ocorre que tá rolando um mini-bafo de proporções cibernéticas no mundo do twitter. tudo por causa de uma adolescente que ficou famosa por ter, tipo, trocentos mil seguidores. e eu, que sou da geração que alguns intitulam “dinossauros da web” (esse mundo tá ficando veryverycrazy mesmo) fiquei ali olhando o movimento e tentando entender.
lembrei que uma vez essa moça veio mesmo me seguir no twitter – ou melhor, o script automático dela veio me seguir. e eu fui ali e dei unfollow depois de uns 3 dias e fim. e não foi porque ela é famosa, ou isso, ou aquilo. o motivo foi bem simples: achei chato. achei uma xaropice esse lance de passar a previsão do tempo das capitais todo dia. oi? site do simepar existe, sabia? meu twitter tem um bocado de gente que eu sigo pelo mesmo motivo: diversão. gente que escreve coisas engraçadas, bobagens nonsense, gente das antigas que eu considero inteligente, amigos, alguns portais culturais e só.
notícia? eu leio no uol, terra, globo, estadão, gazeta, folha.
e o raio do “cool hunter”? meu caralho, agora caçar coisas na internet virou profissão. eu caço sozinha, brigada, tenho raciocínio suficiente pra ir atrás daquilo que eu gosto e não vai ser um zé ruela qualquer que vai me influenciar. desculpa. eu sou mesmo um dinossauro, vim da era arqueológica em que a gente estudava pra conseguir um diploma – e depois de diplomado exercia uma profissão. hoje em dia o cara se auto-intitula fotógrafo, publicitário, chef de cozinha só porque aprendeu a brincar antes dos outros.
sou da era antiga, imagina que eu nasci na década de 70. velha pacas! sou do tempo em que trabalho envolvia profissão, conhecimento, anos de estudo e fodelança e um salário certo no final do mês.
a primeira vez que eu tive uma conta de e-mail só pra mim foi em 1996. calcule que eu, essa relíquia da internet, li muita enciclopédia, escrevi muito trabalho em papel almaço. visitei muita biblioteca, cidade e museu. li muito livro inteiro pra fazer resenha do colégio, da faculdade, das duas pós-graduações. fazia ditado em caderno de caligrafia de tarja amarela – tem gente que nem sabe o que é um ditado de língua portuguesa.
sou da era em que amigos eram feitos com empolgação, dedicação e por afinidade – e não por um aplicativo qualquer “gerador” de relacionamentos virtuais. nessa mesma época as pessoas eram admiradas em carne e osso e não em posts e photoshop.
sou um tiranossauro rex por causa disso? sou um dinossauro porque meu cérebro hoje armazena muito mais conhecimento do que esses adolescentes cool hunters que pagam de intelectuais sem sequer terem pêlos no sovaco..
enquanto eu fazia tudo isso, lia, escrevia, relia e reescrevia, e via as coisas e conversava com as pessoas… essa new generation estava aprendendo a falar mamã e papá. e só porque com 10 anos de idade botaram um notebook em suas mãos e eles descobriram a wikipedia, nós nos tornamos dinossauros.
na minha época ser cool era publicar o primeiro livro, hoje ser cool é dar entrevista pra playboy, onde estão todas as celebridades pós-BBB e pré-zorra total.
é por isso que os dinossauros desgostam mesmo da fama instantânea: porque ela é totalmente desprovida de conteúdo.
#prontofalei.