Tag Archives: beleza

o trabalho, a rotina e os selvagens

27 Jan

você sabe por quê inventaram o trabalho? o trabalho na sua forma mais “conceitual” por assim dizer: o exercício de um ofício, seja qual for. o trabalho foi, muito provavelmente, a única forma encontrada para tirar o ser humano do seu estado natural – o selvagem, no caso.

imagine um mundo onde ninguém trabalha. todos tem tempo livre pra tudo. não há dinheiro, a vida funciona operada por escambo ou coisa que o valha. não existem regras, horários, agendas a cumprir. imaginou? como é? pois eu, quando penso nisso, tenho uma visão semelhante àquilo que se passa em filmes como “eu sou a lenda”: o mundo inteirinho destruído, habitado por criaturas selvagens que gostam de sair da toca no escuro.

eu observo (e a cada dia as pessoas me convencem mais disso) que a rotina, a soma do trabalho com as contas, as obrigações sociais, os almoços em família, a vida a dois, o nosso círculo social base… tudo isso dá muito mais do que sustento. o leite das crianças não é nada perto da sanidade mental que uma rotina proporciona. o dinheiro escorre pelo ralo na conta de água, some no escuro da conta de luz, mingua nos cartões de crédito. mantém o corpo limpo, os lençóis bem passados, a louça lavada, a geladeira cheia. mas é a rotina, em sua equação mais pura, ação X recompensa, dedicação X gratificação, tempo X dinheiro, que mantem a ALMA em dia.

quando uma parte da rotina – seja o trabalho, o amor ou a vida social – se torna um martírio, nos tornamos escravos da nossa própria insatisfação. voltamos, muitas vezes sem sutileza alguma, à nossa forma selvagem. nos indispomos com a vida, com o mundo. rangemos os dentes, deixamos as nossas garras afiadas saírem por baixo das unhas. ferimos e somos feridos.

tem remédio? tem. desapego, coragem, mudança, escolher o novo. largar a rotina velha, aquela que vinha nos tornando selvagens, fazer alguma coisa por si mesmo. como se fosse fácil. como se um texto, um e-mail, um “jogar tudo pro alto” mudasse a vida da noite pro dia e resolvesse todos os nossos conflitos internos.

mas dá pra começar aos poucos. dá sim e eu acredito nisso. se você não pode largar o curso de mandarim antes de terminar, se não consegue mudar de emprego neste momento, se não tem dinheiro pra conhecer a conchinchina este ano… não tem problema. há muitos outros prazeres no mundo. muitas outras pessoas pra conhecer, se relacionar, aprender. mas é preciso deixar o lado selvagem pra trás… atuar como um lança-chamas ambulante, queimando aos outros antes de si mesmo, certamente não vai nos atrair boas coisas.

suerte!

trinta dias com ela.

25 Nov

hoje completo meu primeiro mês de dieta. êêêêêêêê! oi?

uma coisa na qual eu nunca acreditei muito, achei que era balela esse papo de que depois dos trinta é tudo mais difícil. não é que é mesmo? sei lá se é o metabolismo que começa a ficar preguiçoso quando a gente envelhece amadurece, ou se a gente é que fica com preguiça do metabolismo, sabei-me.

e não é querer falar nem desanimar as adolescentchis desse mundo, mas eu era seca de dar dó até não muito tempo atrás. tinha complexo de magreza de modo que tomava levedura de cerveja com água (eca) pra engordar. chupava leite condensado na latinha. tudo isso nunca fez efeito.

mentira, fez sim: um belo dia eu acordei com trinta anos e toda a levedura e leite condensado tinham se convertido em banha. e claro que a banha nunca se distribui adequadamente, fazendo você ficar gostosa. um bom exemplo é que eu continuo sem bunda, e o que devia ser a gostosura do meu traseiro subiu demais e virou uma série de dobrinhas nas costas.

o triste da dieta é que ela é infinita. pelo menos a essa altura da vida, ou pra quem tem uma genética relaxada feita a minha. como uma colega de trabalho disse esses dias: você começa a se dar conta de que NUNCA MAIS vai poder fazer certas coisas – tipo comer duas baciadas de pipoca assistindo tevê ou matar a fome do final do dia com uma coxinha tamanho GG. porque se você leva um mês pra emagrecer 4 kg (meu caso, obrigada) você só precisa de uma coxinha pra engordar os 4 perdidos + 4 de castigo por cometer o pecado da gula.

então o primeiro passo para iniciar uma dieta é esse: aceitar a infinitude dela (acabei de inventar essa palavra). aceitar que você vai passar vontade e contar calorias até a eternidade. pensar que no dia da sua chegada no céu, no banquete de boas-vindas, você vai negar o strogonof de camarão e comer somente 100g de frango grelhado com salada de folhas. folhas! quer coisa mais sem graça do que folhas? você vai recusar mousse de chocolate e ter como sobremesa uma deliciosa fatia de mamão. pelo menos mamão faz bem pro intestino, né?

esses dias virei pro meu respectivo e desabafei: estou cansada dessa vida de contar as coisas. dá um trabalho danado! observar o peso do prato pra contar as calorias e lançar numa tabelinha todo santo dia após o almoço. analisar minuciosamente a embalagem de cada merdica de barrinha que você compra no supermercado, optando por aquela que tem menos calorias (geralmente as que tem mais gosto de ração para gatos).

então, ao final do primeiro mês, tento me focar nos quilos perdidos. esquecer todos os milk shakes de ovomaltine que não tomei, todos os pães de queijo que não comi, todos os brownies com sorvete que não pedi e todas as noites em que enganei meu estômago, convencendo-o de que jantar 7 torradas com patê era tão gostoso quanto enfiar a cabeça dentro de uma batata assada.

um mês inteirinho de sacrifícios para no final perder QUATRO quilos. prestenção, gente. a mão tem CINCO dedos e eu perdi QUATRO quilos, não dá nem pra encher uma mão com o preço do meu esforço.

e com quatro quilos a menos, convenhamos: não vai ser nesse verão que eu vou voltar pro biquini de lacinho ou andar por aí sem precisar esconder as dobras das costas. só não vou desistir dessa pocilga de dieta porque eu sou mesmo uma pessoa de fé! devagar se vai ao longe, talvez no verão de 2012…

tá na hora da barrinha… fui!

chatas de galochas – parte 2.

8 Jul

me irrita profundamente a demora das mulheres no banheiro coletivo – especialmente o do trabalho, onde passo a maior parte útil do dia.
tento entender o que leva uma mulher a ficar 15, 20 minutos dentro do toillete. e só seria aceitável se todas tivessem com churrilho todos os dias. mas não. eu não dou uma dentro. o banheiro vive ocupado. e demorando a desocupar. e eu sempre tô com muita vontade de fazer xixi.

tem mulher, por exemplo, que traz todo o kit de maquiagem pro trabalho para se maquiar quando chega – ou seja, melhor eu fazer xixi em casa porque o horário de chegada é congestionado. tem também aquelas que após o almoço não conseguem somente escovar os dentes. retocam a maquiagem, passam perfume, desodorante, gilete no sovaco, lixa nos pés e escova nos cabelos (enchendo a pia com suas perucas). outro tipo comum aqui no trampo são as mulheres que, com preguiça de acordar cedo, trazem os kits anti-idade pra fazer o tratamento durante o expediente. afinal, melhor matar vinte minutos de trabalho do que vinte minutos de sono, certo? lá vem elas com seu arsenal de cremes esfoliantes, hidratantes e matificantes. nove e meia da manhã e eu ainda não consegui fazer um simples xixi.

não bastasse tudo isso – sim, tem mais! – quando eu finalmente consigo um lugarzinho pra chamar de meu, o que acontece? é só sentar que alguém vem mexer na maçaneta. e azolivre se eu demorar mais do que 2 minutos: a mala fica plantada na porta do banheiro, mexendo no trinco incessantemente até que a vaga seja liberada. certo mesmo era um cara do meu trampo antigo – quando batia aquela vontade, ele pegava o carro e ia cagar em casa…

|ouvindo: the national – mistaken for strangers|

sexy caleb.

7 May

caleb followill, o irmão-vocalista do kings of leon, é a celebridade mais sexy do mundo musical – na minha humilde opinião.

timbre meio rouco, carinha de “me leva pra casa”. minhas canções preferidas de todos os tempos são knocked up (because of the times) e sex on fire (only by the night ) por uma série de fatores, especialmente pelos vocais chorosos. é simplesmente arrepiante toda vez que ele grita heeeeeeee-eeey… this sex is on fire.
oh yeah babe!
caleb1
um corte de cabelo meio esdrúxulo, but… who cares? i don´t care what nobody says, we´re gonna have a baby. haha

e agora caleb em ação – com um corte de cabelo mais honesto, por assim dizer.

camiseta ao shoyu

26 Mar

paula facts, sempre que eu coloco camiseta branca, invento de almoçar em algum lugar onde a comida é fator de risco. macarronada ao sugo, feijoada, essas delícias capazes de destruir um visual limpinho e te obrigar a trabalhar escondida o resto da tarde.

ontem: camiseta branca e restaurante japonês. reunião às 14h.
comi devagar, tomando o maior cuidado para que o shoyu não criasse estampas na camiseta. logo eu, jeitosinha que só, tentando me entender com os palitos, o molho, o peixe, a camiseta branca e uma abelha que rondava, insistente, nossa espetacular mesinha ao ar livre.

lá se foram vinte minutos mergulhando os niguiris na cumbuquinha de molho, com a mesma paciência oriental com que se desembaraça a peruca de um chow-chow.

até que um dos participantes do almoço – a abelha, no caso – resolveu banhar-se na piscina de molho de soja. na hora de deixar o recipiente, como uma dama delicada que chacoalha os longos cabelos negros ao sair da água, a abelha bateu suave e repetidamente as saborosas asas embatumadas de shoyu.

em resumo, o inofensivo movimento de uma abelha filhadaputa mergulhada em shoyu foi capaz de gerar cerca de sete mil respingos de cor marrom em minha camiseta branca. claro. ainda bem que esses lenços grandes estão na moda e eu sempre tenho um na bolsa.

uma mulher suja prevenida vale por duas limpinhas.

|ouvindo: shout out louds – normandie|

senhoras e senhores…

25 Feb

nada a declarar na ressaca pós-carnaval. ressaca moral, é claro, porque eu não consumi muito mais do que 600 ml de cerveja, 2 copos de vodca e meia garrafa de vinho. mas vir trabalhar depois de 4 dias e meio de ócio produtivo é uma das piores ressacas do ser humano, believe me.

então vou falar sobre um artigo no mínimo bizarro que avistei na vitrine de uma loja de shopping. olhem bem para isto:
imagem039

meus caros e minhas caras, olhem bem pra esta vitrine e conheçam o inexplicável sapanelo*, mistura de sapato com chinelo.

me conta, qual a vantagem de usar uma coisa tão feia dessas? raciocina comigo: estando calor, o pé vai suar do mesmo jeito, afinal o sapanelo é fechado em cima (e tem até cadarço). o pé suado ficará com um chulé desgraçado, pois deduz-se que o sapanelo é usado sem meias. afinal, se fosse com meias, porque ele seria aberto na frente? e se fosse fechado na frente, teria aquela alça atrás do mesmo jeito? uma espécie de mule para homens? tantas, tantas perguntas, tantos mistérios para explicar a existência do sapanelo.

e me conta, quem é que pagava 78 contos pra ter um negócio desses?
socorro.

*nome dado ao artigo pelo estimado Sr. Diego Forte, meu respectivo.

beleza é tudo aquilo que você não vê – 1.

17 Feb

se você acha que beleza resume-se a um rostinho bonito e um corpinho em forma, veio ao lugar certo. aqui na casa dos trinta, a partir de hoje e sem periodicidade definida, você poderá conferir algumas dicas quentíssimas na incrível série “beleza é tudo aquilo que você não vê”.

por exemplo: você já olhou para seu cotovelo hoje? a menos que ele esteja doendo, aposto que não. quer dizer: acordou cedo, tomou um banho, se entupiu de perfume e massa corrida, escolheu o modelito do dia, até talco para chulé você colocou!, e esqueceu dos pobres cotovelos. tão importantes, porém tão esquecidos no ritual de beleza!

visualiza: você encontra o bofe dos bofes na noite que promete ser uma das melhores da sua vidinha maomeno. ele está lindo e perfumado, assim como você. bem trajado, assim como você. e meio bebinho, assim como você. ou seja, as chances de tudo rolar são boas. então, no aperto do boteco, no vuco-vuco do momento, ele rela o cotovelo no seu braço. você é imediatamente acometida por um arrepio do tipo ruim (igual àquele que dá quando esfrega as unhas no quadro de giz). o cotovelo do galalau está mais árido que o solo nordestino. no primeiro beijo, ao invés de sexo, a coisa mais erótica que você consegue imaginar é uma bela sessão de hidratação com victoria secret naquele cotovelozinho tão judiado.

lembrando da máxima “não faça com os outros aquilo que não quer que façam com você”… se você não quer relar as cascas dos cotovelos em ninguém, acabe com elas agora mesmo.

|info: eu ia postar uma foto de cotovelo aqui, mas… se você digitar cotovelo no google imagens, vai ver que não dá|

trilha sonora para hidratação cotovelar: The Infadels – How to disappear (to ouvindod muito esse cd Universe in Reverse, recomentdo)

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.