poesia da vida

23 Oct

volta-e-meia me vem à cabeça a célebre frase que alguém costumava me falar, “um lugar bonito, pena que tão mal povoado”. é assim que o mundo é, né? tirando as favelas do Rio de Janeiro, até que a cidade é bonita. tirando o fedor de São Paulo, a cidade até que tem seu charme. tirando o petit-pavê, até que Curitiba é agradável. e por aí vai… vai não.

o que estraga o mundo são as pessoas, só pra lembrar. inclusive fenômenos “naturais” como invasão de morros e fedor em rios são pura consequência de merdas (hahaha, essa foi sem querer) que já fizemos. o petit-pavê também! algum dia, alguém olhou para aquilo e achou que ficaria bonito pregar pedrinhas pretas e brancas nas calçadas da cidade. pra você ver que a gente não pensa MESMO antes de fazer qualquer cagadinha. sabemos que jogar lixo no rio vai deixá-lo fedido daqui uns 10 anos, mas o futuro parece muito distante. sabemos que a manutenção de pedrinhas é trabalhosa, que muitas delas vão soltar, causar tropeços, destruir saltos… mas o caminho mais curto é aquele que a gente já fez, né? dá-lhe petit-pavê na cidade toda.

mas enfim. ainda assim eu gosto do mundo. por exemplo: poucos acreditam quando eu digo que não me importo de andar de ônibus. mas é a mais pura verdade. veja bem, se a pessoa não tem carro e nem disposição pra andar 8km até o trabalho, o mínimo que ela deve fazer é aceitar sua condição. vou fazer o quê? roubar um carro? pegar carona na rabeira de caminhão?

e tem outra coisa. o ônibus que eu ando é um ônibus de família. não é o biarticulado enorme, fedido e lotado não. é ônibus pequeno, do amarelinho, cheio de senhorinhas, alguns engravatados, estudantes, funcionários de firma assim como eu. é todo mundo limpinho, cheirosinho – quem nunca entrou num interbairros às sete da manhã nem sonha que existe gente cheirando a cecê ANTES de pegar no pesado.

mas no meu amarelinho não. no amarelinho todo mundo tá limpinho às 7 a.m. a parte triste é que, gente, o chuveiro não limpa as pessoas por dentro, sabe. todo mundo arrumadinho, roupa passada, carregando a pastinha da faculdade que não deve custar barato. e todo mundo mal-educado.

o sofrimento começa assim que eu chego no ponto do busão: fica dentro de um terminal. ou seja, não tem fila. ou seja, vira zona. em pouco tempo, já peguei o macete que vai me garantir um confortável banco de plástico dentro do amarelinho: tem que esperar perto da porta. e pra isso, é claro, é preciso adivinhar aonde vai ficar a porta. afinal, o ônibus não está lá ainda, né? e aí, na hora que o busão estaciona, é respirar fundo e rezar. as pessoas ficam ensandecidas, repentinamente todo mundo está apinhado, empurra-empurra pra tentar entrar no ônibus antes. rola aquela muvuca tipo entrada de galera no estádio antes do show do ac/dc, saca?

e tudo isso pra quê, minha gente? pra ir sentado. um mísero banco de plástico, escorregadio e tão confortável quanto sentar a bunda num toco de árvore. e daí tem o povo que precisa entrar naquele ônibus, que sai carregado de gente até o talo, motorista fecha a porta e vai comprimindo todo mundo pra dentro da latinha. e pra quê? pra chegar 5 minutos antes, afinal hoje em dia todo mundo vive com pressa, então é melhor ser mal-educado mas ao menos chegar no horário.

de uns tempos pra cá, diversas situações me fizeram repensar a forma como eu me coloco no mundo. ser rabugenta e dona da verdade era super legal. mas o mundo é bem maior do que o meu umbigo, de modo que precisei rever vários contextos de socialização. passei a tolerar coisas bem mais xaropes do que um busão cheio. e passei a me expressar com mais parcimônia, o mundo não tem culpa se eu tenho problemas. parei de deixar os cascos pelo caminho. e com isso fiquei assim, mais leve, menos mal-humorada, e essa tarefas corriqueiras obrigatórias deixaram de ser um fardo. ainda não consigo enxergar a poesia da vida, e não acho que essa seja a finalidade. e a ideia também não é fazer do mundo um lugar melhor, afinal tem mais bilhões de pessoas que precisariam compartilhar disso. pra resumir, descompliquei certas partes da minha vida que não precisavam MESMO ser tão difíceis.

resumo de tudo é o que eu twittei dia desses: 99,99% do mundo não sabe que a gente existe. e ainda assim, não nos esforçamos para ficar em paz com os 00,01% que sabe…

post scriptum

21 Oct

agora que o tipos vai fechar, chegou a hora da grande revelação. eu era Júlia Harris – “Júlia Harris contém glúten”. poucos lembrar-se-ão dela, pois J.H. fez uma passagem curta (porém estrondosa) pelas páginas do Tipos. salvando os arquivos, deparei-me com pérolas hilariantes que me deram saudades dos tempos em que eu tinha mais criatividade para ser irônica. acho que a idade afetou essa minha veia. então fiquei aqui, relendo o Contém Glúten, e resolvi publicar alguns textos na casa dos trinta, já que eles são de minha autoria mesmo.

vou começar com este publicado em 27/08/07, com o nome gracinha de “receita para não perder a poesia do amor”. espero que divirtam-se.

A tal da intimidade. Me diz o que você acha dela. Você vai dizer que acha bonito e que faz parte das relações, mas vai dizer isso porque está pensando de maneira superficial. Pensando num Homem lindo acordando só de cueca ao seu lado numa manhã cinza de domingo. Vai dizer que intimidade é bonita porque só te vem à cabeça a imagem do cobertor dividido, do travesseiro que ficou com perfume de alguém. A sua própria imagem de cabelos pingando diante do espelho, enrolada na toalha enquanto o Homem lindo assiste tevê estendido no sofá da sua sala.

Se intimidade fosse só essa coisa bonita a gente podia morar em casas de vidro. Mas não, e não é à toa que nossas paredes são de tijolos, tem coisas que precisam ficar escondidas mesmo.

Por exemplo, eu sempre penso como vai ser a vida quando eu me casar. Ainda nem sei se um dia vou casar, mas já sofro por antecipação. Xixi de porta aberta nunca mais. Nem aquele punzinho inofensivo debaixo das cobertas no meio da madrugada. Arrotar só se for baixinho, tomando cuidado pra o Homem não perceber. Esqueça aquele arroto gostoso depois de um belo gole de coca-cola.

Número dois? Só se for no banheiro de visitas e com o chuveiro ligado, que assim o seu Homem só vai escutar o barulho da água correndo. Dia de dor-de-barriga vai ser um inferno mesmo.

É meio que uma obrigação de preservar a poesia do amor, coisa que já é tão difícil por natureza. Daquele começo lindo geralmente sobra só o sentimento, que é o que nos leva pra frente mesmo. Dividimos tanta coisa vivendo em casal, tanta coisa chata, não faz mal preservar um restinho de intimidade desnecessária.

Abrir mão dos pequenos prazeres escatológicos em nome do amor deve dar trabalho. Mas é um trabalho que vale à pena – eu acho. Tem gente por aí que diz que não liga, mas eu particularmente fico brocha só de pensar no Homem lindo acocorado no vaso se concentrando pra fazer cocô. No meu mundo cor-de-rosa as pessoas não fazem cocô e pronto. E se fazem, eu não preciso ver. Prefiro acreditar que aquela bundinha linda existe só para decorar cueca boxer mesmo.

Fim.

Em breve novos posts de Júlia Harris, agora a.k.a. Paula Schütze

ctrl+c ctrl+v do dia.

17 Sep

li no blog desalto e, como tem tudo a ver com os dois últimos meses, reproduzo aqui. a gracinha do dia.

dicionário dos eufemismos. ou decifrando os classificados.

Em anúncios de apartamentos:
Aconchegante : pequeno
Ensolarado: bate um sol da porra o dia inteiro
Arejado: não bate sol hora nenhuma do dia
semi-Mobiliado: tem uma prateleira no banheiro e outra na cozinha
mobiliado: além das prateleiras, tem um armário no quarto.
vizinhança tranquila: ao lado de um hospital ou cemitério
cozinha americana: não cabe fogão, geladeira e você no mesmo ambiente. Escolha difícil…
oportunidade única: nenhum otário aceitou alugar por este preço absurdo. Corra antes que algum apareça e você perca a vez!

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