Tag Archives: casa

re-solução de ano novo.

4 Jan

houve mesmo um tempo em que eu acreditava no poder do “ano novo”. fazia simpatias, promessas, usava calcinha branca e pulava sete ondas no mar. com o passar dos anos os rituais sem pé nem cabeça foram substituídos por outros mais palpáveis. pular sete ondas, por exemplo, ficou inviável com a quantidade de jacu gente na beira da praia esperando a meia-noite. a cor da calcinha (ou lingerie, pra ficar chique) também foi mudando de acordo com o desejo principal de cada ano: vermelha, verde, amarela. hoje em dia sou uma senhorinha pudenda que já não revela a cor da calcinha em blog.

mas foi nessa virada que eu observei que os mais tradicionais ritos de passagem não foram meramente substituídos. foram suprimidos mesmo. depois de uns vinte anos seguindo rituais e acreditando em lendas de ano novo (eu conto a partir dos doze anos de idade, tá, que é quando a gente começa a ter algum discernimento nesta vida), eu simplesmente parei. de esperar e de prometer – quantos anos prometendo seguir uma dieta à risca por 12 meses, ou largar do cigarro assim que ______________ (coloque aqui a meta de sua preferência). nada disso eu cumpri, e o “universo” também não me entregou boa parte daquilo que eu pedia nos réveillons. aliás, sendo bem honesta, o universo não me entregou quase nada.

as mudanças e conquistas dos últimos anos foram resultado de duas coisas bem simples, e difíceis de encontrar: minha vontade de querer resolver as coisas, somada à uma parceria incrível que já dura alguns anos.

o único ritual/promessa que eu vou seguir este ano é aquele que já sigo periodicamente em outros momentos da vida: organizar a casa, dentro e fora. jogar aquela papelada inútil que acumulamos por meses a fio; e também aquela gente inútil que acumulamos durante a vida. assim como os comprovantes de supermercado e cartão de crédito, tem gente que só serve pra ocupar espaço, sugando nossa energia e nosso tempo de vida.

depois vou assar um lombo, tomar uma champanhota em plena segunda à tarde e assistir 7 episódios de medium pra aproveitar as férias.

ou seja: dá até pra passar a virada de calcinha preta se você cuidar mais da sua vida entre os dias 2 de janeiro e 30 de dezembro.

mudanças.

3 Sep

há exatos 3 anos, aproveitei o feriado de 7 de setembro para decretar a minha própria independência. lembro do apartamento ainda vazio, das caixas chegando, do lençol pendurado na janela fazendo as vezes de cortina. do open house – a primeira e única vez em que o apê atingiu a lotação máxima, 25 pessoas, em pé e ainda sem mobília. no começo estranhei o barulho da rua, super movimentada. coisa de quem morou no bairro a vida toda. foi nessa época que criei o hábito de dormir com o ventilador ligado, não importa a temperatura, pra abafar a barulheira do lado de fora.

os anos foram passando, fui enchendo a casa de coisas. a geladeira antiga, mais velha que eu, foi substituída por uma novinha em folha. depois de 8 meses (!) criei coragem para ligar o fogão. tempos depois, veio meu forno de microondas ultra-mega-hype-fashion. a cama enorme passou a ser dividida – com certeza, uma das melhores coisas destes anos de independência decretada.

e hoje, 3 anos depois, chaves novas na mão. o simpático apartamento que visitamos num sábado gélido é, enfim, a nossa nova casa. e a isso se deve a correria das últimas semanas. noites mal dormidas, gastrite, uns cabelos brancos a mais e alguns quilos a menos. sentiremos falta da vista do batel soho, mas não da vizinhança barulhenta. vou trocar o conforto de vir à pé para o trabalho pelo prazer de viver bem, com espaço e coisas organizadas. e um lugarzinho pra tomar sol nos dias azuis de curitiba.

é como dizem por aí, mudanças são sempre pra melhor. não tenho dúvidas disso. uma vida nova ainda mais feliz para nós :)

voltamos em breve, transmitindo de um novo endereço.

ufa.

1 Sep

tô tão podre, cansada, acabada e embagaçada que ainda não consegui apenas parar e aproveitar as boas notícias dos últimos dias.

lembro no comecinho de 2009 quando as previsões diziam que seria um ano de grandes mudanças. e, bem, até um mês atrás eu não acreditava muito nisso.

de repente as coisas se desmantelaram e reconstruiram e tudo passou a fazer sentido…

persianas – um drama doméstico.

9 Jun

quando me mudei, foi um parto encontrar persianas adequadas para a medida esquisita das minhas janelas. 1,80 X 1,20 num apartamento de 34 m2 não fazia muito sentido. quando encontrei, comprei logo as 4 de uma só vez. “fácil instalação” -> dizia na embalagem.

o conceito de “fácil” é, neste caso, questionável. fácil para mim é usar durex, fita crepe, super bonder. no máximo, um preguinho. no caso das persianas, “fácil” envolvia uma furadeira. por conta da minha obsessão com as persianas, um amigo meu comprou uma furadeira e instalou as ditas cujas para mim.

há alguns meses, a diarista quebrou uma das persianas da sala. esperei sobrar uma graninha pra comprar persianas novas, que foram adquiridas na semana passada. no mesmo dia, enquanto eu clicava “adicionar ao meu carrinho” num site de compras, a diarista tratava de quebrar uma das persianas do quarto. mas que beleza!

hoje as persianas finalmente chegaram. e até mesmo a troca das bichinhas foi uma operação do tipo… “fácil”. quando finalmente terminei, me dei conta de que uma delas veio com o pino da varinha de girar quebrado. mas que beleza!

a pergunta que não quer calar: porque eu apenas não escolhi cortinas há 3 anos atrás?

|ouvindo alguma do disco novo do wilco|

o quintal do vizinho.

21 Jan

lá no aires buenos o túlio falou com propriedade sobre a sensação de não pertencer ao lugar onde estamos. seja na argentina, no brasil, nas arábias, na fazendinha, no batel ou num iglu num pólo norte qualquer, acho que a sensação de não-pertencimento surge em diversos momentos da vida. muda de nome e de endereço – e eu tendo a acreditar que viver em buenos aires deve ser mesmo irritante – mas, como ele mesmo conclui: o problema não é você, lugar, sou eu.

pois é assim, cíclico, de tempos em tempos eu sinto não pertencer a alguma coisa. como se houvesse sempre uma linha limítrofe, e quando a cruzo, preciso de uma linha nova, um desafio novo. a rotina que antes parecia normal passa a me consumir. acordar, levantar, escovar os dentes, ritual da beleza, iogurte com granola, notícias do dia, escovar os dentes de novo, vestir uma roupa, calçar os sapatos, fechar as janelas, girar a chave duas vezes na porta, andar 700 metros, passar 8h30min no escritório, voltar para casa. já sem energia alguma, tenho enfim as minhas horas de vida própria. o sono é sempre maior. o cansaço, o desgaste, a preguiça de falar/fazer/existir.

ligo a tevê. há repórteres da globo em washington, frio de -8. há repórteres da globo na faixa de gaza. há repórteres da globo na índia, aprendendo rituais e danças e comendo tudo com muita pimenta. há apresentadores da MTV trabalhando na praia, de biquíni, entre uma água de côco e outra. sinto vontade de ser qualquer coisa assim, simplinha. correspondente internacional. nem precisava aparecer na tevê com luvas de couro ou cachecóis; podia ficar ali nos bastidores. ao invés de me preocupar com a garoa insistente de curitiba, usar galochas para andar na neve. cafés no tortoni serão sempre mais charmosos do que no lucca! como sempre, qualquer vida parece mais glamourosa que a minha. o quintal do vizinho é sempre mais verde. o cachorro do vizinho não tem bafo nem faz cocô. o vizinho não tem contas a pagar, dor de barriga nem insônia. seu quintal é tão mais verde, sempre. ele sempre acha alguma coisa legal passando na tevê a cabo. até seus problemas parecem mais interessantes. os gatos do vizinho, veja só, não soltam pêlos. sua pia nunca tem louça suja. seu chefe não deve ser de todo mal e sua vida é absolutamente feliz. ah, o quintal do vizinho.

quintal_vizinho

|para dias melancólicos: ryan adams – my winding wheel|

família.

3 Nov

final de semana  de encontro familiar, com direito a todos os irmãos schütze reunidos. momento raro!

lembrei de quando éramos todos pequenos. na mesma casa, dividindo quartos, cada um com seu lugar à mesa. todas as histórias reunidas em torno do arroz-de-forno da minha mãe. e as viagens! dá pra acreditar que cabia todo mundo dentro de uma parati cinza?

tanto, tanto tempo passou. colégio, vestibular, faculdade, casamento, filhos. cada um fez suas escolhas e hoje dentro de nossas rotinas parece difícil encaixar tempo pra escutar os quatro lados da história. no centro de tudo, a mãe. que ainda tem tempo para ouvir todos, cuidar de todos, preocupar-se com todos.

fotos do encontro histórico ali ao lado.

time to change.

23 Oct

foram inúmeras as razões que me levaram a mudar de endereço virtual. financeiras, sociais, emocionais e temperamentais.

as editoriais ainda não estão bem definidas. preciso escrever, preciso que alguém leia, preciso colocar as coisas na ponta dos dedos e no toque da tela.

sejam todos bem-vindos à nova casa dos trinta.

inicialmente passaremos por ajustes de conteúdo, layout, bla bla blá. mas seremos todos felizes =)

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