houve mesmo um tempo em que eu acreditava no poder do “ano novo”. fazia simpatias, promessas, usava calcinha branca e pulava sete ondas no mar. com o passar dos anos os rituais sem pé nem cabeça foram substituídos por outros mais palpáveis. pular sete ondas, por exemplo, ficou inviável com a quantidade de jacu gente na beira da praia esperando a meia-noite. a cor da calcinha (ou lingerie, pra ficar chique) também foi mudando de acordo com o desejo principal de cada ano: vermelha, verde, amarela. hoje em dia sou uma senhorinha pudenda que já não revela a cor da calcinha em blog.
mas foi nessa virada que eu observei que os mais tradicionais ritos de passagem não foram meramente substituídos. foram suprimidos mesmo. depois de uns vinte anos seguindo rituais e acreditando em lendas de ano novo (eu conto a partir dos doze anos de idade, tá, que é quando a gente começa a ter algum discernimento nesta vida), eu simplesmente parei. de esperar e de prometer – quantos anos prometendo seguir uma dieta à risca por 12 meses, ou largar do cigarro assim que ______________ (coloque aqui a meta de sua preferência). nada disso eu cumpri, e o “universo” também não me entregou boa parte daquilo que eu pedia nos réveillons. aliás, sendo bem honesta, o universo não me entregou quase nada.
as mudanças e conquistas dos últimos anos foram resultado de duas coisas bem simples, e difíceis de encontrar: minha vontade de querer resolver as coisas, somada à uma parceria incrível que já dura alguns anos.
o único ritual/promessa que eu vou seguir este ano é aquele que já sigo periodicamente em outros momentos da vida: organizar a casa, dentro e fora. jogar aquela papelada inútil que acumulamos por meses a fio; e também aquela gente inútil que acumulamos durante a vida. assim como os comprovantes de supermercado e cartão de crédito, tem gente que só serve pra ocupar espaço, sugando nossa energia e nosso tempo de vida.
depois vou assar um lombo, tomar uma champanhota em plena segunda à tarde e assistir 7 episódios de medium pra aproveitar as férias.
ou seja: dá até pra passar a virada de calcinha preta se você cuidar mais da sua vida entre os dias 2 de janeiro e 30 de dezembro.
