Nunca esqueço quando uma amiga disse: ‘internet me deixa ansiosa’. Foi tão sintético e simples e verdadeiro e real, mas nunca tinha parado pra pensar. Internet me deixou ansiosa também. A vida indo pelo ralo, uma sensação estranha de que todas as pessoas que ali estão, estão ali – e portanto, assim como eu, estão deixando de lado outras coisas. Não estão onde deveriam estar. E tem algum lugar onde a gente deveria estar? Onde é que a vida acontece? Só sei que no computador é que não é. Nada verdadeiramente importante acontece dentro do computador.
O primeiro olhar que você troca com alguém. O primeiro sorriso, o primeiro beijo, a primeira vez que acordam juntos. O dia em que ele te apresentou como namorada pela primeira vez. O jeito que ele segura a tua mão na hora de atravessar a rua. A risada que ela dá e te tira o ar. O jeito que ela pisca. Aquele momento em que a luz do cinema acende e vocês precisam levantar e sair dali, e você não sabe se agora é a hora de beijar ou se espera até o café. Andar de mãos dadas. O sorriso que você dá quando lembra dele. O coração saindo do peito quando o avião dela pousa. A felicidade incontrolável quando você ouve uma música que lembra ele. O cheirinho que fica na casa quando ele cozinha para você. Os pés dela, tão bonitos.
Nada disso está dentro do computador.
As pessoas passam o dia todo olhando pra ele – por necessidade, um pouco; por ansiedade um outro tanto. De lá pode sair tudo, um monte de informação, foto, uma mensagem que você estava esperando. Mas a vida boa, aquela que todo mundo quer, não está no computador. Está do lado de fora, nos convites recusados, nos amigos esquecidos, nos livros acumulados na estante, nos filmes que você não viu. Nas pessoas que você deixou pra trás e naquelas que você não conheceu ainda. A vida boa, aquela que todo mundo quer, acontece quando você deixa ela entrar. Simples assim. E tão complicado.
(Imagem: http://sniffingpermanentmarkers.tumblr.com/)
Tags: internet, resoluções 2012

A vida, é viva na internet?
Acho que seu texto traz mais perguntas do que ele tem, sem dúvida alguma. Nos deixa (mais) ansiosas, nos ilude criando rodas de amigos que não estão perto, dos enfia goela a baixo um conforto virtual, quando o que a gente precisa mesmo é de colo…
Apesar disso, é na internet que ‘nos encontramos
ops, vai a continuação….
“… e através dos caracteres que nos sentimos cúmplices. Vai entender, né?
beijão!
Gostei e refleti…vamos nos encontrar?